México pisca o olho à Europa

«O México não é apenas um postal ilustrado com as suas praias douradas», são as palavras de Alfonso Agnesi, presidente da Camera Nacional de la Industria del Vestido da região de Jalisco – capital de Guadalajara -, organismo mexicano que representa as empresas do sector de vestuário, numa visita à Europa para cativar empresários interessados em investir no seu país. Aquela região, pela proximidade que tem aos Estados Unidos e à América Latina, quer continuar a ser uma plataforma de produção privilegiada para este continente, a norte e a sul.

A indústria têxtil e de vestuário (ITV) mexicana, que envolve actualmente 14 mil empresas de toda a fileira, já tem acordos de comércio livre com a América do Norte e com o Canadá, em vigor desde o início dos anos 90. Das 1.100 empresas estrangeiras localizadas no México, os americanos são de longe quem tem a maior percentagem de investimento, com 60%, sobretudo com marcas como Donna Karen, Levi’s, Guess ou Tommy Hilfiger, que possuem unidades produtivas lá, ou próprias ou em parceria com agentes locais. São seguidos pela Coreia (14%), pela Espanha (3%) e pela China.

 

Os outros países europeus estão muito no fim da tabela, com a Itália a deter apenas 1% deste indicador, e a França e Alemanha com 0,7% cada um. Mesmo quando algumas das principais marcas italianas produzem lá desde o início da década de 90, como a Ermenegildo Zegna, que produz na Lanar, uma das melhores empresas do país, especializada em vestuário masculino de alta gama, ou na qualidade da produção deste país também confirmada por Santo Versace, presidente do grupo Versace. Ou ainda o exemplo da La Perla, que detém há doze anos uma fábrica baptizada de Produce México. A prova da rapidez e facilidade de acesso ao mercado norte-americano está no aumento das exportações mexicanas para esta região, que no total passaram de 40 a 188 mil milhões de dólares nos últimos quinze anos.

Para seduzir a Europa, a ITV mexicana apresenta como predicados não só o seu vasto know-how, sobretudo nos segmentos de denim ou do sportswear, os seus reduzidos custos salariais, a sua proximidade geográfica relativamente aos Estados Unidos, mas também a segurança politica e económica que o país oferece que, segundo alguns analistas internacionais, são a base para ser considerado um país onde é seguro investir. E não menos importante será o potencial do mercado local. O México tem actualmente cerca de 110 milhões de habitantes, com um PIB que este ano deverá ter um crescimento de 3,8%, e uma população urbana com um crescente índice de consumo, onde se vende anualmente um milhão de automóveis, ou 37 milhões de telemóveis, para exemplificar. Já para não falar nos 21 milhões de turistas que escolhem este destino para passear.