Não-tecidos ganham força

O negócio está de novo a mexer nos mercados internacionais para a indústria dos não-tecidos, com países como a Índia a destacarem-se em áreas como a sustentabilidade, revela a organização da feira Index, que na próxima edição contará com dois expositores portugueses.

[©Phoenix Fabrikations]

A feira consagrada aos não-tecidos, que terá lugar em Genebra, na Suíça, de 18 a 21 de abril, antecipa a presença de cerca de 600 expositores, incluindo as portuguesas Trim NW e Colquímica.

A organização da Index regozija-se, em especial, com o regresso dos expositores asiáticos, ausentes em 2021 devido à pandemia. «Depois da agitação dos últimos anos, a Palexpo está contente por receber nada menos que 74 novas empresas da China, representando todos os sectores da cadeia de aprovisionamento», indica em comunicado.

Citando a presidente da Associação de Têxteis Industriais e Não-Tecidos da China, Li Guimei, a organização refere que a produção de não-tecidos na China subiu para 8,8 milhões de toneladas em 2020, face às 6,2 milhões de toneladas em 2019, representando um crescimento anual de 36%. Em 2021, contudo, a produção caiu 10,1%, para 7,9 milhões de toneladas e os números de 2022 deverão mostrar uma nova queda.

[©Index]
Os não-tecidos spunmelt representaram 50,6% do total da produção chinesa de não-tecidos em 2021, com destaque ainda para os não-tecidos de poliéster spunbonded, com um peso de cerca de 600 mil toneladas. O não-tecido spunlace foi o que teve mais rápido crescimento, tendo totalizado cerca de 1,6 milhões de toneladas, ou 17,7% do total, em 2021. Já os não-tecidos agulhados representaram 18,4% do total, com 1,45 milhões de toneladas.

Em resposta ao covid-19, mais de 2.000 novas linhas de produção ou conversão para máscaras e EPIs foram anunciadas na China, mas muitas não iniciaram a produção ou foram retiradas posteriormente devido à queda da procura mundial, revela a organização da Index.

Inovação em força na Índia

A Index atribui prémios de inovação e na próxima edição há uma empresa em destaque: a indiana Sparkle está nomeada em três categorias. Com uma fábrica em Gujurat com capacidade para produzir mais de um milhão de pensos higiénicos por dia, a empresa criou um sistema sustentável e em parte completamente fechado para os seus produtos com recurso a parceiros locais.

Os pensos higiénicos Sparkle são fabricados com matérias-primas renováveis e estão desenhados para se biodegradarem em condições quentes e húmidas. Todo o produto, dos núcleos absorventes à embalagem externa, tem como base fibras celulósicas.

[©Index]
Outra inovação da Sparkle é a utilização de bagaço de cana-de-açúcar no núcleo absorvente dos seus SugaFluff. O bagaço da cana-de-açúcar é um dos resíduos agrícolas lignocelulósicos mais abundantes do mundo e, só na Índia, são produzidas anualmente mais de 100 milhões de toneladas. Ao contrário da plantação de árvores de fibra longa ou dura, não é necessário solo extra para cultivar esta fibra, que é um subproduto amplamente disponível da indústria do açúcar.

Já no fim de vida do produto, a Sparkle está a testar o projeto GreenCycle para a compostagem a larga escala de produtos higiénicos absorventes. As consumidoras que aderirem ao programa recebem sacos compostáveis à prova de fugas e odores para os seus produtos usados, com um parceiro de gestão de resíduos a efetuar recolhas domiciliárias mensalmente.

«Muitas das nossas clientes querem fazer a sua parte para proteger o nosso planeta, compostando os produtos de menstruação usados», afirma o cofundador da Sparkle, Hetal Virani. «Mas para quem mora no 20.º andar de um prédio em área urbana sem acesso a um quintal para compostagem, isso é difícil. Com o programa GreenCycle, pretendemos tornar mais fácil para as nossas clientes viverem uma vida sustentável, oferecendo-lhes um serviço para recolher os seus produtos usados todos os meses e transformá-los em compostagem», explica.

Samir Gupta, diretor da Business Coordination House, considera que «as indústrias de não-tecidos e de produtos higiénicos absorventes da Índia estão a viver um grande momento. Há novos players a entrar no mercado e os existentes estão em modo de expansão. A oferta de matérias-primas está gradualmente a tornar-se local e a substituição de importações está a aumentar. À medida que a Índia se prepara para a próxima revolução da higiene, o país está a testemunhar novas tendências de mercado juntamente com uma mudança na dinâmica de produção. Uma consciencialização do utilizador nunca antes vista está a tornar o negócio muito empolgante».

[©Sparkle]