Nacionalismo na “Moda”

Podem chamar-lhe a moda nacionalista. Os compradores que habitualmente marcam presença nos grandes desfiles de moda começam a preferir a aquisição de artigos com motivos nacionalistas e de criadores do país de origem das lojas que representam. Os compradores britânicos, por exemplo, têm olhado com especial cuidado para os criadores do seu país que apresentam artigos decorados com motivos como a Union Jack (bandeira britânica) ou motivos característicos das terras de Sua Majestade. Entre os criadores que aderiram a esta moda, encontram-se nomes sonantes como Vivienne Westwood ou Paul Smith. Vários compradores que estiveram presentes nos desfiles de Paris chamam a atenção para esta nova moda. Considerada por muitos como uma tendência sobretudo britânica, certo é que parece uma tendência com algum fundamento. Paul Smith, mais britânico, e Westwood, mais escocesa, viram os seus concidadãos a aplaudir e a comprar em força as suas colecções em detrimento de criadores de outras paragens. Desde os trabalhadores que reclamam contra os estrangeiros que ficaram com os seus postos de trabalho até aos governos que subsidiam indústrias locais com problemas, os executivos do mundo da moda apontam para uma onda generalizada de protestos e de políticas nacionalistas desde que a economia mundial começou a cair. O Banco Mundial informou num relatório publicado este mês que, desde a última reunião do G20, no dia 17 de Novembro de 2008, foram tomadas medidas cujos efeitos são a redução do comércio mundial com impactos mais profundos nos países fora desse grupo. A tendência de proteccionismo está a consolidar-se mesmo antes dos efeitos totais da recessão se fazerem sentir», assinala o documento. A moda do nacionalismo, que fez com que muitos criadores apresentassem motivos patrióticos nas suas colecções, sugere também que esta tendência está, de certa forma, a infiltrar-se também na classe média e nos consumidores que têm poder económico para adquirir artigos de marca. Comprar o que é nosso A tendência para comprar artigos do próprio país está a crescer, a par da globalização e do proteccionismo. Uma tendência que parece estar a chegar em força também ao mundo da moda. Curiosamente, o Reino Unido, cujo ex-primeiro ministro Tony Blair era um dos principais defensores da globalização, é um dos países onde este sentimento está a aparecer de forma mais forte. Do outro lado do Canal da Mancha, em França, apesar dos franceses terem apoiado o auxílio estatal ao sector automóvel, quer os criadores, quer os compradores dizem que não procuram apenas marcas de moda francesas. Os EUA, onde estalou no mês passado a polémica do programa “Compre americano”, os motivos nacionalistas sempre foram muito populares. Vestuário e acessórios com a fotografia do Presidente Obama apresentam vendas consideráveis. Mas os amantes da moda, em Nova Iorque, vêm na utilização de símbolos nacionais, como as bandeiras, uma expressão política conotada com a esquerda. Em Portugal, apesar da campanha “Compre o que é Nosso”, curiosamente só com o impulso de um brasileiro, Scolari, é que os consumidores portugueses compraram em massa artigos nacionalistas.