Maquitex à procura de confiança

Definitivamente, este não foi o «ano daMaquitex». Na 15.ª edição da exposição internacional de máquinas e acessórios para a indústria têxtil e de confecção, que ocorreu entre os dias 12 e 15 de Fevereiro, o número de expositores decresceu, de 300 em 2001, para cerca de 100 em 2004, assim como o número de visitantes, que em 2001 foi de cerca de 20.000 e em 2004 foi de 14.000.

O director do evento,Filipe Gomes, lamentou a fraca adesão, mas extrai um diagnóstico feito de «sinais de confiança na futura recuperação económica», enaltecendo a aposta feita pelos empresários na Maquitex 2004. «As feiras são – por excelência – cada vez mais um espaço de comunicação para o mercado, onde o custo de participação pode exponenciar fortes retornos negociais e notoriedade empresarial», sublinha o responsável da Feira Internacional do Porto. A mostra concentrou sobretudo empresas nacionais, revelando que aconsolidação da aposta na internacionalização do certame não se concretizou.

No entanto, na opinião dos expositores e visitantes a fraca adesão ao certame, teve não tanto a haver com a conjuntura, mas mais com a data proposta pela Exponor que consideraram inadequada, tendo em vista a realização da ITMA em Outubro e da IMB em Maio, e com as condições que a organização oferece aos expositores.

O Jornal Têxtil (JT) falou com algumas empresas presentes, e teve uma agradável surpresa. No geral, as empresas, apesar de se mostrarem desiludidos com a dimensão e movimento geral da feira, estavam muito satisfeitos com os resultados individuais. Para esta aparente contradição, apresentaram uma explicação: os visitantes foram de maior qualidade, estabelecendo contactos muito profissionais e com boas perspectivas de continuidade.

A Digidelta, empresa especializada em equipamentos e consumíveis deimpressão digital, apresentou uma nova máquina de impressão digital têxtil directa, com tintas pigmentadas. Segundo o responsável da empresa, «a nossa presença na feira foi positiva em termos de divulgação desta tecnologia inovadora e os contactos efectuados apresentam grandes possibilidades de retorno em termos de negócio».

A delegação portuguesa da Porini,empresa italiana de consultoria de organização empresarial e informática, actuando exclusivamente no sector têxtil e de confecção foi cautelosa na sua apreciação dos resultados da sua presença nesta edição da Maquitex, salientando a sua perda de impacto e importância no sector, mas revelou que o número e qualidade de visitantes ao stand surpreendeu pela positiva. A Poriniapresentou os últimos desenvolvimentos do seu software de gestão destinado às indústrias têxtil e de confecção, G-Tex e da sua solução para área de desenvolvimento de colecções, C.D.S.

 

Para a Arbitex, que fornece máquinas para tricotagem, além de prestar todos os serviços de apoio complementares aos clientes, e que desde 1984, representa em exclusivo para Espanha e Portugal, o fabricante japonês de máquinas de tricotar rectilíneas Shima Seiki, «a Maquitex correu de forma satisfatória, tanto pelo volume de visitas, como pelas respostas dos nossos clientes. Pensamos que em tempos de mudanças, as propostas devem ser inovadoras. Assim, aArbitex e a Shima Seiki dobraram os seus esforços para transmitir uma mensagem positivadurante a feira». Entre a enorme variedade de equipamentos, esteve em destaqueo processo WholeGarmentde Shima Seiki, para desenvolver no tear, peças de malha sem costuras.

Uma das grandes novidade desta edição da Maquitex foi o pavilhão conjunto da Lectra e da Investrónica Sistemas, que faz todo o sentido após a compra da Investrónica Sistemas por parte da Lectra. A opinião dos responsáveis não destoou da opinião geral, quanto às criticas relativamente à data escolhida e condições oferecidas pela organização, mas o registo de visitantes e a sua avaliação qualitativa, feita durante a feira, permite-lhes encarar esta presença com optimismo.

A colaboração entre a Exponor, o Departamento de Engenharia Têxtil (DET) da Universidade (DET) do Minho (UM) e o Departamento de Ciências e Tecnologia Têxtil (DCTT) da Universidade da Beira Interior (UBI), permitiu criar no interior da feira um espaço dedicado à inovação tecnológica, o «Espaço Inovação», tema de extrema relevância no momento actual da ITV nacional e europeia, onde estiveram expostos os projectos ultimamente desenvolvidos. Alguns dos projectos apresentados pelo DET da UM foram os projectos de controlo e gestão de linhas de produção de costura em tempo real e de controlo do processo de tingimento. O DCTT da UBI apresentou vários projectos, nomeadamente a avaliação objectiva do «pilling» nos produtos têxteis e a aplicação da tecnologia óptica no controlo têxtil. Também estavam expostos vários projectos desenvolvidos na área dos têxteis técnicos, e foi apresentado o «Guia Inprolan», subprograma Inprolan contemplado no projecto Texvision, e que visa promover e desenvolver novos produtos, métodos de trabalho e inovação que contempla dois subprogramas.

Ambas as instituições, pela voz de Joana Cunha, professora auxiliar do DET da UM e de Rui Miguel,Presidente do DCTT da UBI, revelaram-se muito satisfeitos com o resultados, que ajudou a divulgar o papel que as universidades desenvolvem em termos de investigação. Esta participação também permitiu chamar a tenção para o facto de, apesar das licenciaturas relacionadas com a ITV terem um deficit enorme de alunos, no sector, o desemprego, ao nível dos engenheiros têxteis, é nulo. A UM até distribuiu um folheto cujo título era «100% Engenharia / Desemprego 0%». Segundo a opinião dos dois docentes a realidade do sector, fundamental para a economia portuguesa, é muito diferente da imagem que se foi criando, em que aparecem com mais frequência os problemas do que os casos de sucesso.

A secretária de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, Rosário Ventura, foi uma das visitas do evento, demonstrando com a sua presença o apoio do governo ao sector da ITV.