Mercado de lingerie com tendência positiva

O mercado de 29,15 mil milhões de dólares de lingerie é um dos mais ferozmente concorridos, com uma infinidade de marcas verdadeiramente internacionais a competirem com alguns retalhistas de peso que também possuem as suas próprias marcas. O sector é impulsionado não apenas pelas expectativas dos consumidores e pelas aspirações da marca, mas se os países em desenvolvimento vão ou não aderir ao estilo de vida Ocidental. De acordo com as previsões apresentadas na segunda edição do relatório elaborado pelo just-style sobre o mercado global de lingerie, o valor do mercado mundial vai crescer 8% entre 2004 e 2012. O relatório avaliou o mercado mundial de lingerie em 29,15 mil milhões de dólares em 2004, mas prevê que até 2012 este valor registe um crescimento para os 31,6 mil milhões de dólares. O relatório originalmente designado por “Global market review of lingerie and intimate apparel – forecasts to 2012”, revê em baixa o valor do mercado em 2004 relativamente ao valor anteriormente calculado para 2003. As razões para esta evolução devem-se ao envelhecimento das populações nos países desenvolvidos, à feroz concorrência do retalho que está a obrigar a diminuição dos preços, e ao contínuo fluxo da produção para os países com menores custos de produção associados. Do valor total do mercado em 2004, 56% resulta do comércio de sutiãs (com um valor de 16,2 mil milhões de dólares), 32% de cuecas (9,25 mil milhões de dólares) e 12% de roupa interior e íntima (3,7 mil milhões de dólares). Os países desenvolvidos foram responsáveis por 82% do mercado em valor em 2004, ficando o resto do mundo com 18% do valor das vendas. As categorias de produtos que vão registar o crescimento mais acelerado em termos de quota de mercado entre 2004 e 2012 é a roupa interior e íntima, prevendo-se uma subida dos 3,6 mil milhões de dólares para os 4,2 mil milhões de dólares, passando de uma quota de 12% do mercado total para 13% entre 2004 e 2012. Com 17,4 mil milhões de dólares os sutiãs vão deter uma quota de 55% do total do mercado em 2012, registando uma quebra de 1 ponto percentual relativamente à quota de mercado registada em 2004. As cuecas com vendas estimadas em 10,0 mil milhões de dólares vão manter-se inalteradas em relação à quota de 32% que possuíam em 2004. O que está a impulsionar o sector? A primeira edição do relatório global da lingerie elaborado pelo just-style.com e apresentado em Julho de 2004, focou a quantificação do mercado e a análise da posição dos principais intervenientes ao nível internacional. No último relatório sectorial, o foco foi nas marcas de destaque e nas dinâmicas do mercado, ou seja, nos aspectos que impulsionam a lingerie enquanto sector do vestuário. A lingerie é vendida através de uma variedade de métodos de distribuição, com cada um destes métodos possuindo uma estrutura de custos e preços muito própria. Por exemplo, o mercado de lingerie de retalho avaliado em 30 mil milhões de dólares suporta uma indústria de tecelagem e tricotagem avaliada em apenas 3,6 mil milhões de dólares. Para além de estarem dependentes do sortido, os preços também variam entre regiões. Se um soutien custa 18 dólares nos países desenvolvidos, então o seu preço é de 7 dólares nos países semi-desenvolvidos e de 1 dólar nos países em desenvolvimento. Os artigos de gama alta são responsáveis por apenas 1% do volume total de artigos no mercado, mas representam 7% do valor do mercado de lingerie. No extremo oposto, os artigos da gama mais baixa são responsáveis por 42% do volume, mas por apenas 17% do valor. Entre estas gamas, as marcas de massas e as marcas dos retalhistas detêm 28% do volume e 22% do valor do mercado internacional de lingerie. Em média, uma mulher num país desenvolvido compra dois sutiãs e cinco pares de cuecas por ano. Tem em média no seu roupeiro entre cinco e oito soutiens e entre seis a dez pares de cuecas. As mulheres compram lingerie por uma ou várias razões, incluindo: moda, funcionalidade, corte e marca. Nos países desenvolvidos, existe uma forte lealdade para com as marcas. Na Europa Ocidental, investigações independentes concluíram que o pior país para as marcas era o Reino Unido, onde as marcas próprias detêm 50% do mercado. As marcas são mais fortes nos países mediterrânicos, como Itália e Espanha, devido ao retalho ser menos concentrado. No resto do mundo, os artigos anónimos são responsáveis por metade do valor e provavelmente por 70% do volume da lingerie vendida. No entanto, as marcas próprias dos retalhistas está a registar um rápido desenvolvimento em países tão distantes como Singapura, Polónia e Argentina, reflectindo a expansão dos retalhistas internacionais como Hennes & Mauritz, Zara e Carrefour. Crescimento do mercado O relatório do just-style.com alerta os responsáveis do marketing das marcas que, apesar do crescimento futuro nos países em desenvolvimento, os principais mercados continuam a ser a Europa Ocidental e a América do Norte, os quais são responsáveis por 66% do mercado mundial de lingerie. A Europa Ocidental vai registar uma subida de apenas 1% no valor, enquanto que os mercados do Japão e da Coreia não vão crescer muito mais, prevendo-se apenas uma subida de 2,5%. No entanto, prevê-se um crescimento significativo nos países em desenvolvimento, mas com base num valor de mercado inicial mais baixo. A China, o sub-continente indiano, o Próximo Oriente e o Sudoeste asiático vão registar um crescimento superior a 30%, reflectindo a maior riqueza da região e a maior propensão para aderir ao estilo de vida ocidental. O relatório do just-style prevê a existência de significativas mudanças nos preços em determinadas regiões do mundo. Em termos concretos, a maior riqueza e predisposição para comprar lingerie vai originar o aumento no preço dos sutiãs ao longo do período de 2004 a 2012, no Próximo Oriente, Sudeste asiático, Rússia e sub-continente indiano em 10%, enquanto que na China prevê-se uma subida nos preços superior a 20%. No que diz respeito ao design, o just-style acredita que a lingerie vai continuar a equilibrar as funcionalidades básicas com a moda. A recente tendência no sentido do explícito e do sexy vai continuar a manter a influência, até mesmo nas marcas mais reservadas. No entanto, o corte vai tornar-se cada vez mais importante à medida que os números das mulheres aumentam, principalmente nos países desenvolvidos.