Um artigo recentemente publicado no site www.britcham.org aborda a verdadeira loucura por artigos de vestuário de marcas famosas vivida actualmente na cidade chinesa de Xangai. No artigo em questão é descrita uma rua de Xangai, na qual, numa extensão de 500 metros, entre o Portman Ritz-Carlton e o Westgate Mall, podemos encontrar literalmente centenas de nomes mundialmente famosos no mundo da moda e vestuário, como a Louis Vuitton, Chanel, Prada, Cartier, Fendi, Hugo Boss e Trussardi, presentes em lojas oficiais das referidas marcas. Mas a escassos quarteirões de distância, no mercado de Xiangyang, encontram-se artigos das mesmas marcas, mas certamente não com a mesma qualidade, fruto da contrafacção que grassa naquele país asiático. Estes sinais revelam bem a autêntica euforia que se vive presentemente na China, em torno dos produtos das mais prestigiadas marcas. Em relação aos estilistas britânicos, a questão é ainda mais grave, dado que até há poucos anos atrás ninguém na China ouvira falar de Alexander McQueen, Stella McCartney ou Vivienne Westwood, e a esmagadora maioria dos chineses imaginava os britânicos como senhores gorduchos de meia-idade, de guarda-chuva e chapéu de coco. Este facto abre naturalmente caminho à proliferação de artigos contrafeitos e que imitam aqueles efectivamente criados pelos designers britânicos e fabricados com a sua autorização. Neste campo, Robert Epstone, presidente da European Fashion Network, tem vindo a coleccionar dados sobre algumas marcas chinesas, obviamente inspiradas em nomes bem ocidentais e reconhecidos no mundo da moda. Assim, entre as muitas fotografias tiradas por este especialista do mercado das marcas, encontram-se dezenas de lojas com nomes como Jieny Verseace, Pual Cardon ou Airbani inscritos nas suas fachadas. Não podemos falar neste caso de artigos contrafeitos, mas antes de marcas, genuinamente chinesas, que se inspiraram em insígnias ocidentais (francesas, italianas ou americanas) para comercializarem os seus próprios produtos made in China. A European Fashion Network é uma empresa que actua no segmento do vestuário, realizando estudos de mercado para as marcas que pretendam implantar-se no enorme a apetecível mercado da China, e prestando-lhes consultoria ao nível do retalho, vendas e merchandising. Além disso, a EFN detém igualmente diversas licenças de distribuição e venda de produtos naquele país asiático, contando-se entre os seus parceiros nomes como Vivienne Westwood, Gabicci, Peter Golding, Reiss, Sanderson e Teletubbies. Outra área de intervenção da referida empresa é a pesquisa e detecção de fabricantes de vestuário chineses, capazes de assegurar a qualidade dos seus produtos, a ponto de serem sub-contratados pelas grandes marcas internacionais, o que não tem sido uma tarefa fácil para Robert Epstone e a sua equipa, uma vez que existem na China mais de 45.000 empresas produtoras de têxteis e vestuário. A China constitui assim, ao mesmo tempo, uma oportunidade e uma ameaça para as maiores marcas de vestuário do mundo, ficando no ar a seguinte questão: o que irá prevalecer, a vontade de imitar as marcas ocidentais ou uma aposta efectiva no design e criatividade dos fabricantes e estilistas chineses?…











