Neiper mais bio

A empresa especialista em felpos apresentou produtos mais sustentáveis, incluindo fios com até 70% de fibras recicladas e tingimentos e acabamentos que reduzem o consumo de recursos, assim como propostas de vestuário de exterior.

Júlio Mota

A sustentabilidade e circularidade têm assumido um papel cada vez mais importante na oferta da Neiper, que, segundo o CEO Júlio Mota, «tem tido boas experiências com fio reciclado», conseguindo chegar a 70% de fibra reciclada.

A empresa decidiu dar mais um passo nesse sentido e, para isso, fez uma parceria com a NGC. «Tínhamos cada vez mais clientes a questionar-nos sobre descarbonização, sobre soluções mais biodegradáveis e procurámos no mercado alguém que nos pudesse dar uma mais-valia, que tivesse alguma experiência e nos pudesse ajudar tecnicamente e cientificamente a escolher as melhores soluções para criar produtos mais amigos do ambiente, que integrassem químicos não prejudicais ao meio ambiente em geral, principalmente na tinturaria e nos acabamentos», explica Júlio Mota. «Encontrámos a Make it Bio, que inclui uma técnica de tingimento e acabamento que permite reduzir as temperaturas e o consumo de água através de fórmulas de processo químico que usam outro tipo de produtos, sendo que a condição número um é que esses produtos sejam bioquímicos e não petroquímicos. Portanto, estamos a substituir os produtos que derivam do petróleo, e que são a regra no tingimento, por processos que usam bioquímicos biodegradáveis», revela o CEO.

Os primeiros produtos feitos com recurso a estes processos foram apresentados na Heimtextil «com uma boa recetividade. Tem sido a principal atração», confessa Júlio Mota ao Jornal Têxtil, adiantando que «os clientes têm querido saber mais, principalmente os do Norte da Europa», acrescenta.

Esta parceria vem reforçar o slogan “The Green Factory” que a Neiper adotou para expressar «a ideia fundamental, nestes últimos tempos, de criar soluções sustentáveis», aponta.

Há dois anos, a empresa começou «a descarbonizar, reduzindo a nossa dependência energética» do petróleo. «Hoje em dia, tal como alguns parceiros portugueses da mesma área, já usamos praticamente 100% energia verde. Substituímos o gás natural por biomassa, instalámos painéis fotovoltaicos para produzir a nossa própria eletricidade, fizemos readaptações de equipamentos, substituímos outros para depender não de gás, mas de vapor proveniente de biomassa», enumera o CEO da Neiper, que com isso conseguiu ter 90% da energia térmica proveniente da caldeira de biomassa e 25% da eletricidade produzida por painéis fotovoltaicos. «E temos agora um contrato com a fornecedora de eletricidade que nos garante energia 100% renovável», acrescenta.

Na área do produto, a Neiper está a diversificar, «porque os clientes exigem cada vez mais variedade», e incluiu a estamparia digital na sua oferta. «Não era um segmento que tivéssemos explorado antes, estamos a tentar explorar este ano. E criámos também uma linha a que chamámos Terry Wear, de vestuário de exterior, com beachwear, streetwear e sportswear. Usámos felpos em vestuário moderno, prático e que se possa adaptar a várias circunstâncias», indica Júlio Mota.

Anteriormente, este tipo de artigo estava focado essencialmente em ponchos e roupões, mas «decidimos criar alguma diferenciação e oferecer alternativas aos clientes. Há clientes que estão mais na vanguarda e que procuram este tipo de produto e, embora sejam situações de nicho, inspiraram-nos a criar esta linha», justifica o CEO.

Atualmente, 60% das vendas da Neiper são realizadas na Europa, 30% nos EUA e os restantes 10% estão divididos por diversos mercados. No total, a empresa exporta para 70 países. «Vamos tentar apostar mais na Europa de Leste no próximo ano. Já temos algumas viagens preparadas», revela.

Com 22 milhões de euros de volume de negócios em 2023 e um efetivo de 210 pessoas, a Neiper terminou recentemente um investimento de oito milhões de euros nas áreas da descarbonização e inovação e está agora a equacionar novas aquisições, focadas «em algumas melhorias de equipamentos, que começam a ficar desatualizados», afirma Júlio Mota. «São pequenos ajustamentos, porque uma indústria têxtil necessita de investimento todos os anos», conclui.