ndia investe no design

A índia quer subir na cadeia de valor e oferece propostas que combinam outsourcing e inovação. Mas, questiona Fiona Jenvey, directora-executiva da agência de tendências Mudpie, quanto tempo irá levar até que os produtos têxteis e de vestuário importados da índia sejam também desenhados aí? Embora a ideia da índia desenvolver uma produção completa possa colocar uma ameaça a economias criativas desenvolvidas, também apresenta oportunidades interessantes para marcas e retalhistas que procuram soluções criativas eficientes em termos de custos. A inovação é o novo paradigma económico para a índia. Graças ao investimento do governo nas indústrias criativas, a índia está bem posicionada para competir na economia mundial. Uma ambiciosa National Design Policy quer produzir 5 a 8 mil designers por ano a partir de organizações como o National Institute of Design, com a ambição de elevar a educação em design na índia aos níveis internacionais – tornando o “designed in India” e o “made in India” sinónimos de qualidade e inovação. A índia possui já um incrível conjunto de valores criativos: Bollywood, a indústria cinematográfica do país, é o maior centro mundial de produção de filmes, com mais de 900 películas por ano. Além disso, a indústria de animação e jogos deverá valer mais de mil milhões de dólares até ao final da década, e as indústrias de publicidade, design gráfico e design de produtos estão a experienciar um forte crescimento. A indústria de moda indiana tem claramente ambição. Manish Arora, por exemplo é um aclamado designer indiano de Nova Deli, cujo sentido de exuberante excesso lhe deu protagonismo em “Mecas do retalho” como o Harrods, em Londres, ou a Saks, no Dubai. O Fashion Design Council of India, apoiado pelo governo, tem um mandato para promover a educação no âmbito da moda e da indústria de design, providenciando uma fundação sustentável para os criativos do futuro. Enquanto a China se ultrapassa no processo, a índia excede-se na inovação. Embora a China produza cerca de 10 mil graduados de design anualmente e tenha planos para que o seu próprio sector criativo cresça 20% ao ano, a inovação é ainda um problema para a sua indústria criativa. A pirataria coloca um grave entreve e para as marcas do país é uma poderoso desincentivo para investir em design. Na índia, contudo, a National Design Policy encoraja o investimento em inovação e tenta valorizar os direitos de propriedade intelectual. Em Abril de 2008, a índia ultrapassou a rival China na corrida para desenhar e produzir o primeiro carro low cost do mundo: o Tata Nano, conhecido como “o carro do povo”, tem um design absolutamente nacional. Apesar da sua dedicação a uma indústria criativa inovadora, a índia tem ainda de responder a diversos desafios. Tal como a China, o país continua a enfrentar grandes problemas com a contrafacção e questões de propriedade intelectual, mas um aumento nas patentes está a começar a salvaguardar o design. A educação é também um problema: a impulsionar a economia está a elite ocidentalizada e educada, enquanto apenas 2,2% da juventude do país completa actualmente o ensino secundário. O governo indiano está também a tentar responder a questões relacionadas com as infra-estruturas no país. Por exemplo, a nova auto-estrada da índia com cerca de 4.000 km, baptizada Golden Quadrilateral, liga os principais centros populacionais de Deli, Mumbai, Chennai e Kolkata, o que o governo espera que ajude a facilitar a logística e a impulsionar a economia do país.