Marcas sob suspeita

As empresas no Bangladesh que produzem sportswear para os patrocinadores dos Jogos Olímpicos (JO) Adidas, Nike e Puma foram acusadas de agredir, abusar verbalmente, pagar salários abaixo do devido e exigir horas extraordinárias excessivas dos seus funcionários, segundo uma investigação da War on Want. Um relatório publicado no início do mês afirma que os trabalhadores das três empresas foram fisicamente abusados, com dois terços dos trabalhadores de uma das fornecedoras da Puma a afirmar que foram espancados, empurrados ou tiveram o cabelo puxado pelos seus superiores. O relatório acrescenta que uma em cada 10 mulheres foi forçada ou ameaçada a despir-se no local de trabalho, com mais uma em cada 10 a afirmar que sofreu outras formas de assédio sexual. Segundo o mesmo relatório, os trabalhadores para a Adidas mais mal pagos recebiam um salário base de 0,72 libras (0,87 euros) por dia, menos do que o salário mínimo de cerca de 0,95 libras por dia. O salário médio para os trabalhadores das três empresas rondava as 1,18 libras por dia. Cerca de 30% a 40% do pagamento dos trabalhadores corresponde a horas extraordinárias. O pagamento total aos trabalhadores, incluindo horas extras, foi de 5.600 taka (52,09 euros) por semana, o que corresponde a 16 cêntimos de libra por hora. «Lord Coe [presidente dos Jogos Olímpicos de Londres 2012] chamou aos Jogos “uma poderosa alavanca de mudança, melhorando vidas em todo o mundo”. No entanto, esta pesquisa mostra os terríveis abusos cometidos por uma empresa que os Jogos apoiam», afirmou Murray Worthy, da War on Want. «Devem exigir que os seus parceiros oficiais respeitem os direitos humanos básicos, onde quer que operem. Esperamos que tornem claro que acreditam que estas condições são completamente inaceitáveis», acrescentou. Em resposta às acusações, a Adidas afirmou não estar a fazer o sourcing de produtos para os Jogos Olímpicos no Bangladesh. Acrescentou ainda que faz monitorizações regulares aos seus fornecedores e que desde 2006 contratou os serviços de uma ONG de mulheres no Bangladesh para entrevistar os trabalhadores e de forma independente fazerem relatórios com as suas preocupações e questões resultantes. «Estamos muito preocupados com as alegações que foram feitas pelo relatório Race to the Bottom e mobilizamos uma equipa de especialistas em trabalho para as investigar», indicou a empresa. «As nossas conclusões preliminares apontam para algum assédio verbal, mas não fomos capazes de corroborar quaisquer alegações de abuso físico. As nossas investigações não são conclusivas e continuam. Também abordamos a War on Want para lhes pedir as conclusões específicas para a fábrica em questão, para que possamos rever e responder a cada uma das suas preocupações. A nossa principal prioridade é a salvaguarda dos trabalhadores de qualquer situação onde sejam sujeitos a um comportamento abusivo e queremos manter o nosso compromisso de assegurar que são cumpridos todos os requisitos legais, incluindo salários e os limites de horas de trabalho», assegurou a Adidas. Também um porta-voz da Nike revelou que a empresa está a investigar estas alegações. «A Nike toma muito a sério as condições de trabalho nas nossas fábricas subcontratadas. Todos os fornecedores da Nike têm de aderir ao nosso Código de Conduta. Estamos a investigar as alegações que surgem no relatório e iremos trabalhar com os subcontratados para responder imediatamente a quaisquer violações do nosso Código», assegurou.