Mutações são o tema da primavera-verão 2025

As atuais convulsões ambientais, sociais, científicas e tecnológicas estão a levar a indústria da moda a reavaliar os seus processos criativos e industriais e a transformar-se. Mutação é, por isso, a palavra-chave da estação.

A transição sustentável está no centro dos diálogos entre designers, produtores e equipas de marketing e a mudança é, por isso, um passo inevitável na evolução para modelos sustentáveis, impulsionados por um desejo de preservação, destaca a Première Vision. O conceito de Mutação, o tema transversal à primavera-verão 2025, é abrangente e significativo, com impacto tanto na estética como nos processos, e convida a explorar diferentes direções. Estão a surgir novas abordagens para colmatar a lacuna entre o significado e a criatividade, para reunir todas as partes da cadeia – dos designers aos clientes – em torno de uma única pedra angular: o ambiente. Os produtos estão a passar por uma metamorfose completa, integrando uma gama cada vez maior de critérios que combinam estética, atratividade, conforto, funcionalidade e durabilidade.

A Regeneração reflete o foco da estação em tudo o que há de extraordinário na natureza e procura o fascínio e a admiração nas formas menos conhecidas do reino animal. Esta mudança de perspetiva dá origem a uma abordagem mais colaborativa com o mundo dos seres vivos, procurando a sua proteção a longo prazo. Hoje, a escolha de um material – dependendo do recurso natural e do processo de produção usado – pode ajudar a regenerar os ecossistemas.

[©Première Vision]
Transformação explora a metamorfose como catalisador para a criação de coleções com propostas estéticas radicalmente novas, implicando uma alteração profunda e completa dos materiais, cores, aparência e comportamentos. O momento exato da transformação é capturado – um estado intermédio que dá origem a um universo mutante e híbrido.

A Adaptação leva a um novo equilíbrio, um minimalismo pragmático que se enquadra numa era de pós-crescimento. A adaptação reflete uma evolução da conceção do produto, onde os materiais e o know-how se adaptam à utilização e pendem para a longevidade e a durabilidade.

Através do prisma da transformação, a primavera-verão 2025 posiciona-se como um ponto de viragem, celebrando a experimentação, a exploração, medidas e projetos que tomam forma ao longo do tempo, abraçam o longo prazo e transcendem a natureza sazonal da moda. A estação convida-nos a encarar a mutação como um elemento definidor e impulso criativo nas coleções. Nesta primavera-verão 2025, as crisálidas simbolizam uma metamorfose frutífera, para devolver o sentido e preservar a criação, em harmonia com todos os seres vivos.

Opalescência Versátil [©Première Vision]
Nesta estação, as superfícies dos têxteis parecem metamorfosear-se, brincando com variações construtivas e texturas mutantes: ligeiras bolhas opacas ou translúcidas relevos foscos ou brilhantes. As malhas apresentam-se com padrões canelados aleatórios, favos de mel e padrões alveolares deformados, em segundas peles extrafinas ou macias bi-elásticas. Os tecidos técnicos e de proteção combinam transparência e resistência. Nos estampados, os padrões são inspirados em mutações inspiradas no mundo natural, com designs figurativos marcados por uma ambiguidade perturbadora. As propostas chegam ao ponto de evocar metamorfoses fictícias entre fauna e flora, novos híbridos animais e padrões monocromáticos acompanhados de acabamentos iridescentes.

As transparências são modeladas como o invólucro das crisálidas, para sedas evanescentes estruturadas com tramas visíveis, musselinas enriquecidas com efeitos seersucker, organdis e organzas e malhas translúcidas. Os detalhes dos acessórios, como laços, fitas ou enfeites, inspiram-se igualmente neste universo impregnado de estranheza. Os casulos inspiram ainda aparências pegajosas, matificadas ou com brilho cintilante transmitindo um efeito molhado.

Tons Claros [©Première Vision]
A cor emblemática da estação é um amarelo que evoluiu do Yellow Clay do outono-inverno 2024/2025 para a tonalidade Milky Yellow com uma luminosidade esbranquiçada. A luz inspira jogos de transparência e opacidade, desde filtros opalescentes que criam uma sensação de movimento até ao uso radical do branco essencial, efeitos branqueados e combinações de pastéis suaves.

Na paleta Opalescência Versátil, as superfícies opalescentes são imbuídas de uma preciosidade delicada. Intrigantes e enigmáticos, esses reflexos permeiam todas as categorias de produtos. Habitualmente restringida a casa, em sedas e rendas, a opalescência também se aventura nos looks do dia a dia, aparecendo em fatos e malhas, tecidos de algodão para casualwear e sportswear, sem esquecer os couros iridescentes e as peles revestidas com micro lantejoulas.

Branco Minimal [©Première Vision]
Em Tons Claros, a luz é usada como ingrediente, clareando tons para combinações pastéis etéreas. Harmonias leitosas e superexpostas temperam as coleções, orientando processos que envolvem técnicas de tingimento ecologicamente responsáveis, como ​corantes vegetais de intensidade moderada. Esta paleta pode ser usada para delicados blocos de cor com estruturas entrançadas em interpretações para tweed ou vestuário de trabalho.

A paleta Branco Minimal leva o branco e a luz ao extremo. Tal como a visão turva pelo deslumbramento, aqui as harmonias combinam brancos com pastéis e neutros brilhantes. O resultado é um minimalismo suavizado em que associações cromáticas com a mesma intensidade são contrabalançadas por texturas (rústicas, luxuosas, recortadas, ásperas) ou intensidades de brilho. Estas harmonias também estão disponíveis em estampados abstratos ou figurativos, como florais, camuflados ou dégradés.