Mango melhora logística

O grupo Mango tem-se mostrado muito ambicioso em relação ao seu desenvolvimento internacional. Segundo o jornal francês Journal du Textile, a grande concorrência e a recente subida dos preços imobiliários surpreenderam a marca e forçaram-na a abrandar o seu ritmo de aberturas. Daí as estratégias variáveis e, de vez em quando, desorientadas no decorrer destes últimos dois anos. «Nós pensamos que somos capazes de seguir duas estratégias bem distintas, uma delas consiste em abrir franchisings só fora da Europa e a outra abrir filiais na Europa», afirma Isak Helfon, director de desenvolvimento da Mango. Mas a realidade do mercado obriga a Mango a rever a sua estratégia. Isto porque uma tal política nos países europeus fica muito cara. Não é mais uma questão de abrir somente sucursais, mas instalá-las apenas nas grandes cidades, pois os franchisings estão reservados às cidades mais importantes. «Nas grandes cidades, nós preferimos instalar as lojas de grande dimensão, as casas-mãe. Elas dão-nos uma imagem, mesmo que ganhem menos dinheiro», reconhece Isak Halfon. Mas esta mudança de direcção é, a pouco e pouco, transformada num abrandamento prolongado. «Nós temos querido abrir várias lojas ao mesmo tempo. A nossa estratégia é muito ambiciosa e muito cara», reconhece Isak Halfon. O número de aberturas recentes traduzem logicamente este problema. Se a marca instalou uma centena de lojas suplementares em 1999, não abriram mais do que 55 em 2000 e 66 no ano seguinte, enquanto que os objectivos se elevavam a cerca de 90. Por essa razão, esta pausa não parece afectar os resultados financeiros do grupo. A Mango aumenta, assim, regularmente as suas vendas. Em 2000, o volume de negócios atingiram os 774, 44 milhões de euros e os dirigentes estimam um aumento de mais de 16% para 2001, o que permitirá atingir os 901,5 milhões. As recentes mudanças de estratégia não impedem o grupo de se expandir a nível internacional. Espanha contribuiu, ainda em 2000, com uma subida de 40% das vendas totais, contra 50% do ano passado. As vendas aumentaram também nos Pirinéus (+9%) e em Portugal (+6%), mas a um ritmo menos elevado. Nos países onde a implantação da marca espanhola continua importante, o abrandamento da expansão não se traduzirá em perdas, até pelo contrário. Em França, por exemplo, onde a Mango possuía 32 lojas no final do ano de 1999 e somente 10 dois anos mais tarde, as vendas subiram 32% em 2000. Mas há ainda muito a fazer. Em Paris, a Mango conta com cerca de 8 lojas, mas não está presente em cidades como Lyon e Bordéus. «No início abrandámos o desenvolvimento em França, mas nós contamos abrir cerca de 50 lojas suplementares daqui a dois ou três anos», assegura Isak Halfon. O mercado alemão conheceu o mesmo abrandamento, após uma rápida expansão entre 1999 e 2000. Em relação aos mercados mais longínquos, como o Próximo e Médio-Oriente, onde a marca está presente com cerca de 30 lojas, no Líbano, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Koweit, Qatar e em Marrocos, o grupo espanhol, mostra-se mais que satisfeito. Esta região contribui daqui para a frente, para aumentar 19% do volume de negócios total. A situação nos países de Leste continua incerta. Presente através de cerca de 20 lojas, a Mango acha a aventura dura, mas necessária. «O nosso objectivo é abrir lojas principais nas grandes cidades, seguidas de franchisings, porque são mercados promissores onde queremos estar presentes. Mas a curto prazo, são países difíceis», constata o director de desenvolvimento. A marca conserva a sua força dinamizadora, demonstrando as suas belas “performances” em certos mercados considerados difíceis para as marcas estrangeiras, tais como a Grã-Bretanha. No ano passado as vendas da Mango subiram mais de 300%. Assim, pode-se dizer que a marca espanhola investiu bastante no solo britânico, onde possui uma loja com 3.000m2 e onde todas as suas lojas, doze no total, são sucursais. A Mango quer ainda entrar no mercado dos Estados Unidos e do Canadá daqui a dois anos. «Nós esperamos que as barreiras aduaneiras diminuam, porque se trata de países muito protectores», explica o director comercial. Mas, para se atacar seriamente estes mercados onde a concorrência é dura, o grupo espanhol não se pode permitir a instalar loja por loja. «Isto custará muito caro. Vai ser necessário abrir várias lojas, pelo menos 15. Nós estamos a pensar procurar um parceiro para criar uma “joint-venture”», anuncia Isak Halfon. A Mango fabrica metade dos seus produtos na China e a melhor solução para o grupo será exportar directamente a partir deste país para os Estados Unidos, no sentido de reduzir os custos. A Mango prefere portanto, e por agora, procurar diminuir os seus custos e ganhar em rapidez. Estas são as escolhas provavelmente necessárias para não se deixarem ultrapassar pela concorrência, mesmo que esta sofra ainda do abrandamento económico e dos aumentos do preço imobiliário. Especialmente agora que a marca Zara parece tirar a sua “equipa de campo”, pelo menos tendo em consideração a diminuição do seu ritmo de abertura de lojas.