Mudanças balneares

O Verão de 2007 ficou marcado pelo tempo instável e relativamente fresco em praticamente toda a Europa. E em França não foi excepção: chuva, temperaturas baixas para a época e vento fustigaram o território gaulês durante a estação quente. Mas, mesmo assim, as mulheres que gostam de moda renovaram o seu vestuário de praia, o que permitiu ao sector da roupa balnear «limitar os danos». Deste modo, de acordo com os dados revelados pelo Institut Français de la Mode (IFM) para os oito primeiros meses de 2007, só o fato de banho feminino sobressaiu, com uma progressão nas vendas de 2% em volume, enquanto que o conjunto homem, mulher e criança sofreu uma queda de 16%. «Tanto a criança como o homem são mais sensíveis à meteorologia que a mulher. Quando não está bom tempo, estes mantêm o fato de banho do ano anterior. As mulheres, renovam na mesma», realça Hélène Fournier, do IFM. Porque o fato de banho é uma das peças de vestuário mais sensíveis às condições meteorológicas. Em 2006, o início da estação foi marcado por mau tempo e, por isso, más vendas, que se saldaram numa quebra de 7% em termos de volume durante os oito primeiros meses. No Verão de 2007, sucedeu o contrário. Após um bom início de vendas inesperado, sobreveio um enfraquecimento em Junho, com o início do mau tempo. «Os meses de Março e Abril foram excepcionais, com um aumento, por exemplo, de 35% do volume de negócios na Printemps Haussmann, mas balançou no final de Maio», constata Chantal Pichon, responsável pelas compras de banho da empresa. Resultado, as lojas Printemps registaram uma quebra de cerca de 4% nas vendas de fatos de banho em 2007, com excepção da Haussmann, que aumentou 6% graças a um início de época muito activo. Vendas precoces Apesar de tudo, a moral dos profissionais manteve-se elevada. Em diversas lojas e marcas, as vendas dinâmicas realizadas antes da chegada do mau tempo permitiram manter o volume de negócios global em relação ao Verão de 2006. Isso explica-se pelo facto de cada vez mais lojas apresentarem as colecções de fatos de banho mais cedo. Na Cupidon, em Lyon, as melhores vendas fizeram-se de Janeiro a Abril. «Não se trata forçosamente de consumidoras de luxo e “de cruzeiros”. Actualmente, graças às oportunidades de viagens a preços baixos que se podem encontrar na Internet, cada vez mais mulheres permitem-se a uns dias de sol no Inverno», explica Carine Cilia, responsável da loja de Lyon, que já está a receber os primeiros fatos de banho para o Verão 2008. Também a Séduction, em Lille, revela ter feito uma óptima época. «As nossas melhores vendas foram feitas antes de Julho. Por isso, este ano, decidimos pôr a roupa de banho nas montras logo a partir de 2 de Janeiro», explica Ghislaine Janas, responsável da loja. A mesma constatação para as lojas Décathlon, que, entre Abril e Maio, registaram aumentos na ordem dos 30 a 40% de acordo com as vendas de fatos de banho femininos. No que se refere aos fatos de banho mais procurados, as escolhas das consumidoras repartem-se por dois grupos: a roupa de banho antes da estação e a roupa de banho para o Verão. Antes da Páscoa, as mulheres privilegiam os produtos mais sofisticados, de uma só peça. No Verão, muda-se de tipo: «a partir de Maio, as mulheres passam à compra dos biquinis. Fizeram as dietas sugeridas pelas revistas!», refere Chantal Pichon. Contudo, no Verão de 2007, o fato de banho resistiu, continuando a ser pedido ao longo de toda a estação. «Face à procura dos meus clientes, constatei que tinha falta de propostas de fatos de banho», observa também Carine Cilia. «Por isso, para o Verão de 2008, já encomendei mais e, entre eles, os triquinis, que estão cada vez mais na moda». O IFM nota, neste capítulo, um aumento de 8% nas vendas de fatos de banho durante os oito primeiros meses de 2007, enquanto que os biquinis sofreram uma baixa de 2%. «Mas o fato de banho desceu bastante daí para a frente», revela Hélène Fourneau. Fim aos complexos O biquini mantém-se, contudo, como o modelo mais procurado. E beneficia, de acordo com os profissionais do sector, de procura suplementar vinda da parte de mulheres «mais cheiinhas». Jean Stoltz, agente da Adolf Riedl, que distribui em França as marcas Opéra, Sun Flair e Sun Marine, constatou o aumento das encomendas para os biquinis de números maiores. «Há três ou quatro anos, as nossa encomendas de biquinis paravam no 40. Agora, há procura do 44 ou mesmo do 46. As mulheres descomplexaram-se e sente-se a influência do aumento das piscinas privadas», explica. No meio destas ofertas, o beachwear apresenta-se como cada vez mais incontornável. Entre as peças mais vendidas encontram-se as túnicas e os calções longboard, uma espécie de bermudas de praia, característicos dos surfistas. Do lado das tinturarias e estamparias, o Verão de 2007 foi muito sóbrio.«Há uma atracção menos forte pelos all-overs. Os nossos clientes procuram motivos simples, formas geométricas», refere Delphine Bailo, da Décathlon. Na Printemps ou na loja multimarca Eve Boutique, o espírito minimalista de criadores como Armani, Calvin Klein, Stella McCartney, Etro ou ainda Galliano foram os predilectos das consumidoras. «O mau tempo é responsável por estas alterações. Os artigos que se venderam melhor eram mais nobres, com menos estampados aparatosos. As mulheres preferiram artigos para combinar com acessórios, os brincos por exemplo», observa também Marc Friedmann, director de grandes contas na Marcel Bauer. As cores preferidas foram os inevitáveis preto e castanho, mas também os beges, os laranjas e o cinzento claro, assim como, um pouco mais tarde na estação, o branco, o turquesa e o «azul Erès». Algumas marcas especialistas em estampados como a Kiwi, a Pain de Sucre ou a Banana Moon, seduziram as mulheres com propostas florais e coloridas. O que se passou no Verão de 2007 terá inevitavelmente consequências em 2008. As encomendas realizadas depois de Julho registaram assim uma baixa ao nível das quantidades. Na grande distribuição, as centrais, nomeadamente das lojas situadas no oeste da França, têm tendência a baixar ligeiramente as ordens de encomenda, de acordo com Marc Friedmann. Uma tendência que se deverá confirmar na altura dos reaprovisionamentos.