Nas asas da inovação

A cooperação entre os centros de I&D nacionais é uma realidade para bem do progresso da nossa indústria. Motores da inovação em Portugal, o Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (Inegi) e o Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) da Universidade do Minho dão o exemplo ao colaborarem no desenvolvimento de pré-formas têxteis destinadas à produção de componentes estruturais para asas de aviões não tripuláveis. «Ao 2C2T coube a responsabilidade de desenvolver a malha de trama tubular que se adaptasse à geometria de uma asa, e ao Inegi realizar essa transformação», explica Célia Novo, investigadora da Unidade de Materiais Compósitos do Inegi. «Apenas uma estrutura têxtil permitiria conceber uma forma de tubo mais estreita numa das suas extremidades mas com a mesma resistência em todos os pontos». Utilizando as mais avançadas técnicas de processamento por RTM (Modelação por Transferência de Resina) para a produção dos componentes estruturais e de análise por Elementos Finitos para a modelação do seu comportamento mecânico, o Inegi criou pré-formas têxteis de fibra (vidro, aramida e carbono) de geometria complexa e anisotropia controlada. «Estas técnicas permitem obter uma pré-forma com a geometria do produto final, assim como reduzir o tempo do processo de fabrico e conceber componentes estruturais de elevada performance», afirma a investigadora. Mas o Inegi tem já uma história na troca de saberes e experiências consolidada ao longo dos seus 20 anos de actividade, celebrados precisamente no corrente ano. Dando asas desta vez à sua imaginação, o instituto também colaborou com o Citeve, para o desenvolvimento de têxteis técnicos com aplicação numa indústria que anda sobre rodas- a indústria automóvel. Em particular, a sua Unidade de Materiais e Estruturas Compósitas, como num passe de magia, metamorfoseou os tecidos técnicos produzidos pelo centro tecnológico em materiais compósitos mediante a injecção de resina por vácuo, que serão posteriormente aplicados em componentes automóveis. Para além do seu espírito cooperante, o Inegi conta também entre os seus predicados um grande know-how na classificação e desenvolvimento de materiais com o objectivo de melhorar o seu comportamento ao fogo. Para tal, dispõe de um dos melhores laboratórios de ensaios nacionais, acreditado pelo Ipac, que lhe permite determinar velocidades de combustão, toxicidade de gases e opacidade dos fumos, entre outras propriedades fundamentais neste campo. «Queremos afirmar-nos não só como um importante player na investigação e desenvolvimento de processos e produtos mas também na prestação de serviços indispensáveis à indústria», conclui Célia Novo.