Mango cumpre sonho em Madrid

A retalhista espanhola investiu um total de 600 milhões de euros na abertura de 200 megalojas desde 2013, quando lançou uma estratégia de relançamento abrangente. O processo de transformação culminou esta semana com a abertura de uma nova flagship em Serrano, Madrid.

«A abertura marca a culminação de um processo que começou em 2013 para transferir o ADN da Mango para esta loja e 200 outras que estão espalhadas por todo o mundo. Esta loja em Serrano foi muito antecipada porque tivemos dificuldades em encontrar um espaço icónico em Madrid», revelou o vice-presidente executivo Daniel Lopez aos jornalistas.

A cadeia de moda está a apostar num formato de loja maior com uma área de venda entre 800 e 3.000 m2 e quase todas ou mesmo todas as linhas em stock, como forma de melhorar a experiência do consumidor. Em Portugal, a Mango inaugurou no passado mês de fevereiro, nos Armazéns do Chiado, em Lisboa, a sua maior loja em território nacional, com mais de 1.700 m2, elevando para quatro o número de megastores no nosso país (as outras três localizam-se no Porto, Algarve e Setúbal).

Daniel Lopez afirmou que a retalhista fez um esforço importante num curto período de tempo para atingir o objetivo de ter 200 megalojas. «Vamos continuar a um ritmo mais razoável para desenvolver mais este conceito com 60 a 70 lojas por ano», acrescentou.

O vice-presidente destacou ainda o empenho da Mango no omnicanal e na integração online/offline. «O consumidor tem de sentir e compreender o ADN da marca. Vendemos um conceito de moda que pode ser encontrado online mas, em termos de experiência, a loja física está no centro da experiência do consumidor», explicou.

Isso não significa que a Mango esqueceu o comércio eletrónico. «O objetivo da empresa é que as vendas online representem 20% de todo o volume de negócios em 2020», admitiu. Em 2015, o canal de comércio eletrónico gerou 243 milhões de euros e representou 10,7% do volume de negócios total.

Segundo Lopez, a loja em Serrano permite à Mango «praticamente concluir» o seu sonho em Madrid, que se soma às megastores já existentes em Orense, Gran Via e Goya. O programa ficará completo no final deste ano ou início de 2018, quando abrir a flagship store de 2.000 m2 em Preciados. «O nosso compromisso em Madrid é importante para nós e, com esta loja, a cidade vai atingir o mesmo nível que Barcelona ou Paris, porque temos um défice histórico de lojas aqui», referiu.

O responsável reconheceu que o compromisso da empresa para com a fast fashion, que está no ADN da marca, está a funcionar bem, com as lojas a receberem novos designs todos os dias graças ao facto das suas unidades produtivas estarem próximas dos seus mercados e ter uma boa cadeia de aprovisionamento. A Mango tem, contudo, investido também no conceito de sustentabilidade, tendo lançado uma nova coleção-cápsula com este princípio inerente (ver Zara e Mango comprometidas).

Recentemente, a empresa investiu 360 milhões de euros na construção de um novo centro logístico em Barcelona, que está completamente automatizado e é exclusivo da retalhista. «Não tem a ver com copiar o modelo da Inditex, tem a ver com fazer o que os nossos consumidores querem. Tem a ver com ser reativo», sublinhou Daniel Lopez.

A Mango, que fechou 2015 com vendas de 2,3 mil milhões de euros (+15% em comparação com 2014), planeia continuar a crescer nos mercados internacionais onde já tem presença. «Não estamos obcecados com a entrada em novos mercados. Queremos crescer na Europa, o nosso maior mercado, assim como no Médio Oriente, na Rússia, no sudeste asiático e na América Latina», enumerou o vice-presidente executivo, acrescentando que os EUA não estão na agenda da empresa, apesar de já estarem presentes no mercado.

Quanto ao lançamento de linhas adicionais, como artigos para a casa, tal como fizeram as rivais Inditex, Desigual e H&M, a retalhista de moda mantém-se prudente. «Não consideramos isso e a linha de acessórios para a casa não está no nosso radar neste momento», assumiu Daniel Lopez.