Em prolongamento dos muros do Kremlim, na conhecida Praça Vermelha, eis que surge um edifício onde se junta um aglomerado de pessoas. Não se trata de mais uma instituição do Governo Russo, mas sim de uma loja "Very British", a do estilista Paul Smith. Mais à frente surgem a Burberry e a Pionner Gragneyl. «Estou aqui desde a abertura da loja em Novembro e existem cada vez mais clientes», revela Nikita, uma das elegantes vendedoras da loja de Paul Smith, enquanto arruma os fatos de 2.000 euros e dobra as gravatas vendidas a 150 euros. Segundo Macha, uma vendedora da loja Top Shop, a maior parte dos clientes entra na loja porque sabe que é Inglesa e que os artigos lá expostos são concebidos no Reino Unido. A maior parte dos compradores da Top Shop vasculha as prateleiras a fim de encontrar vestuário semelhante ao que traze vestido: jeans justos e t- shirts, bem ao estilo londrino.Os Bentley e Rolls-Royce começaram a "decorar" a frente de muitos restaurantes e lojas.De acordo com a revista russa "Holigan", que publicou recentemente uma edição especial dedicada à moda inglesa, «esta tendência britânica acolhida pelos moscovitas transformou-se numa epidemia que afecta todas as camadas da sociedade russa».«Quando cá cheguei, há três anos atrás, todos os jovens apresentavam um ar de terem saiu de um vídeo de P. Diddy», explica Julian Evans, 29 anos, jornalista londrino, em referência à super-estrela do hip hop, conhecido anteriormente como Puff Daddy. «Agora têm todos um ar de quem saiu de um vídeo Britpop: por toda a parte onde vou, vejo tipos com um ar efeminado, vestidos com uns jeans e um cardigan», acrescenta. Para maioria dos jovens moscovitas, o gosto pela música britânica é acompanhado pela admiração da moda. «Cantamos em inglês porque é a música com a qual crescemos, desde os Beatles aos Oásis», sustenta Nochrevan Tavkhelidze, um músico moscovita que dirige um bar frequentado, durante o fim de semana, por dezenas de jovens russos que procuram espaços para dançar ao som do rock britânico. «Gostamos da música inglesa, adoramos a cultura inglesa e não estamos interessados em saber o que pensam ou fazem os diplomatas», declara Tavkhelidze.Esta loucura não é nova. Desde as primeiras páginas do romance culto do grande poeta russo Alexandre Pouchkine, Eugène Onéguine, o jovem herói, lança-se na alta sociedade de 1825 «vestido como um dandy de Londres».










