Xangai, o motor da modernidade
Toda a informação recolhida pelos participantes da missão, nomeadamente durante a estadia em Ningbo (ver Parte 2) fez aumentar as nossas expectativas na chegada a Xangai, a maior e uma das mais importantes cidades da China, com cerca de 16 milhões de habitantes e com uma área de 6.340 Km2. Esta cidade magnífica, localizada no litoral do Oceano Pacífico encontra-se em plena expansão económica e geográfica com todas as novas construções de arquitectura arrojada. O grande destaque vai para a novíssima Pudong, situada na margem direita do rio Huangpu, com a Oriental Pearl Tower, e a Jin Mao Tower que é o quarto maior edifício do mundo, construído em forma de pagode futurista com
Também não podemos deixar de falar da margem esquerda, com o bairro Xi Tian Di, restaurado recentemente, com ruas pedonais, cheias de lojas, restaurantes, cafés e esplanadas, e de turistas asiáticos e ocidentais, ou com a Nanjing Road, que é uma das mais importantes em termos comerciais, cujas lojas de rua estão, geralmente, abertas até às 22h, em qualquer dia da semana.
Xangai é, provavelmente, uma das cidades que simboliza hoje em dia, melhor do que nenhuma outra, o fenómeno da globalização cultural. Muito cosmopolita, possui uma longa tradição intercâmbio cultural com outros povos da região e do mundo, o que se reflecte, naturalmente, em todos os aspectos sociais, culturais e económicos. Nas ruas, foi para nós muito claro, o reflexo que as melhorias do bem-estar têm nos habitantes de Xangai, nomeadamente na nova classe média emergente, que segue os modelos e estereótipos importados da cultura ocidental, em geral, e da europeia, em particular, que aliás exerce uma atracção fatal sobre os consumidores chineses.
O dia começou com uma visita aos centros comerciais Plaza 66 e Cityy TaiFu Shopping Center, cheios, não de visitantes, mas de clientes. O primeiro, localizado num dos maiores arranha-céus do mundo, com o mesmo nome, é impressionante, ultra-sofisticado, apresentando uma das maiores concentrações por metro quadrado de marcas de luxo, do mundo. Estão lá todas: Dior, Louis Vuitton, Cartier, Prada, Fendi, Chanel, Versace, Yamamoto, Armani, Lanvin .
Também pudemos testemunhar a animação das ruas, que são um «paraíso» para as imitações, com destaque para o Xian Yang Flea Market, um dos locais de Xangai que maior atracção exerce nos turistas, não só pelas réplicas de grandes marcas a preços muito acessíveis, mas também pelas características únicas do local. É um espaço ao ar livre, localizado na Huai Hai Road, e junto da Orchard Road, onde se encontram lojas de algumas das mais famosas marcas internacionais, como Rolex, Davidoff e Louis Vuitton. Numa rede complexa de ruelas estreitas, apinhadas de stands de pequenos feirantes, onde tudo se vende, desde roupa, bugigangas e relógios, passando pelos ingredientes indispensáveis na culinária chinês, como cobras, peixes, mariscos e insectos, numa mistura estranha de movimento, sons e cheiros. Uma das características mais marcantes deste local são os chamados Huang Niu, (Vacas Amarelas, numa tradução literal), que conduzem os potenciais clientes para espaços mais ou menos secretos, localizados nas imediações do Xian Yang Flea Market, que funcionam como show-rooms, onde se encontram toda a espécie de excelentes réplicas, quase perfeitas, de grandes marcas de vestuário e acessórios de luxo.
Novos encontros bilaterais, muito proveitosos e interessantes como contactos exploratórios, preencheram a manhã do segundo dia em Xangai, permitindo às empresas portuguesas consolidarem a aquisição de competências sobre as formas de negociação local e as oportunidades de negócio futuras. De seguida, fomos até às instalações do BES em Xangai, ao encontro de Zhong Pei Yan, directora da instituição, que promoveu um workshop, com recolha de informação quantitativa e qualitativa sobre o mercado financeiro chinês e a situação da moeda local, recolha de informação e conselhos sobre modos de pagamento. A responsável pelo BES realçou a disponibilidade da delegação do BES prestar todo o apoio necessário no que diz respeito a informações sobre credibilidade e idoneidade de empresas.
Antes de abandonarmos Xangai, ainda tivemos a oportunudade de conhecer a Shanghai Garment Industry Association, numa reunião com a sua directora, Xu Xiu Qing. Esperávamos encontrar uma associação que reflectisse o dinamismo da região, mas, pelo contrário, encontrámos uma equipa e uma estrutura muito conservadora, que nos pareceu pouco interessante do ponto de vista de cooperação institucional.
A Missão estava de novo de partida, desta vez rumo a Shenzhen, na região de Guangdong, a norte de Hong Kong. ShenZhen foi a primeira Zona Económica Especial a ser estabelecida pelo Governo Chinês, após a abertura da China ao exterior, beneficiando das sinergias do desenvolvimento de HongKong, factores que contribuíram para transformá-la num espaço económico de grande crescimento que funciona como modelo do êxito que a política de modernização económica.










