Marcas falsificadas vão de Portugal para Espanha

Em Espanha estão a tornar-se cada vez mais frequentes as apreensões de vestuário contrafeito produzido em Portugal, noticia o jornal Diário de Notícias. Segundo o mesmo jornal, esta situação contribui para que Portugal adquira uma imagem prejudicial de fonte de produção de roupa falsificada. Com o cada vez maior número de pequenas fábricas e ateliers na sua maioria clandestinos, a situação começa a gerar polémica nos meios industriais e comerciais espanhóis, levando a Guarda Civil a actuar com maior insistência nas fronteiras. Uma das maiores apreensões do ano foi, segundo o DN, em Maio deste ano, altura em que as forças policiais apreenderam na fronteira de Fuentes de Onoro (Vilar Formoso), um conjunto de roupa no valor de 780 mil euros. De acordo com o DN, a Galiza é uma das zonas onde a roupa falsificada portuguesa tem melhor acolhimento, sendo vendida em feiras e mercados. Segundo a Guarda Civil da Galiza, a maior parte das 15 mil peças apreendidas nessa região em 2000, tinham sido fabricadas em Portugal. Esta é uma acusação suportada também pela dirigente da Associação Geral para a Defesa da Marca (Andema), Soledad Rodríguez, que afirma que “Portugal é uma das portas de entrada mais importantes deste tipo de produtos falsificados”. O Diário de Notícias refere mesmo que recentemente, um especialista espanhol comentava ao meio de comunicação especializado, “Todoexpertos”, que era habitual encontrar “roupa falsificada de marcas como Calvin Klein, Ralph Lauren e Lacoste em feiras de Portugal”. E questionava: “Se isso é ilegal, porque o permitem (as autoridades)? E onde conseguem essas peças de vestuário?”. No entanto, nem toda a roupa falsificada passa para Espanha, muita é vendida em Portugal. Mas o interesse de alguns grupos portugueses não se fica só pela roupa. Em Junho, uma operação em quatro províncias espanholas (Almería, Pamplona, Palma de Maiorca e Barcelona), levada a cabo em conjunto pela Guarda Civil e pela Polícia Nacional, terminou com a detenção de 13 pessoas, seis portugueses e sete italianos, acusados de falsificar e vender máquinas de diversos países do Extremo Oriente, às quais trocavam os elementos de identificação originais por outros de marcas como a Bosch ou a Hitachi.