Microsoft e CITEVE: parceiros contra o desemprego

A Microsoft Europa e o CITEVE, em colaboração com o Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, apresentaram segunda-feira, em Famalicão, o Programa TII – Tecnologia, Inovação e Iniciativa, um programa pioneiro a nível europeu, que visa a requalificação e o combate à iliteracia digital de cerca de 4.000 desempregados da indústria têxtil e do vestuário (ITV). A cerimónia contou com a presença do Comissário Europeu para o Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades, o checo Vladimír Špidla, do ministro do Trabalho e Segurança Social, José Vieira da Silva, do secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, Fernando Medina, do presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão, Armindo Costa, do director-geral da Microsoft Portugal, João Paulo Girbal, do presidente do CA do CITEVE, António Amorim, além de outras personalidades, como o governador Civil de Braga, Fernando Moniz, e o presidente da Amave, Castro Fernandes. Na sessão de abertura, António Amorim, presidente do CA do CITEVE, afirmou que, «os postos de trabalho na ITV têm vindo a diminuir e muitos dos profissionais que saem têm dificuldade em adaptar-se às exigências dos dias de hoje, razão pela qual o CITEVE aceitou com com a maior das satisfações integrar, como praceiro, este projecto liderado pela Microsoft».Para João Paulo Girbal, director-geral da Microsoft Portugal, «é preciso combatermos a iliteracia digital, que é um problema tão grave como era aqui há uns anos o analfabetismo». Explicou, de seguida, que para uma implementação a três anos, o Programa TII representa um investimento inicial da multinacional norte-americana na ordem dos 500 mil euros. «O investimento nos próximos dois anos dependerá da reavaliação que irá sendo feita anualmente, e tem por objectivo abarcar entre 3.500 e 4.000 trabalhadores da indústria têxtil, que têm assegurada a formação gratuita e saem com uma certificação reconhecida no mercado de trabalho. Os visados terão à sua disposição três níveis de formação digital – Básico, num total de 15 horas, Elementar, 45 horas e Avançado, 51 horas, que abrange questões tão diversas como aprender a ligar um computador, trabalhar com as diversas aplicações e programas, aceder à Internet, e muitos outras», explicou. Inicialmente, segundo o director-geral da Microsoft Portugal, está apenas em desenvolvimento no CITEVE de Famalicão, onde já estão em formação cerca de 170 desempregados, num objectivo de 800 desempregados até ao final do ano, mas vai ter centros em outras três cidades: Guimarães, Covilhã e Porto. João Paulo Gibral explicou ainda que o Programa TII assenta no modelo UP – “Unlimited Potential” da Microsoft, um programa internacional de combate à exclusão social que a Microsoft tem vindo a desenvolver, e através do qual a empresa espera acabar com 20 milhões de iletrados digitais em todo o mundo, até 2010. Para o director-geral da Microsoft, trata-se de cumprir uma responsabilidade social que a empresa há muito vem a assumir, inclusive em Portugal, com a implementação de outros projectos também baseados no programa Unlimited Potential, como «o Programa Escolhas, que visa combater a exclusão social, particularmente das minorias, através da formação, e o Programa Cais Digital, destinado às pessoas mais desfavorecidas, entre outros». Na sua intervenção, o ministro do Trabalho e Segurança Social, José Vieira da Silva, defendeu que «a formação certificada e orientada para a mudança, o ensino escolar e profissional e a formação qualificada são as palavras-chave para o futuro próximo de Portugal no âmbito do próximo Programa Comunitário de Apoio». Vieira da Silva lembrou que um dos problemas centrais e estruturais da sociedade portuguesa é a baixa qualificação e o défice tecnológico, e sublinhou que «na população até aos 35 anos, são cerca de 500 mil aqueles que estão no mercado trabalho sem formação de nível secundário e apenas 20% da população possui o patamar mínimo de qualificação para se adaptar às exigências tecnológicas, contra os 60% de média da OCDE». Já no espaço reservado ao debate, o ministro destacou que a «melhoria das acessibilidades, a juventude e empreendedorismo, e a futura instalação na região do maior centro de investigação luso-espanhol são factores que poderão mudar a face do Vale do Ave». Quanto ao Comissário Europeu, sublinhou a revolução de mentalidades necessária aos trabalhadores no novo quadro da competitividade do trabalho e da globalização da economia. «No domínio do mercado de trabalho, os activos são chamados a terem mais flexibilidade sob pena de serem atingidos, ainda mais, pelo desemprego». Recordou que fomentar o emprego e o acesso à formação e competências para trabalhadores mais velhos e para jovens desempregados é um dos objectivos prioritários da União Europeia e realçou a importância do estabelecimento de parcerias público-privadas que garantam a formação contínua dos trabalhadores, o que designou por «revolução de mentalidades». No mesmo contexto da formação e da qualificação, mas numa cerimónia posterior, seis associações empresariais do distrito de Braga assinaram, em Guimarães, protocolos com o Governo que vão permitir formar 2 mil activos até ao ano de 2008. O número foi revelado pelo secretário de Estado Fernando Medina, durante a cerimónia de assinatura dos protocolos, no Centro Cultural de Vila Flor, que contou, igualmente, com a presença do ministro Vieira da Silva, do Comissário Vladimir Spidla e do secretário de Estado da Educação, Walter Lemos.