Mercado das meias com problemas

O sub-sector das meias pertence ao sector do mercado de vestuário, e é um dos que se dirige para o declínio, de acordo com um recente relatório do Just-style. Apesar da utilização de novas tecnologias, inovações e caras famosas é pouco provável que o mercadorecuperetempos de glória passados. De acordo com o referido relatório do Just-style- “Global Market Review of Hosiery -Previsões para 2012”, o mercado do retalho para o sub-sector das meias estava avaliado em 9,22 mil milhões de dólares em 2005, representando 30 por cento do mercado total de lingerie. O volume global do mercado em pares é estimado em 4,2 mil milhões. O Just-style prevê que até 2012, o mercado do sub-sector das meias deverá valer 8,87 mil milhões de dólares no retalho, menos quatro por cento do que em 2005aos preços actuais. Além disso, o volume em pares descerá um por cento para 4,16 mil milhões. O relatório define este mercado como consistindo especialmente em meias-calças, meias e meias elásticas até aos joelhos e tornozelos, e diz estar isolado da maioria dos outros tipos de vestuário. Numa primeira abordagem, o clima de uma grande parte do mundo mostra que não é necessário usar este tipo de roupa interior, e depois, o processo de produção é diferente do outro tipo de vestuário costurado já que é automático e, em termos relativos, é também diferente o capital assim como a mão-de-obra. Além disso, o sub-sector das meias não mistura moda e função da mesma forma que a maioria dos outros grupos. Com a excepção das meias opacas, o resto deste sub-sector oferece escassos benefícios funcionais. E um dos poucos benefícios que existem- acrescentar um pouco mais de calor nos dias mais frios do Inverno- é cada vez menos importante já que as mulheres optam por calças quer para o trabalho quer para os tempos de lazer. As marcas Outra característica particular do mercado do sub-sector das meias é que apenas uma parte das corporações fazem e vendem as melhores e mais conhecidas marcas do sector. Estas incluem: a Sara Lee Hosiery, actualmente no limbo devido ao abanão sofrido pela empresa mãe; a Golden Lady- a maior fabricante de meias da Europa; a Falke, especialista em tricotagem; a Kayser Roth, que faz meias básicas e topo de gama; a Kunert, um nome que já foi dos mais importantes e que recentemente encerrou as suas unidades detexturizaçãoe produção de lingerie; Charnos, uma marca que se situano segmento médio e que sobrevive mantendo-se pequena e flexível; e a Wolford, uma marca muito conhecida mas que na realidade tem um relativamente pequeno volume de negócios. Vendas em queda Na América do Norte, o maior mercado de meias, o crescimento no número de utilizadores está a ser ultrapassado pela queda no consumo por utilizador causado pelo aumento da popularidade das calças em detrimento das saias e o aumento da durabilidade dos próprios produtos deste sub-sector. A situação na Europa Ocidental e Japão/Coreia vai piorar, afirma o relatório do Just-style. As razões para o declínio do sector incluem as mudanças das atitudes sociais em relação às pernas nuas e ao aquecimento global. Neste mercado, a pressão da diminuição dos preços em relação aos supermercados e cadeias de mercados de massas e a mudança para os países de baixos custos têm também uma quota parte de culpa na queda das vendas. Mas acima de tudo, os factores de moda e produção também entram em jogo, tal como o aumento da popularidade das meias opacas que duram mais, fios avançados que prolongam a resistência das meias, e o aumento da velocidade da maquinaria de tricotagem circular, o que significa que em cada 100 unidades produzidas são precisas menos máquinas e menos trabalhadores. Inverter a queda As empresas do sub-sector das meias têm tentado encontrar estratégias para inverter o declínio do mercado. Por exemplo, o mercado das meias, em conjunto com os mercados de lingerie e cosmética, podem ganhar bastante através do apoio de celebridades. A Sara Lee é uma das empresas que conseguiu ter sucesso ao usar estrelas da música e actrizes na promoção dos seus artigos nos Estados Unidos, e esta situação está a ter eco na Europa Ocidental. A directora de marketing da Sara Lee, Jayne Sterland, afirmou que «as mulheres mais jovens aspiram usar as meias a que as celebridades dão o seu nome». Além disso, o Just-style prevê os maiores avançostecnológicosnum futuro próximo. Os exemplos incluem suportes nas meias que ajudam a assegurar uma melhor circulação sanguínea, tops que elevam a barriga sem a apertar, meias ergonómicas que oferecem ao mesmo tempo um suporte e adaptação ao clima, e acabamento anti-microbiano à base de prata que inibe odesenvolvimentode micróbios. No clima actual, as empresas do sub-sector das meias estão também a apressar-se a capitalizar o que muita gente chama de “regresso às saias”, já que se tem visto muitas mulheres a apostar nas meias opacas e meias de rede e, mais recentemente, nos “leggings”. Tessa Eles-Brown, gestora de contas da Falke, afirma de uma forma optimista que a empresa espera por «mais saias, mais flores e mais feminilidade». Mas se a potencialidade do renascer da feminilidade, em conjunto com as caras de celebridades, será suficiente para o reflorescer do mercado, ou levá-lo à sua anterior glória, é duvidoso. A verdade é que as grandes oportunidades estão situadas no mundo desenvolvido com o seu aumento da população, mas onde a falta de dinheiro, infelizmente, afasta dos consumidores. Há um brilho de esperança nas novas tecnologias e inovações, e talvez se o sub-sector das meias continuar a tornar-se num mercado de massas, a atracção pelos “collants” e meias como artigos de moda irá, certamente, aumentar. Mas, por agora, o futuro do sub-sector das meias parece, na melhor das hipóteses, incerto e, na pior, algo sombrio, e para já não se vê no horizonte nenhuma solução imediata.