Num protesto recente, que teve lugar nos Prémios de Moda, organizados pelo Conselho de Designers de Moda da América (CFDA), no Lincoln Center em Nova Iorque, a RAN acusou a marca Ralph Lauren de conceber as suas roupas «às custas da destruição florestal, abuso dos direitos humanos e poluição climática». A campanha identifica a Ralph Lauren, assim como outras 14 marcas de vestuário, incluindo Prada, LVMH, Michael Kors, Tory Burch, Vince, Guess, Velvet, L Brands, Forever 21, Under Armour, Footlocker, Abercrombie & Fitch, GAIAM e Beyond Yoga. A RAN pretende que as 15 empresas de moda «assumam responsabilidades pelas suas cadeias de aprovisionamento, identifiquem e eliminem as más práticas e desenvolvam compromissos fortes e duradouros para proteger as florestas e os direitos humanos».
Destacando a Ralph Lauren, a campanha apela à adoção de políticas que obriguem a empresa de moda a utilizar apenas tecidos ecologicamente responsáveis na sua oferta. «Todos os anos, milhões de árvores são convertidas em vestuário através do uso de fibras como a viscose», afirmou Brihannala Morgan, ativista florestal sénior da RAN. «Este escândalo tem sido escondido à vista de todos por muito tempo, mas não mais. Chegou o momento da indústria da moda, e em particular da Ralph Lauren, assumir a responsabilidade pelos seus impactos sobre as pessoas e o planeta, adotando publicamente políticas vinculativas que impeçam o desflorestamento, violações dos direitos humanos e poluição climática de serem incorporados nos tecidos que os americanos usam todos os dias», alertou.
Morgan adiantou que algumas marcas estão já a tomar medidas relativamente a esta questão, como a H&M e a Stella McCartney, mas a Ralph Lauren não tomou ainda qualquer ação. «Não existe desculpa. Como uma das maiores marcas de moda do mundo, a Ralph Lauren tem a capacidade e recursos para assegurar que os abusos de direitos humanos e a destruição das florestas não serão parte da sua próxima coleção», advoga. A RAN acrescentou que a recente expansão global de mega plantações para a produção de celulose a usar em tecidos foi «devastadora» para as comunidades indígenas e dependentes das florestas, acompanhada de uma apropriação ilegal de terrenos «galopante».
A título de exemplo, a RAN revelou que, na área detida pela produtora de celulose indonésia Toba Pulp Lestari, no norte da Sumatra, foram documentados mais de 20 casos de apropriação indevida, nos quais a propriedade comunitária foi «violentamente apreendida» sem o consentimento da comunidade e direcionada para a produção de celulose para tecidos. «Estas comunidades têm protestado contra a perda das suas terras, meios de subsistência e recursos e mantido uma campanha com décadas de duração contra a Toba Pulp Lestari, que é propriedade do magnata indonésio Sukanto Tanoto», explicou a RAN. «Tanoto é, também, proprietário de uma das empresas familiares mais controversas da Indonésia, o grupo Royal Golden Eagle (RGE). Entre muitos outros, o RGE detém as produtoras de celulose Sateri e April, talvez a mais reconhecida destruidora de floresta da Indonésia».










