Menos visitantes mas mais negócio»

As empresas de têxteis-lar portuguesas estão longe de baixar os braços face às dificuldades que atingem o sector. Nem a desvalorização do dólar face ao euro nem a desleal concorrência asiÁtica são suficientes para abalar a determinação dos 70 expositores nacionais presentes na Heimtextil: crescer lÁ fora, e muito. Para tal, puderam contar com o apoio da Messe Frankfurt, entidade organizadora desta que é a maior e a mais internacional feira consagrada aos têxteis-lar, que de edição para edição tem sabido empreender as mudanças necessÁrias para acompanhar a evolução do mercado. Só para referir as mais recentes, na edição passada deu visibilidade ao “Contract”, ou seja, às empresas que produzem artigos para hotelaria, restaurantes, espaços comerciais e cruzeiros, fomentando assim uma nova Área de negócio. Esta edição, reformulou o conceito “Dreamland” dividindo-o em dois: “More Clarity” (hall 9.1), destinado aos produtores têxteis europeus apresentando produtos de alta qualidade com desenhos clÁssicos realizados, por vezes, em edições exclusivas, e “More Style” (hall 9.2), destinado às marcas internacionais oferecendo um design moda orientado pelas tendências, assim como às empresas com licenças. No primeiro espaço encontrÁmos empresas como a A. Ferreira & Filhos (Homania), Piubele, Vamaltex, B. Sousa Dias & Filhos, Sorema e Adalberto Estampados, entre outras, enquanto que no segundo marcavam presença a António Almeida & Filhos (Home Concept e Almeida), Lameirinho, Mundotêxtil, Coelima, Têxteis Domingos Almeida, etc. Embora os expositores nacionais dos novos conceitos “More” tenham assegurado ao Portugal Têxtil não constatarem grandes diferenças na sequência desta mudança, houve um facto que, fruto do acaso ou não, marcou os muitos visitantes dos novos espaços: a dimensão e sofisticação dos stands. Alguns stands, como o da Home Concept, da Sorema e da Bovi, eram verdadeiras obras de arte que albergavam outras obras de arte – colecções tecnologicamente inovadoras e esteticamente luxuosas. Muitas das colecções apresentadas pelos expositores nacionais, mais do que seguirem, ditavam as tendências que vão reinventar a casa em 2008/2009: a linha Eco & Style de mantas da Homania que combinam na perfeição ecologia e moda; o conceito “Retro Chic” da Lameirinho, que inclui desde roupa de cama a roupa de mesa, sem esquecer o banho; a gama Vintage Folk da Almeida, que revisita a tradição; a primeira colecção própria da Bordalima com o bordado como fonte de inspiração e força motora;… Mas as novidades apresentadas pelos expositores nacionais em Frankfurt não se limitaram à veia criativa, tónica inovadora nem ao carÁcter ecológico que marcaram muitas das colecções. A Heimtextil 2008 foi também o palco eleito pela Mundotêxtil para apresentar a Centa-Star, resultante da joint-venture com a centenÁria empresa alemã do mesmo nome, especialista em roupa de cama; pela Lameirinho para revelar o seu novo logótipo e a nova gama de têxteis-lar técnicos; pela Coelima para estrear a sua recém-adquirida marca Nicoleta, caracterizada pela irreverência e modernidade; pela Sorema para lançar a Gracioza Collection, que é muito mais do que uma colecção graciosa; ou ainda pela Adalberto Estampados para mostrar a sua nova tecnologia de acabamento Hi! Embora os novos espaços “More” nada pudessem fazer pelo desvalorização do dólar, que tanto penaliza as numerosas empresas nacionais que têm nos EUA o seu primeiro ou segundo mercado, conseguiram literalmente “eliminar” a ameaça amarela. Também os muitos compradores que por aqui circularam tinham como critérios de compra outros que não o preço, e só aí pareciam encontrar o que buscavam: a perfeição em forma de têxtil-lar. RegistÁmos menos visitantes do que na edição passada, mas de maior qualidade», afirmou Gabriel Ribeiro, responsÁvel de marketing e desenvolvimento de projecto da B. Sousa Dias. Tivemos bastantes clientes novos», acrescenta Rogério de Matos, administrador da Mundotêxtil. Uma opinião que é partilhada pela nova directora de marketing da Lameirinho, Isabel Aragão. Quem entra no stand, vem para fazer negócio», sublinha António Leite, director comercial da Fateba. Foi de longe a nossa melhor edição», concluiu o director comercial da Home Concept, Ricardo Lemos. Nos restantes halls, as opiniões dividiam-se entre melhor (Bordalima), igual (Bento Ferreira) e pior (Pereira da Cunha) do que na edição passada. A concorrência asiÁtica estava mesmo ali ao lado e marcar a diferença parecia mais difícil, ainda que esta fosse bem visível. Na próxima edição do Jornal Têxtil poderÁ conhecer em detalhe, numa reportagem alargada, as grandes novidades apresentadas pelos expositores portugueses, os seus principais testemunhos, os futuros planos da Associação Selectiva Moda para esta feira e as considerações que Olaf Schmidt, director das feiras têxteis-lar e vestuÁrio da Messe Frankfurt para todo o mundo, teceu sobre a participação portuguesa na Heimtextil 2008.