Negócio na China

Embora o interesse na China seja principalmente orientado para empresas que procuram fornecedores ou que pretendem instalar a produção no país, no último seminário organizado pelo UKFT (UK Fashion and Textile Association), que decorreu em Londres, ficou evidente que a possibilidade de vender produtos na China é cada vez mais tentadora. «Não descarte a exportação para a China», afirma Gordon Harris, sócio e director de propriedade intelectual da empresa jurídica Wragge & Co. «É um mercado muito grande e é recentemente rico». Harris refere ainda que um sistema jurídico chinês aprovou 4.960 leis e regulamentos apenas em 2005. «As relações comerciais chinesas são agora muito mais regidas pelas leis do que antes», revela o responsável. Apesar do desenvolvimento de relacionamentos fortes ainda ser um factor importante para quem pretende fazer negócios na China, Harris considera que o sistema jurídico também desempenha o seu papel hoje em dia: «antes, a parte mais importante para fazer negócio na China era o relacionamento. Ainda é importante e existem grandes vantagens em estar próximo da pessoa com quem se deseja fazer negócio, mas existem agora formas mais sofisticadas que regem as relações de negócios». Harris refere que um simples contrato com parceiros é o caminho óbvio para o arranque de empresas na China através de cooperações, joint-ventures ou WOFE (empresa detida na totalidade por estrangeiros). Ele recomenda que o conteúdo do contrato seja verificado de forma independente, para assegurar que a versão em chinês do contrato refere o mesmo que a versão em inglês. Meanne Ho, directora-executiva da MH Concepts, empresa de distribuição e aprovisionamento de vestuário, e ex-presidente do aprovisionamento da Gap Inc para a Ásia Pacífico, também participou do seminário. Ho refere que o relacionamento entre o retalhista e o fornecedor é fundamental na China. «Esta é a plataforma fundamental para fazer as coisas acontecerem», diz Ho. O primeiro passo para uma cadeia mais eficiente é a escolha do parceiro de negócios certo. Os critérios para esta decisão incluem reputação, qualidade, preço, localização e entrega. Ho também estabeleceu com sucesso projectos de retalho na China, conseguindo criar uma loja de departamento em Hong Kong, a “Show and Tell”, no espaço de quatro semanas, utilizando os seus 25 anos de experiência no sector. Ela afirma que «graças à da minha rede e dos meus relacionamentos de negócios com a base de fornecedores fui capaz de abrir a loja em tempo recorde». Ho também acredita que uma relação comercial de longo prazo é fundamental para o aprovisionamento rápido na China. No que se refere à localização, Harris salienta que os negócios na faixa costeira da China, entre Pequim e Hong Kong, não são muito diferentes dos mercados ocidentais. Mas afirma que, como consequência, o terreno e os funcionários são relativamente caros nestes territórios. «Não é barato montar uma fábrica e não é barato empregar pessoas na faixa litoral. Por isso, não trabalhe com base nessa ilusão. Mas o que se consegue é o respeito pela lei e boas infra-estruturas», acrescenta Harris. O responsável refere ainda que, enquanto as outras regiões possuem frequentemente terreno e trabalho baratos, existe a contrapartida da infra-estrutura e da fiabilidade. Portanto, enquanto que aprovisionar na China não é sempre a solução mais económica, a combinação de parcerias de longo prazo, localização e estado de direito facilitam mais do que nunca a gestão.