Natal beneficia retalho britânico

As vendas de Natal no retalho britânico decorreram num clima sem grandes esperanças e havia mesmo muitos que temiam um “desastre”. Estes receios baseavam-se na subida dos juros no empréstimo à habitação e na subida dos custos de energia que os consumidores tiveram de enfrentar. Os relatórios intercalares publicados nas primeiras semanas de Janeiro davam lugar a algumas esperanças. O British Retail Consortium (BRC) anunciou no seu relatório mensal que o resultado do retalho do mês de Dezembro foi o melhor desde 2001. Segundo o BRC, o volume de negócios do retalho britânico, comparativamente ao mesmo período de tempo do ano anterior, cresceu no total 6,2 por cento e em termos de vendas comparáveis o crescimento foi de 2,6 por cento. O volume de negócios teve uma subida significativa na semana antes do Natal, tendo-se mantido esta tendência nos dois dias seguintes a este feriado. No que diz respeito ao vestuário e ao calçado, as vendas foram mais “calmas” do que em Novembro, enquanto o sector alimentar se manteve forte. Kevin Hawkins, director-geral do BRC, admitiu que os resultados ultrapassaram as expectativas, mas salientou que é necessário não esquecer a conjuntura envolvente não muito favorável. «Os clientes continuam muito atentos aos preços e por isso continuam a recorrer aos saldos e promoções». Depois de gigantes do sector como a Next, New Look e John Lewis terem anunciados balanços intermédios positivos, a M&S pode juntar-se aos vencedores na época natalícia. No terceiro trimestre do corrente ano fiscal (31 Dezembro) o volume de negócios cresceu no total 4,8 por cento e no vestuário verificou-se um crescimento de 1,9 por cento ficando, contudo, atrás do sector alimentar. O responsável pela M&S, Stuart Rose, atribui os progressos a um planeamento mais eficaz das compras, a uma melhor relação preço/qualidade e a um controlo mais eficaz dos stocks diminuindo os artigos excedentes em 35 por cento comparativamente às promoções dos mesmos realizadas no ano anterior, antes do Natal. Rose afirma que o desafio em relação ao vestuário é constante. A marca Per Una, dirigida ao segmento jovem, deverá ter crescido entre 15 a 20 por cento e também a linha feminina Limited Collection, actualmente identificada como a linha fashion da M&S, regista uma boa adesão. Contudo, no que diz respeito às malhas para homem e à caxemira para senhora os resultados não se revelaram tão positivos. No que diz respeito à moda infantil, na qual a M&S passou de líder para a sexta posição, Rose promete uma reorganização da moda para bebé e criança, lançando também novos impulsos na moda de senhora e homem. O grupo de artigos de luxo Burberry mostrou-se satisfeito com os seus resultados da época natalícia e anunciou para os três meses até 31 de Dezembro um crescimento de 11 por cento no retalho, enquanto no que diz respeito às vendas para os grandes armazéns sofreu uma queda de 21 por cento. De acordo com a directora financeira, Stacey Cartwright, as encomendas em menor quantidade do armazém americano Department Stores tiveram uma influência importante. O grupo de retalho GUS, que abandonou a Burberry em Dezembro, anunciou para a sua cadeia Argos (650 lojas) nas catorze semanas até 7 de Janeiro um aumento do volume de negócios de 9 por cento, mas em termos de vendas comparáveis o resultado foi semelhante ao do ano anterior. Os resultados da Internet registram uma melhoria muito significativa, 37 por cento. A Argos vende 13 por cento dos seus artigos on-line alcançando assim por ano um volume de negócios superior a 584 milhões de euros. O grupo de armazéns House of Fraser obteve igualmente bons resultados. Após a aquisição dos retalhistas Jenners e Beatties e de novas lojas o seu volume de negócios subiu 34,2 por cento comparativamente ao mesmo período do último ano. O panorama não foi tão optimista para o discounter de vestuário Matalan que nas dez semanas até 7 de Janeiro, em termos de vendas comparáveis, viu o seu volume de negócios descer 5,5 por cento. No vestuário, a sua área de acção central e responsável por 80 por cento do seu volume de negócios, a casa conseguiu manter a sua fatia de mercado, segundo o director-geral John King. Os volumes de negócios alcançados que ultrapassaram temporariamente as expectativas, não devem iludir os intervenientes relativamente aos problemas estruturais do retalho. O sector enfrenta um declínio do volume de negócio e simultaneamente um aumento dos custos. Para a grande maioria das cadeias de retalho, as rendas, impostos e taxas correspondem quase a um quinto do volume de negócios. Os custos com o pessoal “influenciam” entre 10 a 12 por cento o volume de negócios. A esta conjuntura é preciso acrescentar o aumento do salário mínimo, a subida dos preços de energia e a sua relação com o preço do petróleo. Considerando este cenário o retalho britânico nem sequer quer pensar num possível abrandamento do consumo.