MIT cria vestido que muda de forma

O Self-Assembly Lab, do MIT, desenvolveu um vestido com recurso a tricotagem computadorizada e fios ativados por calor que pode ser customizado, através de um braço robótico, para diferentes estilos.

[©MIT Self Assembly Lab]

«Este vestido promete ser mais sustentável do que a moda convencional tanto para o consumidor como para o produtor», afirma Sasha McKinlay, designer têxtil e investigadora recentemente formada no Departamento de Agricultura do MIT, que desenvolveu o 4D Knit Dress com a Ministry of Supply, uma empresa de moda especializada em vestuário high-tech.

O vestido combina diferentes tecnologias para criar um estilo e um fit personalizado. Fios ativados por calor, tricotagem computadorizada e a ativação robótica à volta de cada peça gera um ajuste esculpido. A equipa da Ministry of Supply liderou as decisões sobre a estabilidade dos fios, cor, tamanho original e o design.

«O corpo de toda a gente é diferente», explica Skylar Tibbits, professora associada no Departamento de Arquitetura e fundadora do Self-Assembly Lab. «Mesmo que uma pessoa use o mesmo tamanho que outra, não é realmente o mesmo», destaca.

Há vários anos que os estudantes do Self-Assembly Lab trabalham em têxteis dinâmicos. Os fios que desenvolveram podem mudar de forma, de propriedades, isolamento e respirabilidade e foram já aplicados em camisolas e máscaras. Segundo Skylar Tibbits, o 4D Knit Dress é o culminar de tudo o que os estudantes aprenderam a trabalhar com têxteis ativos.

Sasha McKinlay ajudou a criar os fios ativos, fez o design, desenvolveu a técnica de tricotagem e programou o tear industrial do laboratório. Quando o design da peça de vestuário está programado no tear, podem ser produzidos rapidamente múltiplos vestidos.

[©MIT Self Assembly Lab]
Os fios ativos são colocados em determinados pontos do design, o que permite que o vestido assuma diferentes estilos, com pinças, pregas, cintura império ou cintura acentuada.

«A maior parte das pessoas foca-se no tamanho, mas penso que o estilo é que diferencia a roupa. Todos evoluímos como pessoa e o nosso estilo também evolui. Depois do fit, as pessoas centram-se na expressão pessoal», sublinha Sasha McKinlay.

Danny Griffin, estudante de design arquitetónico, não tem experiência na indústria da moda, mas está familiarizado com projetos de robótica na construção e traduziu o processo de ativação por calor para um procedimento robótico programável que controla com precisão a sua aplicação.

«Quando aplicamos calor, as fibras encolhem, fazendo com que o têxtil se junte numa zona específica, apertando a forma à medida que adaptamos a peça», indica Danny Griffin. «Houve muitas tentativas e erros para perceber como orientar o robô e a pistola de temperatura. O calor tem de ser aplicado em locais específicos para ativar as fibras em cada peça de vestuário. Outro desafio foi estabelecer a temperatura e o tempo que o calor tem de ser aplicado», acrescenta.

[©MIT Self Assembly Lab]
Um vestido pode começar com um design e ser usado durante meses antes de ter de se reaplicar calor para alterar a sua forma.

Mas para Gihan Amarasiriwardena, cofundador e presidente da Ministry of Supply – que no final do ano passado colocou o vestido 4D na sua flagship em Boston, com um braço robótico a ajustar o vestido e os consumidores a assistir –, este desenvolvimento pode ir mais longe e permitir responder facilmente às mudanças da procura, um dos «grandes desafios» da indústria da moda.

Pode também contribuir para combater a fast fashion, porque pode ser usado inúmeras vezes com estilos diferentes, e o desperdício de stocks não vendidos. «O vestido pode ser construído para se adaptar a estas mudanças de estilos e gostos. Pode também ser capaz de absorver algumas variações de tamanho que os retalhistas têm de armazenar. Em vez dos tamanhos XS, S, M, L e XL, os retalhistas poderão ter um vestido para os tamanhos mais pequenos e um para os tamanhos maiores. Estes são os mesmos pontos de sustentabilidade que poderão beneficiar o consumidor», acredita Sasha McKinlay.