Mergulho na Inovação

A moda das férias no exterior sob tórridos raios de sol, associada ao aquecimento global, mais não tem feito do que incrementar as exigências sobre as malhas tingidas e estampadas para fatos de banho. Em particular, a introdução de fios de elastano resistentes ao cloro impulsionou o mercado dos fatos de banho devido às inigualáveis características oferecidas por tais malhas, quer a húmido quer a seco. Do ponto de vista do tintureiro, estampador ou acabador, as malhas para fatos de banho (à excepção dos fatos de banho de competição) são essencialmente artigos de moda que podem apresentar inúmeras características funcionais a fim de melhorar a sua performance. As malhas dos fatos de banho expostos a luz solar intensa estão sujeitas a elevados níveis de radiação ultravioleta que potenciam a degradação das fibras e dos tintos. O cloro existente nas piscinas também afecta ambos, enquanto que o sal da água do mar prejudica a solidez da cor. Estas malhas devem ainda apresentar uma certa protecção contra a transpiração, cremes solares e loções corporais – que podem originar manchas disformes, para além de atrair areia e sujidade. O esbatimento e perda do contraste de cores em tecidos estampados também devem ser prevenidos. E as preocupações dos consumidores face aos crescentes riscos de cancro de pele em consequência da exposição solar intensificaram os esforços da indústria com vista uma maior protecção por parte destes materiais. Entre as principais matérias-primas utilizadas nas malhas para fatos de banho encontram-se os fios de poliamida/elastano e poliéster/elastano, sendo o elastano do tipo resistente ao cloro. As fibras usualmente aplicadas contêm produtos estabilizadores que as protegem da radiação ultravioleta e evitam o seu amarelecimento sob a luz solar. A preparação do tecido deve também ser perfeita por causa dos lubrificantes à base de silicone que são habitualmente aplicados nas fibras de elastano. Estas fibras são de natureza inerentemente pegajosa, necessitando por conseguinte da aplicação de um lubrificante de baixo peso molecular como o polidimetil-siloxano. É também indispensável a posterior realização de uma fervura com tensoactivo aquoso para a remoção deste mesmo lubrificante, assim como dos produtos de acabamentos da fiação e outros óleos dos fios. A fervura e a relaxação podem ser combinadas através do uso de produtos auxiliares que evitam a redeposição dos óleos de silicone e outros lubrificantes na malha. O tratamento aquoso contínuo em largura é amplamente efectuado nas gamas processadas na Ásia e na América do Sul. Na Europa, são utilizados ambos tratamentos em rolo e em largura contínuos. No entanto, alguns processadores europeus utilizam uma abordagem distinta, aplicando uma fervura com solvente numa máquina em largura contínua. Este método oferece duas vantagens potenciais: evita as rugas e remove melhor o óleo siliconado. Não obstante, coloca alguns problemas do foro ambiental, que levaram já alguns países a interditá-lo como processo. É indispensável um cuidadoso controlo da termofixação para prevenir a oxidação e a modificação da poliamida, o que poderia conduzir a diferentes níveis de tingimento entre os distintos fios, originando consequentemente defeitos como o barrado. Os tecidos de poliamida/elastano são usualmente submetidos a uma impregnação com um anti-oxidante previamente à termofixação a fim de proteger os grupos amina da poliamida, com um papel importante no caso do tingimento com corantes aniónicos. O acabador deve exercer um controlo rigoroso da termofixação em largura, assegurando-se de que a temperatura de termofixação, a taxa de alimentação e a largura do tecido são as apropriadas para obtenção dos valores fixados para o peso final do tecido e para a largura acabada. A selecção dos corantes para tingir a malha de teia de poliamida/elastano é crucial devido às exigências de elevada solidez e tonalidades claras. O uso de microfibras nos fatos de banho, como as microfibras de poliamida mate, origina malhas com um toque extremamente macio, sendo em geral o toque da poliamida/elastano menos áspero do que o do poliéster/elastano. As malhas a tingir são uma típica mistura 80% poliamida ou poliéster com 20% de elastano, que geralmente apresentam menor solidez à cor do que as malhas 100% poliamida ou poliéster. As condições de tingimento devem assegurar a absorção máxima por parte da poliamida ou do poliéster, ao mesmo tempo que a coloração mínima por parte do elastano. Para as malhas poliamida/elastan,o os corantes seleccionados devem ser do tipo ácido ou metalíferos, oferecendo este último uma vasta gama de tonalidades com elevada solidez à cor e profundidade de tom. Algumas malhas de poliamida/elastano para fatos de banho são submetidas a acabamentos repelentes de sujidade e/ou de água e óleo para evitar a penetração das nódoas na poliamida e, por consequência, facilitar a lavagem à máquina doméstica.