ndia na “mira” dos investidores estrangeiros

Este artigo revela algumas das conclusões de uma conferência recente sobre “Produzir e Vender Moda na Índia”, em que os oradores discutiram as vantagens e desvantagens de se instalar e operar na Índia. No que diz respeito a oportunidades de moda e vestuário, a Índia é geralmente considerada “pobre” comparativamente à China. Enquanto o dragão vermelho da República da China abraçou o fim das quotas nos têxteis e vestuário e alargou e reafirmou o seu domínio do mercado mundial, o tigre de bengala da Índia parece ter tropeçado e, como consequência, perdido terreno na corrida entre estes dois países em desenvolvimento. Os investidores estrangeiros não eliminaram a Índia dos seus planos, muito pelo contrário, observam-na atentamente. Na recente conferência sobre “Produzir e Vender Moda na Índia”, organizada pela revista de moda britânica Drapers, Devangshu Dutta, director-geral da empresa de aconselhamento e serviços Third Eyesight, sublinhou que as empresas de software e serviços já estão a trabalhar no que chamam de “estratégia Índia”. O gigante de retalho americano Wal-Mart admitiu ter perdido o “barco” da China, mas afirmou que não iria perder o da índia. Esta realidade está a cimentar-se em algumas empresas de vestuário. Contudo, apesar destas expectativas de crescimento, o desenvolvimento não ocorreu a um ritmo suficientemente rápido para muitos players internacionais, desde retalhistas até fornecedores. Na realidade, a Índia continua a ser assombrada pela sua reputação de fábricas com uma fraca infra-estrutura, pouco fiáveis e ultrapassadas. Tal como Dutta sublinhou, a Índia adiciona à falta de parcerias de comércio tempos de entrega relativamente longos, uma legislação relativa à indústria que não é a mais indicada, energia pouco fiável, existindo também uma falta de apoio por parte de governo e custos elevados que afastam potenciais investidores estrangeiros. O recrutamento da força de trabalho pode igualmente ser um problema. Existe, de forma geral, uma falta de pessoal qualificado na indústria da moda do país e também uma falta de trabalhadores especializados. Este é um problema que os retalhistas estão a tentar resolver através de mini-universidades. No entanto, soluções a longo prazo como esta continuam a afastar empresas que querem ter trabalhadores capazes a partir do momento que comecem a operar na Índia. Risco e incerteza Para além de todos estes factores, as empresas estrangeiras podem ser desmotivadas pelo que por elas pode ser considerada como uma ética de trabalho e uma forma estranha de conduzir os negócios . Andrew Levermore, director-geral da Hypercity Retail, refere uma baixa tolerância de risco e incerteza, uma falta de comunicação directa e um evitar de conflitos como características típicas indianas de gerir o negócio. Apesar dos factores menos atractivos, a Índia começa a ser vista por muitos com um entusiasmo genuíno. Dutta cita o responsável pela cadeia de fornecimento de uma marca internacional que afirma que«temos ignorado a Índia como ponto de fornecimento e temos agora de corrigir este erro rapidamente». Este não é exemplo único. O director de compras de um multimilionário retalhista de moda europeu, também citado por Dutta, revelou que «podemos facilmente ver o nosso sourcing na Índia aumentar de 2 para 10 por cento nos próximos três anos». A jóia na coroa da Índia reside na sua classe de consumidores, que cresce rapidamente e de forma sustentada. De acordo com Dutta, «com a crescente urbanização observamos um crescimento sustentado no mercado. Os gastos a crédito e débito estão a crescer entre 30 a 40 por cento por ano». No que diz respeito aos consumidores indianos, estes revelam uma preferência pelo vestuário com um acabamento mais refinado. Levermore explica que«não estamos a falar de um segmento Wal-Mart. As pessoas têm a consciência do valor e da qualidade. Não se trata apenas do valor». Com a crescente consolidação da indústria e com mais de 300 centros comerciais planeados para os próximos anos, Dutta pensa que existe um “enorme crescimento” para o retalho moderno na Índia, crescimento esse que pode ser demonstrado pelos níveis de investimento estrangeiro feito recentemente nesta área. Melhorar as perspectivas Não é apenas o panorama económico da Índia que está a melhorar para aqueles que procuram este mercado. A nível organizacional, legal e estrutural, o país tem sofrido mudanças positivas. Até agora, as empresas internacionais só podem vender os seus artigos de marca em lojas franchisadas ou através de operações de retalho. Esta situação poderá mudar se o governo indiano aceitar as recentes recomendações de um grupo de ministros que sugere que o investimento estrangeiro que ultrapasse os 51 por cento deverá ser permitido em operações que produzam e vendam apenas uma marca. De acordo com esta proposta, empresas como a Tommy Hilfiger, Louis Vuitton e Mango poderiam passar a controlar as suas lojas na Índia, o que representaria um significativo passo em frente para as empresas globais que têm como objectivo reforçar a sua posição neste mercado. As fábricas já existentes estão também a trabalhar para conquistar o seu lugar ao sol. As actualizações tecnológicas e uma atenção mais cuidada sobre assuntos relacionados com a ética ajudam a modificar positivamente a imagem do país relativamente aos seus competidores mais desenvolvidos. Pouco a pouco, um planeamento mais elaborado, o cumprimento de standards e planos de expansão vão ajudar as fábricas da Índia a equiparar-se às existentes na Europa de Leste, por exemplo. A Índia já é o segundo ou terceiro maior fornecedor da Europa em várias categorias, tais como saias, vestuário de dormir masculino e blusas. Para além disto, a produção de básicos está a melhorar ajudando a alterar a imagem de que a Índia é apenas indicada para produzir peças de vestuário com mais pormenores. A nível geográfico está estrategicamente localizada e poderá ser considerada como o centro de actividade do mercado Sul asiático e não apenas como mais um país. Países como o Bangladesh, Sri Lanka, Paquistão e Dubai oferecem grandes potencialidades para as empresas de vestuário. Mike Flanagan e Liz Leffman, co-fundadores da Clothesource, concordam e afirmam que as empresas deveriam considerar todo o subcontinente sudeste-asiático como um destino de sourcing. Apesar de a Índia e os países envolventes não serem o local mais fácil para realizar negócios, devem ser considerados como uma alternativa real. Por seu lado, Dutta afirma que«existem perspectivas fenomenais se o produto for o correcto». Na sua opinião, as empresas devem olhar para a Índia de forma independente e não fazendo comparações com a China.