Melka prepara-se para deslocalização

A multinacional detida pelo grupo britânico William Bird está a ser alvo de uma estratégia de deslocalização, que está a afectar várias multinacionais estabelecidas no nosso país. O baixo custo de mão-de-obra de países como a China, Vietname e Indonésia é o principal factor que leva as empresas a transferirem a sua produção em busca de um aumento dos lucros. O Jornal Têxtil contactou a empresa que se recusou a prestar declarações à imprensa pois está a tratar do assunto internamente e não pretende especulações em torno do mesmo, mas confirmou o encerramento. Esta notícia foi também confirmada por António Marques, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios e Vestuário do Sul, que acompanha a empresa Melka há mais de 15 anos. O dirigente sindical adiantou ao Jornal Têxtil que naquela região as empresas estão a seguir uma «linha de deslocalização». A empresa de Palmela que emprega cerca de 170 funcionários irá proceder a um despedimento colectivo pagando todo o tipo de prémios e indemnizações a que os trabalhadores tenham direito, um valor que deverá rondar os 2,5 milhões de euros, incluindo três meses de salário, subsídio de férias e restantes indemnizações. O encerramento da Melka não se deve a questões económico-financeiras já que, segundo os últimos resultados da empresa do ano 2001 adiantados por António Marques, «todos os indicadores económicos da empresa subiram» e a empresa ainda apresenta cerca de 11 mil horas de faltas que não foram pagas. O dirigente sindical salientou ainda que o que está em causa não é a situação financeira da empresa, mas sim «a perspectiva de aumentar os lucros com mão-de-obra mais barata em países com a China, o Vietname e a Indonésia». A empresa de vestuário conta com um património que ronda os 125 milhões de euros que, segundo adiantou ao Jornal Têxtil António Marques, «será agora vendido à indústria automóvel que abunda na região, o que vai render umas dezenas de milhar de contos». A Melka não é a primeira empresa da região sul a abandonar Portugal para procurar custos de mão-de-obra mais baixos. E o sindicalista não escondeu a sua preocupação com as duas fábricas da Melka que ainda operam em território nacional, ambas no Cacém, que, como acrescenta Marques, «com esta linha de pensamento» o mais provável é que venham a ser encerradas também.