Negócios na China só com parceiros Locais

Katy Lam é directora-geral da Messe Frankfurt em território chinês, e com mais de quinze anos de experiência no sector têxtil, acha que as políticas promovidas pelo CNTAC- China National Textile & Apparel Council , ex- departamento do Ministério da Indústria para o sector, estão a ser bem dirigidas, e que para serem bem feitas não se pode liberalizar tudo de uma vez. Numa breve conversa na última edição da Intertextile Shangai, o Jornal Têxtil colocou-lhe algumas questões, entre as quais se destaca a importância do apoio às empresas para internacionalização, razão pela qual os franceses não estão presentes, e um conselho aos empresários portugueses que querem ir para a China.

Jornal Têxtil (JT) – Quais são os primeiros comentários que lhe merecem os resultados desta edição?

Katy Lam (KL) – Creio que o aumento de quase 30% em termos de expositores e de área de exposição, e a presença dos principais países e market leaders neste segmento, mostram que todos querem estar neste mercado neste momento. Os italianos aumentaram muito a sua representação e são dos principais interessados na lista de espera da próxima edição, a quem se juntam a Coreia e a Turquia. O facto de termos aumentado um dia de duração da feira, transformando o primeiro no dia «exclusive», por convite – ponderado por nós e pelas empresas presentes, em conjunto – ajudou aos bons resultados, pois as empresas gostaram muito desse dia mais seleccionado.

JT – Os franceses não está cá porquê?

KL – Creio que por haver a Première Vision Shangai a seguir, e por não terem os apoios para vir aqui que os outros países têm.

JT – Os italianos, que destacou há pouco, têm apoios?

KL – Sim, têm um apoio do Ice (organismo italiano análogo ao Icep).

JT – Qual é a percepção que tem da distribuição internacional da feira no futuro, e quais as iniciativas que tem reservadas para então?

KL – Acho que os expositores internos vão ser mais do que os estrangeiros, independentemente da aposta que já se nota destes últimos neste mercado. E vai-se notar uma alteração qualitativa, a avaliar pela aposta dos empresários chineses na imagem e no valor acrescentado dos seus artigos, apostando já nos têxteis funcionais e nas fibras amigas do ambiente. E nós estamos atentos a estes investimentos para irmos trabalhando a feira à medida que estes subsegmentos se desenvolverem.

JT – Há uns dias atrás o Governo chinês anunciou num seminário em Portugal que a prioridade do país agora seriam as Tecnologias da Informação (TI); na sua opinião pode significar uma menor aposta relativa no têxtil?

KL – Creio que não, há uma grande procura das TI mas o Governo não deverá prescindir da passagem por uma fase de crescimento baseada num sector mão-de-obra intensivo, preocupando-se também com as questões sociais que agora nos afligem, como a saturação demográfica das cidades do Oriente, e a desertificação das do interior, razão pela qual se está a alterar a lei do filho único, por exemplo. Não podemos queimar etapas.

JT – Há analistas que dizem que as medidas de liberalização da economia são um embuste…

KL – Penso que não, o Governo está a liberalizar a actividade económica, mas para ser bem feita não se pode fazer tudo de uma vez.

JT – Qual seria o conselho que daria a um empresário português que quisesse hoje fazer negócio na China?

KL – O principal conselho seria arranjar um parceiro local e ser perseverante. A China está a passar para uma economia de mercado e estamos a aprender agora como trabalhar a distribuição e o retalho, e como fazer negócio, e como a China é muito grande é muito difícil fazer negócios directamente. A presença aqui é uma boa ajuda.