ndia: FMI aponta necessidade de reformas na ITV

De acordo com um estudo elaborado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), no qual foram comparados os desempenhos da China e da Índia no âmbito dos sectores têxtil e de vestuário, apenas com a implementação de novas reformas e maior investimento a Índia poderá fomentar de forma significativa a sua competitividade nestes sectores. O estudo sobre o impacto da liberalização do comércio internacional nos sectores têxtil e de vestuário na indústria indiana foi desenvolvido pelos economistas Prasad Ananthakrishnan e Sonali Jain-Chandra do FMI. Os autores defendem que a eliminação das restrições, que actualmente limitam o crescimento da Índia, está dependente da capacidade em fomentar os seus recursos inatos e beneficiar das suas vantagens competitivas. O estudo refere que os recursos da Índia incluem uma força laboral abundante e de baixo custo, um significativo fornecimento de tecidos, uma forte e diversificada base de matérias-primas para a produção de fibras naturais e artificiais e uma vantagem na capacidade de fiação. Desempenho pior que a China O desempenho da Índia desde 1995, ano em que foi iniciado o processo de liberalização das quotas aplicadas sobre o volume de importações de têxteis e de vestuário ao abrigo do ATC (Agreement on Textiles and Clothing), não foi tão «espectacular» como o da China. Apesar do crescimento registado pela Índia entre 1995 e 2003 nos sectores têxtil e de vestuário, a quota da China registou um crescimento muito pronunciado. Apesar da evolução no acesso aos mercados norte-americano e canadiano desde 1995, a Índia perdeu quota de mercado na União Europeia (UE) e conseguiu apenas captar uma quota insignificante do mercado japonês. Citando os dados preliminares dos EUA para o primeiro semestre de 2005, a China aumentou as suas exportações de têxteis e de vestuário nos produtos liberalizados após o mês de Janeiro de 2005 em cerca de 242%, enquanto que as exportações indianas para o mercado norte-americano cresceram apenas 34% para as categorias em causa. Uma evolução semelhante foi também registada no mercado comunitário, onde as exportações chinesas registaram uma subida de 80% enquanto que as indianas registaram uma evolução de apenas 10%. Cenários futuros Em termos de cenários futuros, de forma a melhor definir como as exportações indianas de têxteis e de vestuário poderão evoluir num mercado internacional isento de quotas, o estudo analisa dois cenários: um em que as salvaguardas provisórias se encontram em vigor limitando as exportações chinesas, e outro em que o fim das quotas é efectivamente implementado de forma total. Os economistas do FMI referem que os resultados destas simulações dão poucos motivos de satisfação à Índia, na medida em que as suas exportações de têxteis e de vestuário iriam provavelmente continuar a evoluir na presença das salvaguardas que limitam as exportações chinesas, mas iriam ser prejudicadas a partir do momento em que estas salvaguardas forem eliminadas. Mais concretamente, considerando um cenário em que uma quota de 50% é aplicada sobre as importações chinesas para os EUA e para a UE, as exportações indianas de têxteis e de vestuário iriam registar um crescimento de apenas 13% e 11%, respectivamente. No entanto, considerando o cenário em que todas as quotas são eliminadas, as exportações indianas de têxteis registariam um crescimento de 5,6% e as exportações de vestuário sofreriam uma quebra de 4%. Pontos fracos De acordo com o estudo, os principais pontos fracos que impedem o desenvolvimento do sector e a produtividade estão associados com: baixa qualidade dos produtos têxteis, fragmentação da indústria, concentração contínua nos artigos de vestuário de preço médio e baixo, tempos de resposta demasiado longos, atrasos nos procedimentos alfandegários, reduzida combinação de nova tecnologia, falta de economias de escala, elevados custos de transporte e de outros custos associados. O estudo refere que a Índia tem muito a ganhar com uma aposta na sua infra-estrutura, eliminação de ineficiências no seu sector energético, maior eficiência nos procedimentos alfandegários e introdução de maior flexibilidade nos mercados laborais, de forma a poder instalar unidades industriais de produção massiva semelhantes às que existem actualmente na China. Á medida que o desenvolvimento tecnológico desempenha um papel mais significativo no âmbito de um mercado internacional mais competitivo, os responsáveis governamentais indianos devem encorajar a transferência de tecnologia e a difusão da inovação. Para minimizar os prazos de entrega, a Índia vai precisar de uma maior integração da sua cadeia de fornecimento e de desenvolver clusters têxteis fortes e capazes de coordenar todos os passos da produção. A imagem da Índia como exportador de grande dimensão poderá também beneficiar de uma maior aposta na certificação da qualidade e no desenvolvimento de uma imagem de marca, aspectos que assumem uma maior prioridade do que encorajar o investimento estrangeiro directo e a transferência de tecnologia nos têxteis e no vestuário. O estudo refere ainda que mesmo que a Índia não permita o investimento directo estrangeiro no seu segmento de retalho, poderá permitir este tipo de investimento nos serviços de distribuição de retalho para têxteis e vestuário, referindo o estudo que a Índia deve encorajar a diversificação de empresas têxteis estabelecidas para a produção de têxteis técnicos para aplicações ao nível da embalagem, desporto, aplicações médicas e de higiene e aplicações militares.