Com o aumento do número de milionários a nível global, a par da recuperação da confiança na economia, o futuro afigura-se risonho para as casas de artigos de luxo.
Um estudo publicado pelo Just-style.com, designado Análise ao Mercado Global de Vestuário de Luxo: Cenários para 2010, afirma que este facto é igualmente positivo para inúmeros países em todo o mundo onde o consumo da chamada moda de luxo supera, em alguns casos, o rendimento disponível dos consumidores para as chamadas despesas extra ou não-prioritárias. O mercado do vestuário de luxo é um segmento complexo, sendo as estimativas sobre esta área claramente afectadas por factores como a contrafacção e imitações, e também pelas diversas casas de luxo apostarem cada vez mais em colecções para o grande público, como é o caso da linha D&G da Dolce & Gabbana, dirigidas a todos aqueles que valorizam a etiqueta, mas dispõem de um menor poder de compra. A somar a este aspecto, muitas vezes a moda de luxo não é separada dos segmentos da roupa casual e do sportswear, em termos de análise do mercado. Ainda assim, o estudo do Just-style.com avança algumas estimativas concretas. Assim, segundo Michael Silverstein, do conceituado Boston Consulting Group, o mercado de artigos de luxo deverá atingir o valor total de 200 mil milhões de dólares em 2010, sendo 100 mil milhões de dólares oriundos dos Estados Unidos e os restantes 100 mil milhões de dólares respeitantes ao resto do mundo. Os analistas do sector concordam que o mercado do vestuário de luxo representa cerca de 5% do mercado total de artigos de luxo, o que aponta para um mercado de cerca de 5 mil milhões de dólares nos E.U.A. e de 5 mil milhões de dólares para o resto do mundo, em 2010. Um elemento chave no segmento da moda de luxo é indubitavelmente o crescente número de indivíduos milionários e ricos, em todo o mundo. De acordo com o estudo em questão, existem actualmente 7,7 milhões de milionários em todo o mundo, que detêm uma riqueza combinada de 280,8 mil milhões de dólares, devendo estes valores aumentar consideravelmente nos próximos anos. As celebridades como as estrelas de cinemas e outras figuras do mundo do espectáculo contribuem de modo importante para o crescimento do número de indivíduos ricos, ao mesmo tempo que o aumento do número de jovens profissionais bem sucedidos e com elevados rendimentos disponíveis ajuda igualmente as casas de luxo a manterem os seus lucros. Os principais mercados de consumo de artigos de luxo são o Reino Unido, a França, o Japão e os Estados Unidos, enquanto os mercados emergentes incluem a China, Rússia, Índia e outras regiões limitadas, mas com grande potencial de negócio e vendas. Este artigo aponta em seguida as principais tendências neste segmento de mercado, tal como são identificadas pelo estudo Análise ao Mercado Global de Vestuário de Luxo: Cenários para 2010. Crescente acesso a nichos de mercado específicos, que conduz a políticas de marketing mais eficazes apoiadas na expansão da área das publicações dedicadas ao luxo. As prioridades do consumidor mudaram do preço, produto e marca para a verdadeira experiência global que as insígnias de luxo oferecem. Os indivíduos realmente ricos constituem apenas 1% do mercado global total, pelo que os fabricantes e retalhistas de luxo devem alargar as suas linhas e propostas de moda. A lealdade às marcas é (ainda) importante em poucas categorias de artigos de luxo, com a excepção daquelas que são realmente personalizadas, como a beleza pessoal e os spas. Os conflitos entre retalhistas e fabricantes estão a afectar também o sector da roupa de luxo, devido à multiplicidade de canais de venda e distribuição que coabitam neste reduzido mas naturalmente muito apetecível segmento de mercado. A forte presença de produtos contrafeitos constitui uma séria ameaça para muitas das grandes casas da moda de luxo, levando por exemplo a LVMH a despender anualmente largas centenas de milhares de euros para combater estas actividades ilegais. Em síntese, os consumidores compram e vão continuar a fazê-lo roupa e acessórios de luxo, mas dado que a lealdade às diferentes marcas não pode depender apenas dos compradores ocidentais, as casas de moda devem apostar no verdadeiro alargamento das experiências de consumo que os seus clientes esperam e desejam acima de tudo.










