Moda em Barcelona e Madrid

A sensação que fica após a realização das últimas edições da Pasarela Gaudí (em Barcelona) e Pasarela Cibeles (em Madrid) é que a capital catalã acolheu os estilistas que põem mais destaque na criatividade, em detrimento dos resultados comerciais das suas colecções. A ideia contrária sobressai do evento de moda de Madrid, embora nas duas cidades existam excepções. Esta impressão é ainda reforçada pelas campanhas de promoção levadas a cabo em cada uma das referidas cidades espanholas. Assim, enquanto em Barcelona se tenta englobar a moda numa oferta cultural alargada, como se tem vindo a fazer com o design e a arquitectura, a comunidade da moda de Madrid, debaixo do slogan “Madrid vive a moda”, coloca o ênfase nas feiras, não só de vestuário, mas também de joalharia, bijuteria e calçado, isto é, na faceta mais comercial da moda. A Pasarela Gaudí, em Barcelona, apostou assim em estilistas procuram reflectir a respectiva personalidade nas suas colecciones, embora o consigam com mais ou menos sucesso. A organização deste evento esforçou-se assim esta temporada para melhorar a qualidade das propostas apresentadas, apesar de com isso ter contribuído para uma alteração no funcionamento da agora denominada Semana Internacional da Moda de Barcelona. Este certame dedicou os seus três primeiros dias aos estilistas de maior prestígio e ambições mais inovadoras, reservando para os dias seguintes os jovens criadores e as empresas puramente industriais, representadas no Salão Gaudí Mulher. Além disso, e de forma paralela, decorreu o Circuit, um estimulante espaço de moda que reúne os criadores emergentes e os novos talentos da moda espanhola. Por seu lado, na Pasarela Cibeles, em Madrid, os especialistas estiveram muito mais atentos às propostas dos grandes nomes da moda internacional, entre os quais se contaram Gucci, Saint Laurent e Valentino, criadores habituados aos grandes desfiles em Paris, Milão e Nova Iorque.