MODTÍSSIMO com balanço positivo

O MODTÍSSIMO, salão realizado na Exponor nos dias 8 e 9 de Março, encerrou com um balanço global positivo. Com um visual totalmente renovado, esta 19ª edição do MODTÍSSIMO decorreu da melhor forma possível, tendo em conta o aumento do número de visitantes que registou, nomeadamente estrangeiros, apresentando um aumento em relação à edição transacta, esta muito afectada devido à conjuntura da época derivada do 11 de Setembro. Em relação à última edição de Março 2001, a diferença foi ainda maior. Esta edição do certame acolheu um total de cerca de 2.900 visitantes, dos quais 314 foram estrangeiros, oriundos na sua maioria da vizinha Espanha. Em relação aos expositores, registou-se a presença de um total de 123 empresas, das quais 90 em representação de colecções de tecidos e acessórios têxteis, e 33 confeccionadores. A parceria conjunta do ICEP, APT, APIM – e a partir desta edição a adesão da ANIL – continua assim a dar frutos no desenvolvimento e fortalecimento do único salão nacional dedicado à fileira têxtil. Ao nível dos expositores, empresas de renome como a Sonix, Custoitex, Lousafil, Malhas do Ameal, Marco Vilhena, Malhacila, Têxtil António Falcão, entre muitas outras, continuaram nesta edição fiéis ao Clube dos Confeccionadores, tendo-se juntado pela primeira vez a este clube empresas como a Siena, Gianfranco, Porteuropa e Grupo Texmin. Também novos fabricantes nacionais de tecidos e acessórios têxteis como a Romatex, Calmon e Ferreira, e outras representadas como Charles La Pierre, Omegatex, Eschke, Shiera, Lemar, Biesse, Hellenic Fabrics, Dansil não quiseram deixar de participar neste salão. O Fórum Têxteis do Futuro foi uma iniciativa de sucesso, bem como o desfile “High Tech” que acolheu uma enorme plateia. No primeiro, Manuel Serrão destacou a importância das novas tecnologias aliadas ao têxtil e vestuário, assim como a qualidade dos projectos que o Citeve apresenta neste contexto. Bráz Costa, director geral deste organismo, salientou a necessidade de divulgar as novas tecnologias no têxtil, com o enfoque nas empresas. «É importante trazer aos olhos de quem está no negócio têxtil as tecnologias do futuro, um futuro que é já», sublinhou. Isa Hofmann, porta-voz da Avantex, sublinhou o interesse que encontrou no nosso país sobre os mais recentes lançamentos das novas tecnologias aliadas ao vestuário, assim como espera que o nosso país se junte aos envolvidos neste contexto. O modelo de aproximação do produtor ao consumidor final vai ser apresentado na próxima edição da Avantex, onde as peças aí apresentadas vão ser distribuídas posteriormente nas lojas da cadeia Karstadt, um modelo que crê que poderia ser instalado em Portugal. Destaquem-se os modelos divulgados por Hofmann e apresentados na feira, designadamente um fato aparentemente «casual» para a BMW e os motards interessados, com a particularidade de ser altamente protector em caso de acidente- uma produção da Schoeller, assim como algumas importantes peças da Reima como o casaco «Siberia», preparado para proteger o homem do mais hostil dos climas. Esta parceria com o CITEVE será complementada, na próxima edição, com a presença de stands de fabricantes nacionais que têm vindo a apostar no desenvolvimento de têxteis técnicos e funcionais. Nesta edição, os habituais desfiles contaram mais uma vez com o concurso Jovens Estilistas provenientes das melhores escolas de moda do Porto e região Norte. Integraram o júri os estilistas Paulo Cravo e Nuno Baltazar, a jornalista espanhola Olga Fernandez, o estilista português sediado em Londres, Luís da Gama e, mais uma vez, o industrial Marco Vilhena. Apontando a «criatividade e sentido de improviso dos alunos em elaborarem o coordenado em função do tecido recebido», o júri anunciou 3 vencedores: em primeiro lugar, Ana Baeta, do CITEX, em segundo lugar, Maria Manuel da Escola Profissional Árvore e, em terceiro lugar, Andreia Azevedo do CENATEX. Os diversos Fóruns foram, também, uma mais valia para visitantes, expositores e jovens criadores. Os Fóruns dos Tecidos e de Confecção, organizados pela professora e consultora de moda Helena de Matos confirmaram, devido ao grande número de pessoas que os visitaram, que este espaço é sempre uma boa oportunidade para se conhecer de uma forma generalizada as colecções presentes neste Salão. O Fórum dos Novos Talentos, da responsabilidade do designer Mauro Santos, foi muito elogiado e, mais uma vez, houve até alguns jovens criadores que acabaram esta edição do MODTÍSSIMO com perspectivas de trabalho e parcerias com alguns dos fabricantes presentes no Salão. No que diz respeito às empresas nacionais presentes na feira, o Portugal Têxtil falou com seis delas, no sentido de obter uma opinião sobre o desempenho do salão. Assim, Sérgio Penetra, da Arcotêxteis, referiu que a mudança das datas do salão para dias de semana foi negativa, uma vez que a sexta-feira foi um dia positivo, mas já o sábado foi bastante fraco. Também em termos da presença de compradores e visitantes estrangeiros foi um salão fraco, apesar da visita de eslovenos e chineses (mercados com pouco interesse para esta empresa), mas com a presença de poucos espanhóis e italianos. Como aspectos positivos, falou da nova decoração do salão. Outro destaque vai para a presença de muitos confeccionadores e para a diminuição dos fabricantes de tecidos nacionais, o que revela algum desinteresse no salão. Já Manuel Machado, d’A Fiandeira, defende que este é um salão que se tenta afirmar a nível internacional, sendo de registar também uma procura crescente pelos produtos de confecção nacionais. A presença desta empresa é mais institucional do que comercial, dada a pouca presença de compradores estrangeiros. Neste salão, a empresa aproveita para fazer a ponte com os seus clientes mais pequenos, transmitindo-lhes as tendências recolhidas nos grandes salões internacionais em que participa. Marco Gonçalves, da Somelos Aktivewear, apontou a baixa qualidade dos visitantes presentes (muitos curiosos e poucos profissionais) e considera que a feira só terá a ganhar com a mudança das datas para dias de semana. No entanto, considera que foi uma presença positiva, dado que puderam contactar alguns dos seus clientes mais distantes de uma forma personalizada e directa. Outra das empresas presentes foi a Riopele, tendo Francisca Dória elogiado a mudança da decoração e do aspecto visual desta feira, que apesar de ter registado menos visitantes (dado que os clientes nacionais preferem visitar as grandes feiras internacionais onde têm mais escolhas e variedade) foi um salão positivo. Neste sentido, a presença da Riopele, que participa nas principais feiras têxteis como a European Preview, a Moda In e a Première Vision, na MODTÍSSIMO acaba por ser mais institucional do que comercial. Sílvia Azevedo, da Luís Azevedo & Filhos, também apontou como positiva a nova apresentação visual do salão, tendo notado no entanto menos interesse do que é habitual da parte das empresas compradoras que visitam o MODTÍSSIMO. Este menor interesse, a par da presença de menos clientes estrangeiros, fica-se a dever, segundo a responsável desta empresa, à promoção do salão por parte do ICEP e da organização em países com pouco ou nenhum interesse para os fabricantes nacionais, como a China ou a Europa de Leste, em contraponto a uma má divulgação em Portugal. A solução, segundo Sílvia Azevedo, poderia passar por consultas prévias aos expositores presentes, no que toca aos mercados mais interessantes, como a França, Inglaterra e Dinamarca, no sentido de aferir quais os países em que essa promoção do MODTÍSSIMO deveria ser mais forte. Por último, João Manuel Ferreira, do departamento comercial da Paulo Oliveira S.A., elogiou igualmente o melhor aspecto visual deste salão. No entanto, a