Moda enfrenta travão no consumo

Um estudo da PwC revela as tendências de consumo para 2023, numa altura em que o mercado se debate com a crise do custo de vida e os consumidores fecham as carteiras. Neste cenário, a moda deverá ser um dos sectores mais afetados nos próximos seis meses.

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O estudo anual Global Consumer Insights Pulse Survey, da PwC, indica que a moda é uma das categorias que deverá sentir a redução do consumo no próximo meio ano, juntamente com o luxo e as viagens. O estudo, que abrange 9.180 consumidores em 25 territórios, destaca como os consumidores em todo o mundo estão a mudar os seus hábitos de consumo nas lojas físicas e online à medida que o custo de vida aumenta e as interrupções na cadeia de aprovisionamento afetam a disponibilidade e tempos de entrega dos produtos.

Cerca de 34% dos inquiridos estão a comprar em grande quantidade para poupar e 32% estão a comprar as marcas próprias dos retalhistas para tentar gastar menos. Ao mesmo tempo, os consumidores estão a planear reduzir a despesa em todas as categorias nos próximos seis meses, com 53% a afirmarem que vão diminuir as compras de produtos de luxo, premium ou de designer e 41% a anteciparem comprar menos artigos de moda, nomeadamente vestuário e calçado. Contudo, refere a PwC, mantém-se um apetite pelo consumo futuro, com 40% a indicarem que vão tentar mimar-se ou presentear outros, enquanto 39% apontam para uma melhor qualidade.

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Sabine Durand-Hayes, responsável global de mercados de consumo na PwC France, destaca «o impacto material» da crise do custo de vida no comportamento do consumidor, tanto em lojas físicas como online. «À medida que os preços sobem, os consumidores em todo o mundo estão a cortar em compras não essenciais, enquanto gastam mais tempo a procurar alternativas mais baratas. Embora todas as indústrias analisadas mostrem um declínio antecipado no consumo nos próximos seis meses, ainda assim estamos a ver os consumidores a continuarem a dar prioridade a produtos feitos de forma ética e sustentável», explica.

Como tal, acrescenta, «se os retalhistas quiserem prosperar neste ambiente macroeconómico difícil e manter o envolvimento dos consumidores, terão de aproveitar as oportunidades e diversificar os seus canais de distribuição, oferecer preços competitivos, investir numa maior resiliência da cadeia de aprovisionamento e compensar a crescente relutância dos consumidores em partilhar os seus dados online, monitorizando melhor a sua base de clientes e programas de fidelização».

Sustentabilidade e metaverso ganham peso

Entre os dados destaca-se ainda um aumento do interesse na sustentabilidade, aprovisionamento ético ou materiais reciclados entre os consumidores. Mais de três-quartos (78%) estão dispostos a pagar mais por um produto feito ou aprovisionado localmente, feito de materiais reciclados, sustentáveis ou amigos do ambiente (77%) ou produzidos por uma empresa com uma reputação de práticas éticas (75%).

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O estudo realça ainda a adoção do metaverso como um canal de compra. No entanto, este canal está ainda numa fase inicial.

«Enquanto plataforma imersiva digital, o metaverso representa uma oportunidade significativa para a transformação do negócio, sobretudo como forma de alargar a experiência de consumo antes e após uma compra e melhorar o envolvimento com uma geração mais nova, como os consumidores da Geração Z, que procuram experiências mais envolventes e ligadas à comunidade. Ao mesmo tempo, os consumidores estão cada vez mais cautelosos em relação à privacidade dos seus dados, por isso os retalhistas têm de assegurar que estão a refletir as atitudes dos consumidores nas suas experiências imersivas se quiserem ver crescimento no consumo online», resume Roberto Hernandez, responsável global do metaverso e diretor de inovação da PwC US. «Nos últimos seis meses, um em cada quatro consumidores disse ter usado o metaverso. Isso é um número incrível que indica que a tecnologia se está a tornar uma parte mais proeminente da experiência do consumidor. Embora os fatores macroeconómicos no mercado atual possam impactar os consumidores a curto prazo, o futuro continua muito promissor para a tecnologia», conclui.