Marcas chamadas a cumprir novas exigências

A Fashion Revolution está a exigir, aproveitando a COP28, que as grandes insígnias de moda criem metas climáticas sérias e sejam mais transparentes, incluindo quanto ao país de produção do vestuário, quantidades feitas e salário dos trabalhadores envolvidos.

[©Unsplash-Markus Spiske]

«Para além de ser uma das indústrias com maior desigualdade na Terra, a indústria da moda é uma das mais implacáveis para os recursos do nosso planeta. Produz vestuário em níveis que nem podemos quantificar porque a maioria das marcas nem sequer revela quanto produz. Depende fortemente de combustíveis fósseis, como carvão, na produção, sorve água em regiões onde é escassa, usa milhares de químicos e gera níveis recordes de desflorestação», retrata Maeve Galvin, diretora de política da Fashion Revolution.

No documento, pensado para divulgar na COP28, onde a Fashion Revolution está presente com diversas iniciativas, a organização pede às marcas para estabelecerem objetivos climáticos sérios juntamente com os seus fornecedores, publicar um plano para responder a esses objetivos e partilhar como pretendem atingir esses objetivos.

As exigências – que foram estabelecidas em conjunto com outras associações, como a Stand.Earth, a Eco-Age, a Action Speaks Louder e a Transformers Foundation – incluem ainda um reforço da transparência em áreas como o local de fabrico das roupas, a quantidade produzida e como e de que materiais são feitas.

Simultaneamente, a Fashion Revolution pede aos políticos que assegurem, através de legislação, que as marcas de moda são responsabilizadas pelas ações em termos ambientais e sociais.

Para a organização, a COP28 é uma oportunidade única para responsabilizar as grandes marcas de moda em relação à urgência de acabar, faseadamente, com a dependência dos combustíveis fósseis e acelerar a utilização de recursos renováveis para responder ao atual caos climático.

«A nossa mais recente investigação mostra que as marcas são rápidas a partilhar compromissos, mas muito mais caladas em relação aos verdadeiros impactos», sublinha Liv Simpliciano, diretora de política e investigação da Fashion Revolution. «Acreditamos que as grandes marcas e os governos devem apoiar financeiramente a transição para energia renovável em países produtores de vestuário e a COP28 deve ser usada como uma plataforma para chegar a um acordo sobre quem paga isso e como. As marcas de moda devem usar tanto o seu dinheiro quanto falam e fazer compromissos financeiros que partilhem os riscos com os fornecedores na sua cadeia de aprovisionamento. Ações lideradas pelos fornecedores e apoiadas pelas marcas são a única forma de verdadeiramente descarbonizarmos a produção de moda», acrescenta.

A Fashion Revolution sublinha ainda que a responsabilidade social é fundamental e lembra a repressão sofrida pelos trabalhadores do Bangladesh, que têm reivindicado melhores condições. As exigências incluem, por isso, que as marcas de moda revelem quantos trabalhadores na sua cadeia de aprovisionamento recebem um salário de sobrevivência e que preços as marcas pagam por peça aos seus fornecedores.