Milão a cores

«Em tempos difíceis há que usar o humor para esquecer os problemas», este foi o lema da Semana de Moda de Milão, que apostou sobretudo em duas tendências distintas, mas bastante originais: a ousadia nas cores e ainda as meias três-quartos. A célebre marca italiana Emporio Armani propôs saias curtas e meias três-quartos, deixando apenas o meio das pernas descobertas, à moda das colegiais. As curiosas meias pretas ou cinzentas, dominaram a nova coleçcão da marca, na qual se destacaram também os sapatos de salto alto, para evitar que o visual se tornasse demasiado infantil. As meias, tanto curtas, de vidro ou opacas, apareceram também na colecção de Kristina Ti, ao acompanharem as mini-saias da Blugirl. «Moda é contraponto» foi precisamente o que Giorgio Armani apresentou neste evento, através de duas apresentações distintas. Mantendo a sua assinatura em ambos os desfiles, tanto para a marca Emporio, como para a Giorgio Armani, o estilista apresentou uma primeira linha mais jovial, enquanto que a segunda foi extremamente sofisticada. Uma sofisticação presente em grande parte dos desfiles, quiçá para distrair as pessoas e fazê-las sonhar. «Há uma necessidade de sonhar agora e ir muito além deste momento», salientou Stefano Gabbana antes de, juntamente com Domenico Dolce, apresentar a colecção de Outono-Inverno 2009/10 da Dolce & Gabbana. Inspirando-se no movimento Surrealista – um tema que envolve mistério, associações aleatórias, truques visuais e uma abundância de ideias –, a colecção primou pela força, poder e beleza. A grande tendência da colecção da dupla foi, todavia, o destaque dado aos ombros, a relembrar os anos 80. Já, uma «sensualidade ao rubro» foi a palavra de ordem de Donatella Versace que atacou a crise de frente com vestidos de tecidos fluidos e cinturas frequentemente marcadas com cintos prateados brilhantes. Sem medo do futuro, a estilista confessou que este certame precisa de força e coragem para combater a adversidades e que a moda tem um papel primordial de oferecer essa mesma confiança aos consumidores. «Uma pessoa não pode correr e esconder-se. Por esse motivo, o ideal para combater o medo e as dificuldades passa por nos vestirmos de forma a sentirmo-nos bem, com coragem para que o bom ganhe ao mau. Este é o meu conselho para combater a crise e torná-la no menor dos nossos problemas», afirmou Donatella Versace. Quanto à Missoni, apresentou uma colecção completamente "hippie", com mulheres bem abrigadas contra o frio, sem perder o charme e a elegância, além de blusas e casacos em ganga, seguindo a tradicional combinação surpreendente de cores que se transformou na marca registrada da marca. Os cachecóis também marcaram presença no desfile da Missoni, sobretudo em versões XXL. Também Enrico Coveri brilhou com criações em cores vivas, como solução para a crise que assusta o mundo. Mas a nota mais colorida e sempre original ficou, sem sombra de dúvida, por conta da espanhola Agatha Ruiz de la Prada.