Marcas desportivas levam cartão vermelho

No momento em que se preparam para mostrar as suas mais inovadoras criações nos relvados alemães do Campeonato do Mundo de Futebol 2006, as marcas desportivas Nike, Adidas e Puma são criticadas pela Oxfam Internacional por não fazerem o suficiente para proteger os trabalhadores que as fabricam. No novo relatório “Fora de jogo! Direitos do trabalho e produção de vestuário desportivo na Ásia”, a Oxfam revela que muitas pessoas que fabricam vestuário e calçado para as marcas de desporto foram despedidas ou ameaçadas violentamente quando organizaram sindicatos para lutar por melhorias das condições de trabalho e dos salários.A ONG considera que nenhuma das grandes marcas está a fazer o necessário para solucionar o problema- e coloca a Fila no fundo da liga em termos de resposta aos sérios abusos aos trabalhadores da sua cadeia de fornecimento. «O direito dos trabalhadores em formar sindicatos é fundamental para alcançar-se as melhorias necessárias no relvado fabril, mas muitas marcas continuam a não querer jogar correctamente», declara Kelly Dent, porta-voz da Oxfam Internacional e co-autora do relatório. Dent alega ainda que pouco mudou desde a “Play Fair Alliance”, que desafiava a indústria a melhorar as condições de trabalho em 2004. O relatório da Oxfam, que examina 12 marcas de desporto, revela também que, um ano depois do seu súbito encerramento, a Fila ainda não indemnizou nenhum dos seus 3.500 trabalhadores. Outro caso denunciado pela Oxfam é o da fábrica de Panarub, na indonésia, que produz as chuteiras Predator Pulse publicitadas pelo inglês David Beckham, pelo francês Zinedine Zidane, pelo espanhol Raul e pelo brasileiro Kaka. Trinta trabalhadores sindicalizados foram despedidos por terem tomado parte numa greve legal com o objectivo de conseguir um aumento no seu salário de 60 cêntimos por hora de trabalho- e, aparentemente, a Adidas recusou ajudar os 30 despedidos a recuperarem os seus postos de trabalho.Apesar disto, o relatório da Oxfam afirma que a Adidas, a Nike, a Puma e a Asics contribuíram para algumas melhorias- e que a Reebok fez o máximo em prol dos direitos dos trabalhadores do vestuário desportivo na Ásia. No entanto, a ONG adverte que o desempenho da indústria no seu todo é fraco. Em resposta ao relatório da Oxfam, a WFSGI (World Federation of the Sporting Goods Industry) reconhece que um dos mais complexos problemas dos seus membros é o direito para organizar e o direito para negociar colectivamente. «Algumas OGNs crêem que as marcas de desporto podem ditar as condições de trabalho nos seus fornecedores», declara a WFSGI. «Mas uma vez que a maioria das marcas desportivas não é proprietária dessas fábricas, elas não podem controlar ou impor mas podem certamente influenciar a mudança. Durante os últimos anos, as marcas de desporto facilitaram a introdução de algumas melhorias nas normas de segurança, saúde e trabalho em muitas fábricas». A WFSGI acrescenta que «as soluções destes problemas não estão em nós mas sim no governo e na sociedade civil. Estamos preparados a trabalhar local e globalmente dentro das nossas esferas de influência para fazer a diferença».