Mais expositores no Modtissimo

Nos passados dias 11 e 12 de Março, decorreu 23ª edição do Modtissimo, que mais uma vez apresentou o que de melhor se faz, em Portugal, na fileira têxtil e de moda. Organizado pela Associação Selectiva Moda, constituída pela Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), a Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios (ANIL), e conta com a parceria pública com o ICEP e com o apoio do PRIME. Juntos organizaram o que é o único Salão de Tecidos e Acessórios Europeus e Confecção Portuguesa, com uma clara aposta nos produtos nacionais e nos Têxteis Técnicos, Inteligentes e Funcionais.

 

Os números desta edição, a nível de visitantes, registaram uma ligeira subida em relação à edição anterior. Os visitantes nacionais foram 2637 e os estrangeiros foram 124, observando-se a nível destes últimos algumas alterações, nomeadamente no que respeita aos países. A Espanha mantém a sua liderança nas visitas ao Modtissimo, enquanto que o segundo e terceiro lugares sofreram alterações. A Itália foi o segundo país a procurar o salão da fileira têxtil e da moda nacional, enquanto que a Republica Checa, uma grande novidade, obteve o terceiro lugar.

 

Em relação ao vasto leque de expositores, registaram-se algumas novidades nos três grupos de fabricantes: fabricantes de tecidos e acessórios para confecção, confeccionadores e produtores de têxteis técnicos e funcionais.

 

No espaço dedicado aos fabricantes de tecidos e acessórios têxteis, registou-se um total de 104 expositores, tendo a A. Arinto, PTA, Roudiere Chargeurs Men’s Fabrics marcado a sua estreia no Modtissimo. Quanto à Gierlings Velpor, TMG, Sampaio & Ferreira e Somelos Tecidos voltaram a juntar-se ao grupo. Os novos fabricantes estrangeiros foram H. J. Hofert, Tecmoda, Frantissor Creations, Hijos de J. Bassols, Atex e Franceschini Fashion.

 

O Clube dos Confeccionadores teve 87 expositores, valor superior à edição anterior, também devido à parceria com a Alternativa Moda. Os estreantes foram Neto &Pinto, Interior, Fly Free, Tucha, Confevários, Gaseltex, e Arcos e Faria. Os regressos foram a Moritex , o grupo Têxtil Cães de Pedra, Têxtil Rogame e a Guilanda Têxteis.

 

Quanto às empresas de serviços, num total de 10, os novos expositores foram Finisaco e Karner Europe.

 

Na 6ª edição do Concurso Jovens Criadores Modtissimo, os alunos das principais escolas de moda moldaram os tecidos dos fabricantes nacionais ao sabor da sua imaginação. Estas criações desfilaram perante os visitantes dentro do recinto, mas não só, também o júri do concurso esteve atento. Nesta edição o júri foi presidido pela jornalista da L’Industrie du Textile, Valerie Couture, que teve ao seu lado a estilista Katty Xiomara e Vinhas dos Santos, representante da empresa Fábrica de Fiação e Tecidos Jacinto. Em primeiro lugar ficou Bárbara Silva, do Citex, patrocinada pela empresa Heliotêxtil, em segundo lugar ficou Maria Polónia, da Escola de Moda do Porto, patrocinada pela TMG e finalmente, em terceiro lugar, ficou Eliana Pinto, da Escola de Moda do Porto, patrocinada com os tecidos de LMA.

 

Na sua 4ª edição e na segunda parceria consecutiva com o Modtissimo, a Alternativa Moda decorreu paralelamente ao salão, prolongando-se por mais um dia. Registou um aumento substancial de expositores em relação à edição de Setembro de 2003. Segundo os organizadores da Alternativa Moda o encontro entre retalhistas correu bastante bem e com frutos no horizonte.

 

O Fórum Novos Talentos reuniu a imagem e a criatividade dos jovens criadores, finalistas dos cursos de moda. Os Fóruns de Tecidos e Confecção Portuguesa foram um espaço que proporcionou uma boa oportunidade para se conhecer de uma forma generalizada as colecções presentes no Salão. Os já habituais desfiles decorreram durante os dois dias do Modtissimo, às 12h00 e às 17h30, sendo que nesta edição tiveram uma grande adesão por parte dos expositores presentes, apresentando vários coordenados.

 

Sara Resende, da Karner Europe, grupo internacional que fabrica e comercializa cabides de plástico Tyco Internacional, Ltd. mostrou-se entusiasmada com a primeira participação no Moditissimo, incluída numa estratégia de marketing global da empresa no nosso país. «Foi uma aposta muito gratificante para a nossa empresa, e permitiu-nos contactos de um nível excelente».

 

Quanto à Moritex, empresa de confecção com 300 trabalhadores, duas marcas próprias e uma filial comercial em Espanha, João Magalhães realçou a importância da única feira nacional dedicada ao sector, referindo que «é importante as empresas nacionais estarem presentes, uma vez que desta forma dinamizamos o salão e só assim podemos atrair mais visitantes».

 

Desde a segunda edição do certame que a Albano Morgado “vestiu a camisola” do Modtíssimo. «Trata-se de uma feira incontornável para as empresas portuguesas, que marca a presença da nossa ITV em território nacional. Além de que tem sabido utilizar esta plataforma para “abrir” novos horizontes às empresas portuguesas, como foi o caso da bem-sucedida participação conjunta na Intertextile de Shangai», afirma Albano José Morgado, administrador da empresa, ao Jornal Têxtil. «Esta estação é sempre menos atractiva para o sector laneiro. No entanto, esta edição esteve claramente superior à de Março 2003. Em termos de espaço, observou-se aqui um importante salto qualitativo e, mais uma vez, a organização soube dar provas de grande eficiência e de contínua evolução. Tenho também que realçar a aposta nos novos talentos, que constitui uma excelente iniciativa».

 

Na sua 5ª edição, o Fórum Têxteis do Futuro, uma organização da Associação Selectiva Moda em parceria com o Citeve, registou um número recorde de expositores, que praticamente duplicou. Para além de empresas têxteis e de vestuário, este Fórum contou com a participação, pela segunda vez, de empresas de produtos químicos e com a estreia de empresas de equipamento de produção de têxteis técnicos, como por exemplo tecnologias para revestimento e laminagem, cujas potencialidades foram demonstradas por via do produto. No total foram 17 empresas, que incluíram as repetentes LMA, Lousafil, Malhas Norte Sul e Segurvest e as estreantes António Almeida & Filhos/Tearfil, Augusto Guimarães & Irmão, Ciba, Endutex, Eurospuma, Fisipe, Foot by Foot, Gerber Technology, Hitzemann & Sampaio, Ibericafeltros, Maitex, Maquilectra e Restec. 

 

«De modo geral, a organização e o evento em si merecem, pela nossa parte, uma avaliação positiva. Em particular, é de realçar o trabalho de divulgação e a iniciativa do Fórum Têxteis do Futuro e de lamentar a pouca adesão de visitantes estrangeiros.O Modtissimo é a única iniciativa de âmbito nacional que proporciona uma divulgação da nossa ITV, permitindo um maior desenvolvimento e destaque da mesma no panorama nacional e internacional», revela Luís Xavier, responsável pela I&D do Produto da António Almeida & Filhos/Tearfil.«O Modtíssimo é um evento que proporciona uma divulgação do sector têxtil, permitindo um maior desenvolvimento e destaque do mesmo, no panorama nacional e internacional». A empresa, estreante no salão, mostrou todo o seuknow how numa vasta gama de têxteis técnicos e funcionais, como os tecidos e malhas com fibras Dri-Release com tratamento Freshguard, assim como tecidos e malhas com propriedadeseasy care, anti-bacterianas, anti-UV, ignífugas e terapêuticas. 

 

António Pereira, sócio-gerente da Foot by Foot, especialista em sistemas de colagem de diferentes tecidos, considera esta sua estreia no Fórum «bastante positiva, já que se trata de uma iniciativa única no mercado nacional, dirigida a empresas que apresentam produtos diferenciados, com valor acrescentado. A nossa estratégia vai inteiramente ao encontro dos objectivos deste Fórum: apostar cada vez mais em sectores com mais-valias, como o do automóvel ou o do vestuáriohigh tech». 

 

«A nossa participação, bem como a da nossa representada suíça EMS Griltech, foi muito gratificante e importante pelos contactos efectuados durante os dois dias do evento», revela Luis Botelho, responsável de vendas da Restec, que comercializa plásticos e resinas técnicas, ao Jornal Têxtil. «A presença do director da Techtextil no certame mostra o interesse e o forte empenho em transformar esta iniciativa em algo mais do que uma mostra de âmbito local ou nacional. Neste contexto, os esforços consagrados pelo Citeve para internacionalizar o Fórum são muito importantes para que os têxteis técnicos portugueses se projectem além-fronteiras»

 

Por seu lado, o administrador da Eurospuma, uma referência na produção de não-tecidos volumosos e espumas de poliuretano, não esconde um certo desapontamento em relação a esta primeira participação da sua empresa no Fórum. «O mercado nacional para este tipo de materiais não é grande, pelo que esta iniciativa só é interessante quando contextualizada a nível internacional, como no âmbito da Techtextil». Deste modo, Paulo Morais mostra-se bastante favorável à internacionalização do Fórum, confirmando a vontade em mostrar em Frankfurt o know how da empresa em «não-tecidos para isolamentos térmicos de alta performance e alguns produtos destinados ao sector automóvel».

 

«Estamos satisfeitos com a forma como decorreu esta edição do Fórum, e com a nossa participação», declara Joaquina Pinto, da empresa Lousafil, especialista em vestuário e outros equipamentos para protecção e segurança. «Os esforços desenvolvidos pelo Citeve no sentido de dar dimensão internacional a este Fórum, sustentados com a participação de Michael Jänecke, director da Techtextil, no certame são muito positivos. E a Lousafil está receptiva a integrar neste projecto».

 

«Penso que este Fórum é de primordial importância para o que podem ser os novos caminhos que a indústria têxtil pretende trilhar», sustenta Vasco Ortigão, do departamento Comercial da Augusto Guimarães & Irmão. «Tivemos algumas pessoas que visitaram o nossostand apenas com o objectivo de buscar um novo rumo para as suas empresas, e é por aqui o caminho. A indústria têxtil portuguesa da década de 80 está morta; ela foi deslocalizada para o norte de África, para o Sudoeste Asiático… E com eles não é possível combater senão pela qualidade e pela inovação». Vasco Ortigão acrescenta ainda que «a presença do director da Techtextil é um sinal claro do rumo que a indústria quer tomar. É através de uma internacionalização e de um contacto mais directo com o que se faz de mais avançado na Europa e no mundo que poderemos mostrar o que de melhor temos para oferecer e continuar a evoluir. Portugal tem uma história muito forte e bonita nos têxteis, mas hoje precisa apostar em produtos com mais-valias, em que a componente tecnológica seja evidente, para que possamos continuar a ser uma referência têxtil internacional. Neste âmbito, o trabalho do Citeve, e em particular do Fernando Merino, tem sido notável e é um rumar contra a maré do habitual “deixa andar” português».

 

A responsável em Portugal pela Techtextil, e por todas as feiras organizadas pela Messe Frankfurt, mostrava-se no final bastante satisfeita com a forma como decorreu este Fórum e com a bem-sucedida transição da parceria da Avantex para a Techtextil. «Achei esta edição francamente melhor que as edições anteriores. Em particular, constatei um melhor aproveitamento do espaço e um aspecto bem mais acolhedor», afirma Cristina Motta. «Ficou bem patente o interesse em avançar-se para uma participação conjunta na Techtextil das empresas portuguesas que operam na área dos têxteis técnicos. A intervenção do Michael Jänecke permitiu perceber a importância deste certame não só para identificar e apoiar os que já operam nesta área, mas também para abrir novos horizontes àqueles que querem dar o salto dos têxteis tradicionais para os têxteis técnicos». Cristina Motta sublinha ainda o trabalho levado a cabo pelo director do departamento de Têxteis Técnicos e Funcionais do Citeve que «tem sabido congregar as diferentes empresas com interesses no sector. E, ao mesmo tempo, tem dado um importante contributo para a afinação dos têxteis técnicos em Portugal».

«Esta edição marca o princípio da mudança» foram as palavras proferidas por Alfredo Rezende, vice-presidente da Associação Selectiva Moda, para definir esta edição do Modtíssimo. Com efeito, a associação, em parceria com a APICAPS, o CENESTAP, a ATP e a ANJE, está a planear um novo conceito para o evento. «Neste momento, estão reunidas as condições para se criar uma Semana da Moda, que faça confluir um conjunto de iniciativas dispersas levadas a cabo pela APICAPS, CENESTAP, ATP e ANJE, aproveitando as sinergias de todas elas. Hoje há um sentimento comum com um objectivo comum», sustenta Alfredo Rezende. «E temos um espírito de cooperação aberto a outros parceiros que queiram integrar este projecto».