Moda “sacode” a cama

As preferências em matéria de coberturas de cama têm-se alterado ao longo das últimas épocas. Os gostos dos consumidores estão em plena evolução. As suas compras orientam-se este ano para os modelos mais contemporâneos, com destaque para os materiais com efeitos e para o aspecto metalizado e brilhante, em detrimento das estampagens tradicionais, que começam a deixar de figurar no topo das preferências. Mas, no ano passado, eram ainda bastante numerosos os clientes que optaram pelos artigos clássicos num espírito de charme, romântico. Na 3 Suisses e na La Redoute, as inspirações étnicas foram igualmente bem acolhidos (ambientes «indianos» com materiais acetinados em tons vermelho-alaranjados, ambientes «América do Sul», com fronhas de riscas multicolores, ambientes «orientais», num estilo marroquino). Mais sóbrios e fáceis de combinar com uma linha de cama mais colorida, as capas de edredão com uma ou duas cores têm bons registos de venda. Do lado dos materiais, os produtores sublinham o sucesso dos modelos em veludo. Um sucesso também constatado por alguns distribuidores como a La Redoute e a Linvosges. Num espírito mais natural e chique, o linho continua a ter muitos adeptos. Por fim, as peles falsas, que voltaram às colecções há algumas estações, têm incontestavelmente sucesso. Vendem-se bem em todos os distribuidores que a propõem, qualquer que seja o perfil dos seus clientes. Vendas instáveis Apesar de tudo, o mercado das coberturas de cama está instável em França. Flutua de ano para ano, sem razão aparente. «É um pequeno mercado que regista variações, por vezes violentas, ligadas à moda», constata Hélène Fourneau, responsável pela área têxtil no Institut Français de la Mode (IFM). Em 2006, este sector sofreu a maior quebra desde 2005 (menos 11% em volume). Com 1,02 milhões de peças vendidas, as vendas estão praticamente estáveis. O seu preço médio de venda baixou ligeiramente (menos 3%). Os resultados anunciados pelos profissionais testemunham a volatilidade deste mercado. A Linvosges, especialista na venda à distância, que tradicionalmente é forte no sector, sofreu em 2006 uma diminuição nas suas vendas de artigos bordados em 15%. A La Maison de Valérie, que acabou o ano com uma ligeira subida neste mercado (mais 5%), notou contudo uma pequena quebra nas suas vendas no Outono. Mas, após o início deste ano, as vendas de colchas recuperaram bem, sobretudo no seu site da Internet. Fortes flutuações foram também registadas na Camif: as vendas de colchas desta especialista em vendas à distância aumentaram ligeiramente em 2006 (cerca de 5%), ainda que, após o lançamento do seu novo catálogo Outono-Inverno, tenham aumentado (mais 26%). Na 3 Suisses, na Becquet e na La Redoute, as capas de edredão funcionaram bem, globalmente, ao longo de todo o ano de 2006. A La Redoute atribui as suas boas vendas à forte baixa dos preços que levou a cabo neste tipo de artigos. Desde o início deste ano, o site da Internet Grandes-Marques.fr constata uma pequena baixa das vendas. «Os bordados clássicos não estiveram tão bem, devido ao afluxo massivo de bordados chineses de baixa gama a preços reduzidos», estima Didier Lacau, director do site. Para as lojas de mobiliário e decoração, as coberturas de cama não são consideradas um sector dinâmico. As vendas são qualificadas como «normais» no Ikea, enquanto que no Fly, as vendas de bordados foram reduzidas. A Alinéa, cujas vendas de cobertas de cama mantiveram-se estáveis no ano passado (tem maioritariamente artigos de preços mais altos), evoca uma «queda livre» nas vendas desde Agosto. «É uma reviravolta que está a acontecer. Sente-se que um espírito contemporâneo se instala nesta família de produtos, em detrimento do espírito de charme, que foram os bons tempos dos bordados», comenta Caroline Turckx, chefe de produtos têxteis. A marca de desconto Bazar Land afirma que as suas vendas de cobertas «estiveram muito bem» e verifica também uma transferência das compras para os produtos mais contemporâneos como os bordados em duas cores sobrepostos nas cores da moda. O circuito selectivo regista resultados mais positivos e homogéneos. A rede de lojas Carré Blanc, que enriqueceu a sua oferta de bordados de forma sensível no ano anterior, conseguiu bons resultados, sobretudo nos períodos de promoção (como o Dia da Mãe). Os bordados uniformes ou com duas cores, trabalhados em jogo de materiais (cetim, por exemplo), foram preferidos em detrimento dos bordados tradicionais, «que se encontram em todo o lado, a preços muito díspares», sublinha Jean Somat, director de compras da marca. Junto dos retalhistas independentes multimarcas (como Textile Hussler, Linge d’Artois ou La Maison d’Ariane), as vendas de bordados «estão bem», sobretudo com os novos modelos da gama.