Desde as suas origens como peça de roupa de trabalho, os jeans têm sido um artigo essencial de qualquer guarda-roupa.
Capitalizando este sucesso, as marcas de jeans têm vindo a inovar os tecidos, os acabamentos e o produto final, de forma a refrescar continuamente o interesse dos consumidores.A questão que se coloca é: poderá ser mantida esta situação, e qual o potencial deste segmento nos próximos anos?Tendo em conta que a moda é uma indústria em constante mudança, que assenta na inovação permanente como meio de fixar os mercados consumidores, os jeans e a denim empreenderam, ao longo dos anos, diversas estratégias, que oscilaram entre a vertente moda e a visão destes artigos como peças básicas de vestuário.Assim, para alguns consumidores e retalhistas, é de facto uma peça básica; para outros, são uma afirmação de moda, e aqui as marcas desempenham naturalmente um papel importante.No entanto, e apesar de toda a criatividade no que toca aos tipos de tecidos e produtos técnicos, incluindo várias tentativas para alargar a gama de artigos aos calções, camisas, saias, vestidos e blusões, a ganga mantém-se intrinsecamente ligada aos jeans.O mercado dos jeans no mundo desenvolvido parece assim estar saturado, e de acordo com aCotton Incorporated, organismo que regula a indústria do algodão nos Estados Unidos, o cidadão americano médio possui sete pares de jeans, e compra dois por ano.Na Europa Ocidental, este número varia, sendo em media de quarto por habitante, e um par comprado anualmente.Nesta situação, apenas o aumento populacional poderá impulsionar o volume de vendas no referido segmento, e dado que as taxas de crescimento das populações dos países desenvolvidos não revelam apetência para o crescimento, as oportunidades para o mercado dos jeans limitam-se às nações em vias de desenvolvimento.Em 2003, as vendas totais de jeans terão atingido as 1.931 milhões de unidades, o que significa que um par de jeans foi comprado por ano, em cada três pessoas no mundo inteiro.O mercado retalhista para estes jeans vale 54,6 mil milhões de dólares, tendo o mundo desenvolvido 64% deste mercado, em termos de volume, correspondendo no entanto a apenas 14% da população mundial, o que deixa antever um considerável potencial de crescimento nos países em desenvolvimento, que se concretizará apenas se os artigos em ganga forem vendidos a preços que os seus consumidores possam suportar.Segundo um relatório recentemente publicado peloJust-style.com, denominado Análise do Mercado Global da Indústria da Ganga e Jeans, as previsões apontam, para 2010, os seguintes dados em termos de volume: o mercado dos países desenvolvidos não vai crescer, mantendo-se nos 1.240 milhões de unidades , e o resto do mundo deverá crescer 13%, para os 783 milhões de peças.No total, estas previsões significam que o crescimento do mercado mundial, em volume, será de 4,8%, atingindo os 2.024 milhões de unidades.Apesar dos argumentos invocados pelas marcas deste segmento, alguns analistas consideram que estas não estão a perder a guerra pelos seus mercados, mas que já a perderam.Como exemplo, as vendas da Levi Strauss têm estado em queda livre desde 1996, e a marca tem dependido fortemente dos conselhos de consultores externos para a sua gestão quotidiana.Em 2003, três dos maiores fabricantes de ganga, que fornecem marcas e cadeias como a Levis e a VF Corporation, Burlington e a Cone Mills, encontraram-se no capítulo 11 do Código de Insolvências para as empresas norte-americanas.Se as marcas de jeans estão a perder, então quem são os vencedores?Em termos de volume, têm sido claramente os grandes retalhistas. Nos Estados Unidos, a toda-poderosa Wal-Mart e a sua marcaFaded Glory têm liderado este segmento, enquanto a Gap controla uma grande fatia do mercado do comércio de massas.Em França, o Carrefour é uma cadeia importante, enquanto no Reino Unido a Marks & Spencer e a Next têm dominado o mercado de gama média, e a Asda predomina nos pontos de venda com preços mais baixos, e na Alemanha a C&A mantém-se em alta.A hegemonia no retalho neste segmento afigura-se, no entanto, como uma situação condenada a curto prazo.Os grandes supermercados estão definitivamente a assumir o segmento dos artigos de preço mais baixo, e esta polarização entre os mercados médio e alto parece ser a tendência mais marcante do cenário actual.Mas nem tudo está perdido para as marcas de jeans.As marcas de “fabricante”, ou melhor dizendo, marcas de “consumidor”, dado que a maior parte delas não fabricam efectivamente os produtos, têm agora uma oportunidade de se tornarem a primeira escolha nos mercados dos países desenvolvidos.No entanto, os seus desempenhos nos restantes mercados permanece pobre, e a forma como gerem essa presença vai ditar a sua própria sobrevivência.O fim dos jeans em ganga foi antecipado por diversas vezes, nos últimos 50 anos.No entanto, constatamos que os homens continuam a usar calças em ganga, e as mulheres preferem calças a saias neste material.O vestuário casual mantém-se assim em alta, e como tal, as peças em ganga vão certamente continuar.O desenvolvimento de produtos, a gestão e o marketing das marcas de jeans continuarão a ser controlados pelo mundo ocidental, e a compra de tecidos e produtos deslocar-se-á tendencialmente para os pontos de menor custo, embora mantendo-se em países económica e politicamente estáveis, como a Índia e a China, tendo ainda em conta estados como a Turquia.










