Mercado de desafios

A casa de champanhe Taittinger revela que poderia fazer o seu vinho espumante de gama alta na China mas que o mercado não está ainda pronto para isso, enquanto que a Lamborghini considera que a tradição de motoristas de luxo, mais do que a condução desportiva, torna a expansão no país um desafio. O joalheiro Van Cleef&Arpels, detido pelo Richemont, acredita que é difícil passar a sua mensagem de marca, enquanto o relojoeiro Parmigiani Fleurier preocupa-se em encontrar os parceiros certos. «O desafio específico em relação à China é encontrar uma empresa chinesa em que se possa confiar e que perceba o negócio do luxo», avança Jean-Marc Jacot, director-executivo da empresa de relógios de luxo. A Taittinger, por seu lado, explica que há muitos lugares na China onde poderia considerar produzir vinho espumante de elevada qualidade – o champanhe só pode ser feito na região francesa – mas os palatos chineses ainda não estão acostumados à bebida cara. «é provavelmente um pouco cedo», refere Pierre-Emmanuel Taittinger. «Ainda não há uma forte cultura do vinho topo de gama». A Hermès, cujas carteiras de luxo são produzidas em França, também poderia ponderar na produção de artigos na China se conseguisse encontrar artesãos para fazer os artigos originais, mas enfrenta ainda um outro problema: a contrafacção no país. «A nossa imagem está muito afectada pelas contrafacções. é por isso que estamos a lutar muito contra isso», explica o director-executivo, Patrick Thomas. «Quando as pessoas na China vêem uma contrafacção, acham que é genuína». A contrafacção custa aos grupos de luxo centenas de milhões de euros em vendas perdidas todos os anos e as imitações estão a tornar-se cada vez mais refinadas e sofisticadas. «O desafio na China é ser capaz de explicar a 1,3 mil milhões de pessoas o que representa a nossa marca», revela o director-executivo da Van Cleef&Arpels, Stanislas de Quercize. Embora o número de ricos na China deva continuar a crescer de forma constante, a maior parte da população do país não pode comprar marcas ocidentais de gama alta. No entanto, os grupos de luxo concordam que a China, onde os consumidores são muito conscientes das marcas, irá tornar-se o principal mercado da indústria e, este ano, será um dos poucos mercados emergentes a registar crescimento. «A China será um dos ou mesmo o mercado mais importante a médio, longo prazo», considera a gestora de fundos de luxo Scilla Huang Sun. «Os chineses não vão comprar o topo de gama absoluto, como os russos, mas há muitos chineses Eles poupam muito e é um país muito grande». No início de Junho, a Bernstein anunciou que o seu estudo sobre retalhistas de luxo chineses sugere «a resistência da procura no primeiro e segundo trimestre de 2009, mais especificamente para as mega-marcas com grande notoriedade». A China tornou-se o principal mercado do conhaque Hennessy do Lvmh e o segundo maior mercado para a moda e artigos em pele da Louis Vuitton. Para a Lamborghini, irá superar a Itália como o segundo maior mercado, a seguir aos EUA, daqui a três a cinco anos. «Os Chineses adoram o que sai da Europa. O que é europeu é algo que querem possuir», afirma Stephan Winkelmann. A Watchmaker Hublot, na China desde Janeiro, planeia abrir 10 lojas até ao final de 2009. Até 2012, gostaria que a China fosse o terceiro ou quarto mercado a seguir aos EUA, Europa e Japão. «Acho que há muita gente que fala da China como o maior mercado Premium porque vêem o crescimento de uma pequeníssima base para uma base muito grande», considera Tom Purces, director-executivo da empresa britânica de automóveis de luxo Rolls Royce. «Passamos de meia dúzia de carros na China para mais de 100 carros no ano passado. Isso é muito num período de tempo muito curto mas não acredito que o crescimento seja sustentável a esse nível», conclui.