Marcas na Moda – Parte II

No inquérito de conjuntura realizado pelo Observatório Têxtil do CENESTAP e publicado no JT de Abril as empresas inquiridas realçaram a aposta na produção de marca própria. Das empresas detentoras de marca, cerca de 70% declararam ter mantido ou mesmo aumentado a produção face a 2003. No sentido de aprofundar esta análise procedeu-se à elaboração de um novo inquérito, agora dirigido às marcas.

Para além da caracterização geral da empresa respondente, o inquérito às marcas abordou um conjunto de questões relativas ao tipo de produtos e segmento onde a marca se posiciona, assim como, o ano de lançamento, a evolução do volume de negócios, os canais de distribuição, os mercados destino e por fim as formas de sourcing.

Foram inquiridas 28 das maiores marcas nacionais abrangendo os sectores da confecção (homem, senhora e criança) e têxteis-lar.

Caracterização Geral das Empresas Inquiridas

A análise apresentada incide sobre as respostas de 26 empresas com dimensões distintas em termos de volume de negócios e de emprego. No entanto predominam as empresas de pequena dimensão, uma vez que, apenas 32% das empresas que forneceram esta informação apresenta um volume de negócios superior a 10 milhões de euros.

Já no que se refere ao número total de trabalhadores empregue pelos inquiridos, de acordo com os dados fornecidos ascendia a 4.094 efectivos correspondendo a uma média de 164 trabalhadores por empresa. Este valor reflecte o facto de a maior parte das empresas ser de vestuário e portanto mais intensivas em mão-de-obra do que a média da ITV.

Por fim, relativamente à percentagem das exportações no volume de negócios, em termos médios 47% das vendas dos inquiridos destina-se ao mercado externo sendo de realçar que 45% dos inquiridos exporta mais de 60% do volume de negócios.

Caracterização Geral das Marcas Inquiridas

Entre as marcas analisadas, prevalece o vestuário de Homem e de Senhora responsáveis mais de 65% das respostas, sobressaindo a aposta no vestuário casual com um peso de 48% das respostas. Refira-se, no entanto que algumas marcas estão a produzir simultaneamente para diferentes segmentos, por exemplo, a produzir vestuário casual e formal, ou vestuário casual e sport.

 

 

 

Na generalidade é visível que a aposta nas marcas por parte do tecido industrial português é um facto relativamente recente. Com efeito, 46% das marcas inquiridas lançaram-se depois de 1990, 33% das quais lançadas no ano transacto. Contudo, apesar de recentes têm registado um volume de vendas crescente nos últimos três anos. Numa altura em que o volume de negócios da ITV cai pelo terceiro ano consecutivo, as vendas de marca própria das empresas inquiridas aumentam 11,2% em 2003 e 7,8% em 2004.

 

 Valores apresentados em índice (2002 = 100)

 

Foi solicitado às empresas detentoras das marcas que indicassem os canais de distribuição dos produtos dividindo-os por multimarca e monomarca e neste segundo, indicando o número de lojas próprias e franchizados. De acordo com os resultados obtidos, destaca-se a venda em lojas multimarca, contudo, as lojas monomarca e em particular, as lojas próprias assumem já um papel de relevo entre as marcas inquiridas. Em média cada marca inquirida detém 8 lojas próprias e 6 franchisados.

A grande maioria das marcas de vestuário inquiridas tem actividade internacional embora esta assuma contornos bastante diferenciados. Se por um lado temos empresas com exportações marginais, por outro temos empresas que produzem quase exclusivamente para o exterior. Ainda assim, em termos gerais o grosso das vendas é efectuado no mercado nacional (73,8%). No que respeita aos destinos externos verifica-se uma grande dispersão de destinos evidenciada pelas respostas destacam-se apenas a Espanha. Nos têxteis-lar o peso do mercado nacional é também maioritário sobressaindo os EUA como mercado de exportação preferencial.

 

 

 

Por fim, no que respeita às formas de fornecimento, as respostas colocam a produção própria como principal forma de sourcing, responsável por 52% da produção das marcas inquiridas. Os elementos disponíveis relativamente à internacionalização das empresas inquiridas sugerem que uma em cada cinco empresas tem investimentos directos no estrangeiro onde produz parte da marca.

Embora seja do conhecimento geral que as empresas portuguesas dos chamados sectores tradicionais se situem em fases da cadeia de valor geradoras de pouco valor acrescentado, os dados do inquérito às marcas demonstram que 48% das empresas coloca a produção em terceiros sendo também expressivo o número de empresas que compra a produção no exterior posicionando-se assim nos últimos níveis da cadeia de valor.