Medidas para a indústria têxtil não libertar microfibras

Uma nova iniciativa direcionada para responder ao problema das microfibras na fonte pretende avançar soluções para reduzir a libertação destas partículas durante o processo produtivo e tornar a indústria têxtil mais ecológica. Um conjunto de recomendações já foi tornado público.

Liderado pelo Forum for the Future em parceria com o Ramatex Group, o Nanyang Environment and Water Resources Institute (NEWRI) e a Universiti Teknologi Malaysia (UTM), o projeto, denominado “Tackling Microfibres at Source: Investigating opportunities to reduce microfibre pollution from the fashion industry through textile design and manufacturing innovation”, está a partilhar recomendações sobre como os produtores de têxteis, as marcas e os retalhistas podem dar passos para reduzir a poluição por microfibras.

Estas recomendações têm por base um estudo realizado ao longo de 21 meses para perceber que processos produtivos tinham maior impacto na libertação de microfibras, providenciando oportunidades para a inovação e desenvolvimento de soluções capazes de minorar o problema.

Da água às matérias-primas

O projeto aponta a importância de um bom sistema de tratamento de águas residuais, capaz de diminuir ou eliminar as microfibras e de recorrer a tecnologias que usam menos água, energia e químicos no tingimento, em vez dos processos tradicionais por imersão, por exemplo. «Se queremos verdadeiramente combater o problema da poluição por microfibras na produção têxtil, temos de criar as fundações que podem acelerar a mudança para soluções mais transformadoras. Por outras palavras, antes destes investimentos serem efetuados, precisamos de colaborações entre marcas e fornecedores que partilhem de forma mais equitativa os riscos dos investimentos e o peso dos riscos envolvidos em grandes mudanças de processo, criando relações fortes para resultados win-win. Encorajamos fortemente todos os stakeholders a iniciarem a conversa sobre microfibras e soluções de tingimento com os seus clientes e fornecedores, enquanto área madura para inovação e mudança e uma nova oportunidade para colaboração», refere o relatório do estudo.

Das recomendações consta igualmente a atenção à seleção das matérias-primas e tipos de fio. «Materiais sintéticos como poliéster são resultantes de combustíveis fósseis e não se biodegradam, mantendo-se no meio ambiente por muito tempo, ao mesmo tempo que impulsionam as mudanças climáticas. Contudo, fibras naturais como o algodão têm também impacto no ambiente e, atualmente, estudos emergentes indicam que podem persistir no ambiente por períodos mais longos do que o esperado. O poliéster reciclado, embora feche o ciclo dos materiais, por outro lado aumenta a procura por ainda mais plástico», exemplifica.

Como última recomendação à indústria, o estudo sublinha a necessidade desta assumir a liderança o quanto antes. «Embora atualmente não haja padrões nem regulamentação sobre as microfibras, esta é uma boa oportunidade para os atores da indústria demonstrarem liderança num novo desafio. Com a regulamentação num horizonte próximo, é previdente manter-se à frente», conclui.