A abordagem foi apresentada por Daniela Xavier, diretora-geral da empresa, durante a talk “Inovação e Sustentabilidade da ITV na Capital Verde”, que referiu que a sustentabilidade foi integrada «muito cedo» na atividade da empresa de confeção, impulsionada também pelas exigências dos clientes. «Assumimos compromissos claros ao nível das boas práticas ambientais, sociais e éticas», sublinhou.
Entre as prioridades definidas pela Fermir está a redução do consumo de água, particularmente relevante devido aos processos de estampagem, através da implementação de medidas de otimização e controlo mais rigoroso dos consumos. Em paralelo, a empresa tem vindo a reforçar a eficiência energética e a aposta em fontes renováveis, com a instalação de painéis fotovoltaicos e o recurso crescente a energia verde.
Outro dos focos passa pela gestão de resíduos têxteis. Desde 2019, a Fermir desenvolve projetos de reciclagem em parceria com empresas especializadas, encaminhando resíduos de estampagem para transformação em fio, numa lógica de economia circular. «Conseguimos reintroduzir estes materiais no setor produtivo, reduzindo o desperdício e contribuindo ativamente para um modelo mais circular», explicou Daniela Xavier.
A empresa monitoriza igualmente as emissões associadas ao transporte e logística, tendo começado em 2023 a acompanhar as emissões terciárias relacionadas com cerca de 60% da produção. O objetivo passa por otimizar cargas, rotas e transportes, reduzindo o impacto carbónico da operação.
Para garantir o cumprimento das metas ambientais, a Fermir conta com uma equipa dedicada de 13 elementos focados na área da sustentabilidade, responsável pela definição de indicadores, objetivos e relatórios partilhados com clientes e entidades externas. Entre os principais indicadores destacados estão a redução de 4,2% da pegada de carbono, a utilização de 100% de matérias-primas sustentáveis e a diminuição de 5% nas emissões de CO2 terciárias.
No plano industrial, a empresa tem vindo também a investir em novas tecnologias produtivas capazes de minimizar desperdícios e tornar os processos mais sustentáveis. Entre os equipamentos recentes destaca-se uma máquina de corte automatizada, que aumenta a precisão e reduz desperdícios têxteis, bem como uma máquina de estampagem híbrida que elimina consumíveis associados a processos menos sustentáveis.
Investigação aplicada
A Fermir está também envolvida em vários projetos de investigação e desenvolvimento ligados à reutilização e valorização de têxteis. Um dos exemplos apresentados foi um projeto desenvolvido em consórcio com o grupo Sonae, através da marca MO, que permitiu recuperar peças de vestuário já produzidas através de processos de reestamparia.
«O desafio lançado pela MO consistia em recuperar uma peça já produzida que não podia seguir para loja na sua forma original», explicou Daniela Xavier durante a apresentação. «Conseguimos desenvolver uma solução de reestamparia que permitiu reaproveitar o produto e evitar desperdício. O projeto terminou com sucesso em maio e esta peça deverá entrar no mercado muito brevemente», anunciou.
Outro projeto atualmente em desenvolvimento incide sobre tecnologias de descoloração de estampados, permitindo remover ou alterar padrões têxteis e prolongar o ciclo de vida das peças. «Mais do que resultados técnicos, estes projetos mostram como a inovação pode transformar desperdício em valor e afirmar a sustentabilidade como uma oportunidade real», defendeu a diretora-geral.
Regresso ao crescimento
À margem da talk, em declarações ao Portugal Têxtil, Daniela Xavier revelou que 2025 «foi um ano muito bom, com resultados positivos expressivos», em que a empresa atingiu 40 milhões de euros de faturação, representando um crescimento de cerca de 18% face ao ano anterior.
A tendência positiva mantém-se em 2026. «No primeiro trimestre crescemos 20% e em abril já estávamos com um crescimento de 30% em comparação com o ano passado», revelou Daniela Xavier, embora ressalvando a necessidade de prudência perante a instabilidade internacional. «Cada mês é um desafio», frisou.
Atualmente, cerca de 90% do negócio da Fermir – que emprega diretamente 202 pessoas e, indiretamente, cerca de 2.000 – está concentrado no mercado europeu, embora a empresa esteja também a reforçar a presença nos EUA. «Entrámos nos EUA no ano passado com novos clientes, mas ainda não têm uma expressão significativa nos nossos números», desvendou Daniela Xavier.
Apesar da cautela em relação ao contexto macroeconómico internacional, as perspetivas para este ano permanecem positivas. «Tínhamos previsto um crescimento de cerca de 15%, mas acredito que o vamos superar», concluiu Daniela Xavier.










