Apesar do crescimento demográfico registado no país, o setor do têxtil e calçado encerrou 2025 com menos 112 mil compradores do que no ano anterior, refletindo uma erosão progressiva do consumo e da fidelização dos consumidores, de acordo com os dados da Worldpanel by Numerator, divulgados pela Modaes.
No total, o mercado espanhol contabilizou 33,5 milhões de compradores de moda em 2025, numa altura em que a população residente com mais de 15 anos aumentou em 552 mil pessoas, atingindo os 40,3 milhões. Ainda assim, este reforço demográfico não foi suficiente para travar a contração do consumo no setor.
Além da quebra no número de compradores, os consumidores visitaram menos vezes os pontos de venda e adquiriram menos artigos. A frequência média de compra caiu 3,9%, para 15,2 atos de compra anuais por consumidor, enquanto o volume médio de artigos adquiridos por cliente recuou igualmente 3,9%, fixando-se em 34,4 peças por ano.
Segundo a análise da Worldpanel, o principal desafio para os operadores da moda em Espanha prende-se com a perda de fidelização do consumidor, num contexto marcado pela pressão sobre o poder de compra e pela redefinição das prioridades de consumo. O estudo sublinha que o crescimento populacional já não garante, por si só, maior procura para o setor.
Num mercado cada vez mais fragmentado e competitivo, apenas dois operadores conseguiram aumentar a sua base de compradores em 2025: Decathlon e Amazon. Ambas as empresas beneficiaram de modelos de negócio mais amplos do que a moda tradicional, capitalizando a procura por funcionalidade e conveniência.
Top 10 de retalhista
A Primark manteve-se como a cadeia de moda com maior número de compradores em Espanha, reforçando a liderança alcançada no ano anterior. A retalhista britânica somou 10,1 milhões de clientes, sustentada por uma estratégia centrada em preços acessíveis e grande volume de oferta, num contexto de maior sensibilidade ao preço.
A principal alteração no topo do ranking foi protagonizada pela Decathlon, que ascendeu à segunda posição ao atingir 8,8 milhões de compradores únicos, ultrapassando o El Corte Inglés, que caiu para terceiro lugar com oito milhões de clientes.
A Zara manteve a quarta posição, com 7,7 milhões de compradores, enquanto o Carrefour conservou o quinto lugar, com 6,8 milhões de consumidores, evidenciando o peso crescente da grande distribuição alimentar nas compras de básicos e têxteis-lar.
Já a Amazon subiu para a sexta posição com seis milhões de compradores em Espanha, ultrapassando a Shein, que caiu para sétima posição, com 5,5 milhões de clientes, após vários anos de forte crescimento.
No restante top 10 não houve alterações de posições. A Lefties ocupou o oitavo lugar, com 5,2 milhões de compradores, seguida da Springfield, da Tendam, com 4,6 milhões, e da Stradivarius, também do grupo Inditex, que encerrou a tabela com 4,1 milhões de clientes.
Os especialistas da Worldpanel consideram que o mercado em Espanha entra agora num novo ciclo, em que fatores como a otimização da rede de lojas, o equilíbrio com o comércio eletrónico, a sustentabilidade e os novos canais de comunicação serão determinantes para garantir competitividade e permanência no mercado.




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