Naturalmente inspirados

Se a moda Fair Trade (comércio justo) invoca uma imagem algo enfadonha, suave e delicada, depois de aplicada a etiqueta de moda ecológica, somos impelidos a dar uma nova olhadela. Plantando-se firmemente no epicentro do mundo da alta moda (não pode haver nada mais central do que a loja Topshop de Oxford Circus em Londres), a marca pioneira People Tree assegurou a concessão de uma loja durante dois meses, para mostrar a sua colecção para a Primavera/Verão 2006. O desafio foi lançado de forma a coincidir com a Fairtrade Fortnight. «A moda Fair Trade chegou às ruas nesta estação e veio para ficar», afirma a fundadora e directora da People Tree, Safia Minney. «A concessão da People Tree na Topshop prova que a moda Fair Trade quebrou todos os estereótipos e representa um ponto de rotura na moda de retalho». A People Tree foi fundada quando Minney descobriu o seu interesse pelas questões relacionadas com a justiça ambiental, comercial e social, tornando-o num negócio de comércio justo. Depois de se mudar de Londres para Tóquio em 1989, criou a organização Global Village (Aldeia Global), uma campanha e rede educacional para encorajar as pessoas a considerar vários aspectos da vida sustentável. Anteriormente, Minney tinha quatro pessoas a trabalhar a tempo inteiro a partir de casa dela. Em 1995, criou a Fair Trade Company e abriu uma loja de moda em Tóquio. Em 1997, Safia Minney acrescentou uma colecção de moda Fair Trade, usando têxteis ecológicos, incluindo o algodão orgânico, aos produtos vendidos pela Fair Trade Company, lançando assim a primeira colecção da People Tree. A ideia de base era trabalhar de perto com grupos de artesãos têxteis de forma a ajudá-los a conhecer os padrões ambientais e a desenvolver o seu potencial mercado. Hoje, a People Tree tem uma equipa de cinco designers a tempo inteiro, 40 trabalhadores em Tóquio e 11 em Londres. Com mais de metade da actual colecção a ser feita com algodão orgânico e algodão certificado pela Fair Trade, a People Tree produz vestuário e acessórios para mulher, homem, criança e bebés. A empresa desenvolve também uma linha de corantes naturais. De acordo com Safia Minney, os produtos People Tree são fabricados segundo os mais altos padrões ambientais e de comércio justo, e provam consistentemente que é possível usar moda com estilo, atraente e acessível, e ao mesmo tempo que respeite as pessoas e o planeta. «Precisamos claramente de usar o nosso poder para mudar a mentalidade dos consumidores em relação à forma como os produtos de vestuário são fabricados», sustenta. «Comecei a People Tree há 10 anos atrás. Os nossos designers e fabricantes trabalham em aldeias rurais, e com a sua técnica e assistência criativa, a moda Fair Trade é fácil de comprar porque é fantástica para usar». A empresa, um membro registado da IFAT – International Fair Trade Association -, trabalha com 70 grupos Fair Trade em 20 países em vias de desenvolvimento, ajudando as pessoas das comunidades mais marginalizadas a usar o Fair Trade para escapar à pobreza. A actual colecção sustenta quatro mil produtores de pequena escala de algumas das mais pobres comunidades mundiais em países como a Índia, Bangladesh, Nepal, Peru e Quénia. Ao pagar um preço justo e pagamentos adiantados, comprometendo-se com encomendas a longo prazo e fornecendo suporte técnico e de design, a People Tree investe em programas sociais e ambientais nas comunidades onde as roupas são confeccionadas. Adapta-se a uma política ambiental rígida e patrocina o cultivo de algodão orgânico através de uma elegante linha de peças de algodão orgânico. A actual colecção inclui vestidos, roupa de praia e tops em algodão orgânico, elegantes vestidos de festa em seda, estampadosmanualmente em fábricas na Índia, saias bordadas à mão, feitas em cooperação com pequenas fábricas de mulheres no Bangladesh; e oficinas criadas num ambiente tradicional. Em toda a parte, a empresa cria duas colecções sazonais por ano, que estão disponíveis em www.peopletree.co.uk epor encomenda. As colecções são também fornecidas a mais de 30 lojas Fair Trade e independentes em todo o Reino Unido, e distribuídas em Itália, Suíça, Estados Unidos da América e Portugal. Segundo Safia Minney, a tendência “fast fashion” está a diminuir – as vendas de roupa ética no Reino Unido cresceram mais de 30 por cento em 2004 e o mercado vale agora mais de 43 milhões de libras. «A nossa apetência pela “fast fashion” representa um retrocesso, pois favorece preços baixos que ignoram os direitos dos trabalhadores e a protecção ambiental», afirma. «Nas empresas de moda topo de gama, as pessoasque respondempela responsabilidade corporativa são muitas vezes uma extensão da equipa de relações públicas, lidando com o “risco de gestão”,não influenciando as actividades de compra. O preço e o tempo de entrega das encomendas tornam impossível para os subcontratadores respeitar as melhores práticas comerciais». «A moda Fair Trade é a resposta. Ela usa algodão orgânico, tecidos fabricados manualmente e outras competências manuais para dar a um maior número de pessoas a oportunidade de escapar às armadilhas da pobreza», conclui Safia Minney.