Mexx & Liz Claiborne, uma união de sucesso

TW: Em Maio de 2001, o gigante da moda americano Liz Claiborne adquiriu o grupo holandês Mexx. Qual é o objectivo que os americanos querem atingir através da Mexx? Chadha: Uma das razões pelas quais os americanos quiseram a Mexx foi por sentirem que não entendiam o mercado europeu. TW: Quais são as vantagens que a Liz Claiborne tem através da aquisição da Mexx? Chadha: Os americanos não conhecem o sistema de fornecimento rápido que existe na Europa. É verdade que existe também um fornecimento mensal, mas a encomenda é feita com um grande avanço. Desta maneira, o produtor tem muito mais tempo para produzir a mercadoria. Animado pelo nosso ritmo na Mexx Express, foi lançada a Liz Quick com muito êxito. TW: O que mais aprendeu a Liz Claiborne? Chadha: O marketing feito para uma marca. A Mexx trabalha apenas com uma marca e vivemos completamente essa marca. Uma empresa como a Liz Claiborne, que tem 26 marcas diferentes, não conhece esta maneira de pensar numa só marca. TW: Quais foram as mudanças que a aquisição originou? Chadha: Para nós, nenhumas. Só dispomos de muito mais dinheiro, que podemos utilizar na abertura de novas lojas e temos acesso a um maior know-how. TW: O que quer isso dizer em concreto? Chadha: Especialmente em relação ao sourcing, dispomos agora de muitos produtores na Ásia, que podemos utilizar para a produção das 225 milhões de peças de que precisamos anualmente. Pode-se dizer que, agora, temos um grande irmão nos EUA. TW: O que é que a sua empresa pode aprender com a Liz Claiborne? Chadha: Podemos aproveitar os sistemas provados na América, especialmente em relação às técnicas de merchandising. A Liz Claiborne tem mais de 7000 shop-in-shops. TW: Anunciou que quer converter a Mexx numa empresa multi-marcas. O que é que isto significa? Chadha: Quer dizer que, em certas áreas e para certos grupos de clientes, procuramos marcas da Liz Claiborne que combinem com a Mexx. Por exemplo as Lucky Jeans, que são comparáveis às Guess Jeans. É verdade que existem calças de ganga da Mexx, as Mexx Jeans, mas com essas não podemos competir com os produtores de calças de ganga como a Replay ou a Diesel. Com as Lucky Jeans já podemos. TW: Existem alguns problemas? Chadha: Na verdade, quase nenhuns. As culturas empresariais e os valores da Mexx e da Liz Claiborne são muito semelhantes. Quando na Mexx decidimos lançar um novo produto, levamos muito tempo a avaliar todos os riscos e a tratar de todas as questões ainda não esclarecidas. Na Liz Claiborne acontece a mesma coisa, também não existem decisões apressadas nem mal pensadas. TW: A Liz Claiborne já falhou uma vez a sua entrada no mercado europeu e, agora, quer lançar uma nova tentativa para estabelecer as suas marcas neste mercado. O que é que vai ser diferente desta vez? Chadha: Desta vez a Liz Claiborne não traz produtos americanos para a Europa. As colecções são completamente dirigidas ao mercado europeu tanto na concepção, como no ritmo do fornecimento. TW: Quando é que a Mexx vai ser lançada nos EUA? Chadha: Isso tem tempo. No entanto, uma coisa é certa, a Mexx vai ser comercializada apenas através das suas lojas.