M&S revoluciona sourcing

A maior retalhista britânica de vestuário, a Marks & Spencer, está a registar um afastamento da sua base de fornecedores de vestuário do Extremo Oriente, já que procura ser mais rápida a chegar ao mercado após ter enfrentado uma série de problemas de reposição no início do ano. A empresa está a aumentar a quantidade de vestuário que aprovisiona na Índia, Bangladesh e Sri Lanka para ajudar a mitigar os salários e custos de produção mais elevados na China e a melhorar os tempos de resposta. Segundo o diretor-financeiro da empresa, Alan Stewart, a mudança deve-se a uma «mistura entre prazos de entrega, custo de produção e facilidade em conseguir a saída de produto de certos países». Contudo, Stewart enfatizou que a M&S gosta de trabalhar em «parceria» com os fornecedores e construir relações que durem mais do que uma estação. «É um diálogo constante, eles enfrentam pressões, nós enfrentamos pressões e chegamos à resposta certa», explicou. A retalhista tem visto o volume de produtos aprovisionado no Extremo Oriente, que inclui a China, cair para 44% do vestuário no primeiro semestre deste ano, em comparação com os 51% em igual período do ano passado. O sudeste asiático, que inclui o Bangladesh, Sri Lanka e Índia, foi beneficiado com a mudança, tendo aumentado para 44% dos produtos, em comparação com os 37% do ano passado. O recentemente nomeado diretor de produtos generalistas John Dixon revelou que passou o primeiro mês no cargo a falar com os clientes para melhor entender as suas necessidades. Um dos seus projetos será analisar a base de aprovisionamento, com uma «revisão completa do início ao fim». Explicou ainda que a rapidez para o mercado será um dos principais elementos dessa revisão – incluindo ver formas mais rápidas de colocar o produto em loja assim que chega ao Reino Unido. Em abril, a empresa admitiu que falhou em comprar quantidades suficientes para a sua oferta best-seller, levando a um declínio das vendas no quarto trimestre do ano passado e do primeiro trimestre deste ano. Estes problemas foram exacerbados pelos longos prazos de entrega associados à compra de vestuário em malha e de outerwear no Extremo Oriente. Em resposta, o diretor-executivo Marc Bolland reevlou que a empresa comprou cinco vezes mais das suas linhas mais publicitadas do que no ano passado. Bolland acrescentou ainda que isso ajudou a multiplicar por três as vendas desses produtos nas primeiras quatro semanas após o lançamento e significou que as linhas ainda estavam disponíveis após esse período. Muita da discussão sobre a sorte da retalhista nos últimos trimestres tem sido como reduzir o tempo que os produtos demoram a chegar ao mercado e em torná-la mais trendy, mas Bolland foi perentório a dizer que isso não significa que a M&S se está a tornar numa retalhista “fast fashion”. «O que a Zara faz é fast fashion a tentar imitar o que se passa na passerelle a um nível de qualidade que é diferente do nosso. O que temos é completamente diferente. Gostamos de estar na tendência, com uma qualidade muito boa. É uma posição diferente. Temo-nos apoiado o suficiente nas tendências no passado? Provavelmente não», sublinhou. «Certamente que estamos a ver as tendências, mas certamente que não nos vamos tornar num negócio de tendências, não nos vamos esquecer da consumidora-alvo», acrescentou. A M&S revelou uma quebra de 9,7% no lucro bruto do primeiro semestre, para 289,5 milhões de libras (cerca de 362 milhões de euros). Nas 26 semanas terminadas a 29 de setembro, as vendas do grupo aumentaram 0,9%, para 4,7 mil milhões de libras. As vendas de produtos generalistas caíram 5,1% no semestre, atingidas por questões ligadas ao merchandising no primeiro trimestre. As vendas de produtos generalistas no segundo trimestre aumentaram 0,1%. Bolland também revelou as suas prioridades para a nova equipa de produtos generalistas, que ficou completa com a nomeação no início do mês de Frances Russell como diretor de vestuário de senhora e de Janie Schaffer como diretora de lingerie e produtos de beleza. Segundo o diretor-executivo, a retalhista vai focar os seus esforços no vestuário no estilo, tendências e qualidade, bom valor, escolha real e no desenvolvimento da experiência de compras na loja e on-line ao alinhar melhor as compras com os produtos em loja. Os resultados desta nova equipa só poderão ser medidos para o ano, já que a primeira coleção pensada por estes profissionais só chegará às lojas em julho de 2013.