MOCAP’50 tem início amanhã

Promovida e organizada pela APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, A Mostra de Calçado Português celebra este mês o seu 25º aniversário. A MOCAP´50, que tem início amanha e decorre até dia 18 de Janeiro no Porto, será uma oportunidade única para contactar com as melhores e mais dinâmicas empresas portuguesas. A MOCAP é o momento alto da indústria portuguesa de calçado, sendo o segundo exportador europeu e nono a nível mundial, no segmento de calçado de couro. Desta feita, está prevista a realização de um conjunto alargado de actividades paralelas que reafirmarão o certame no calendário internacional de feiras. O objectivo do evento está já definido, passa por fazer da MOCAP´50 uma grande festa, com a presença de um número recorde de expositores e de visitantes profissionais. Nesta edição estão previstas duas exposições retrospectivas e a atribuição do “prémio Inovação da Fileira do Calçado-GAPI-MOCAP’S 50”, num a iniciativa do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), do Centro Tecnológico de Calçado e da APICCAPS, ao abrigo do projecto GAPI (Gabinete de Apoio à Propriedade Industrial). No decorrer da MOCAP’S vão ser simbolicamente homenageadas as empresas que participaram em todas as edições do certame. Para além das empresas do sector do calçado e artigos de pele, a Mocap volta a consagrar o espaço TOP Supliers aos principais fornecedores da indústria, procurando optimizar os laços da fileira do couro em Portugal. Por sua vez, o espaço Top Style será revitalizado, assumindo-se como uma das mais valias do certame. Começaram já a ser dados passos importantes para a parceria entre o sector têxtil e o do calçado. A MOCAP e o Modtíssimo têm vindo a estabelecer contactos perspectivando-se realizações conjuntas já em 2004. A história da MOCAP decisiva na evolução da indústria portuguesa Existe um paralelismo entre a evolução da indústria portuguesa de calçado e a realização da MOCAP, já que desde a criação deste certame a industria cresceu 30 por cento. A primeira edição da Mostra Portuguesa de Calçado decorreu em Junho de 1978 quando o calçado português “não calçava” mais que 13 milhões de pares, pelo que a única forma de fazer a indústria crescer seria entrar no mercado europeu. Existiam em Portugal aproximadamente 600 empresas cujas exportações não ultrapassavam os três milhões de euros anuais. Na primeira MOCAP estiveram presentes 59 empresas expositoras e pouco mais de três dezenas de compradores internacionais. Depois de um ano e meio e três edições de MOCAP, a produção nacional aumentava para os 24 milhões de pares mas, é ao nível das exportações que se evidencia o sinal mais positivo. A indústria nacional começava a dar os primeiros passos consistentes nos mercados externos. Na década de oitenta e em vésperas da entrada na CEE(Comunidade Económica Europeia) a indústria conheceu os tempos mais prósperos. Em 1985 estavam registadas em Portugal 971 empresas que empregavam 31 mil trabalhadores. Em pouco mais de seis anos tinham surgido cerca de 200 novas empresas de calçado no nosso país. Quando a MOCAP completou 20 anos de existência, Portugal perfilava-se já como o segundo exportador europeu em calçado de couro e o nono a nível mundial. Vinte e cinco anos e 1600 milhões de euros depois, a MOCAP é a grande demonstração de força da indústria do calçado e o principal sustentáculo pela evolução evidenciada pelo sector. No limiar do terceiro milénio, a MOCAP é uma mostra ampla e diversificada, do mais clássico ao mais young fashion, onde estão presentes as empresas mais representativas do sector. As empresas de calçado investem por ano mais de 65 milhões de euros na inovação dos seus produtos. O sector aposta agora de forma rigorosa nas marcas e no design acrescentando valor aos produtos de modo a que as empresas e marcas portuguesas se coloquem nos mais elevados segmentos de mercado. Mas será na área comercial que as empresas deverão investir, através da aproximação aos mercados e particularmente ao consumidor final. A participação em certames da especialidade poderá ser um elemento fundamental. Outra das apostas do sector deverá ser na produção. Produzir mais depressa é outro objectivo estratégico tornando-se relevante apostar na qualidade e nos novos materiais como elementos diferenciadores da concorrência. No que se refere aos recursos humanos perfilam-se novas categorias profissionais, enquanto que a cooperação inter-empresarial e a integração de novas tecnologias de informação e de comunicação em cadeia são importantes no futuro. Investindo uma média anual de 100 milhões de euros, a indústria portuguesa de calçado procurou criar centros de excelência, qualificar novas competências e acentuar o processo de inovação de tecnologias. A baixa produtividade do trabalho em Portugal é um dos principais défices estruturais da industria nacional. A indústria do calçado, fruto dos investimentos realizados nas últimas décadas revela melhorias significativas. Em apenas nove meses, segundo dados do GEPE(Gabinete de Estudos e Prospectiva Económica), a produtividade do trabalho no sector do calçado convergiu 23 pontos percentuais com a média europeia. A média nacional aumentou nesse período somente 6,2 por cento. Assim, Portugal parece estar no trilho certo ainda que tenha um longo caminho a percorrer. Os próximos anos serão neste domínio, particularmente relevantes até porque a Europa dos quinze vai passar a ser dos 25.