Maioria dos Países prefere a Economia de Mercado

A maioria dos cidadãos prefere uma economia de mercado, mas com intervenção reguladora do Estado, para evitar possíveis abusos de grandes empresas. Este tipo de economia encontra a maioria dos seus mais fervorosos adeptos na China, um país com uma economia centralizada e regida pelo partido Comunista (e cuja designação de economia de mercado foi reprovada pela CE em 2005), e encontra os seus maiores adversários numa economia de mercado madura: a França. Estas são duas das conclusões de um estudo realizado pela Universidade de Maryland – no Leste dos EUA – em parceria com uma empresa de sondagens, a GlobeScan. Nos 20 países abrangidos, entre Maio e Agosto de 2005, de uma amostra de 1800 indivíduos, 61% concordaram que «o sistema de economia de mercado é o melhor para basear o futuro do mundo». E foi precisamente na Ásia que a apologia da economia de mercado encontrou mais expressão, a juntar ao Império do Meio (com 74% dos inquiridos), a Índia, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Indonésia. Nos países europeus, a escolha por este sistema é consensual, começando a esmorecer mais encostado a leste, já na Turquia a na Rússia, com a excepção francesa, onde só 36% dos inquiridos o prefere. Mas se a economia de mercado é a preferida mundialmente, dois terços dos inquiridos concorda com a afirmação de que «funciona melhor acompanhada de uma forte regulação do Estado», sobretudo nas áreas dos direitos dos trabalhadores, do ambiente ou dos consumidores. «De certa forma estamos, de facto, a assistir ao que já foi intitulado “o fim da história”, no sentido de que há um nível de consenso extraordinário sobre qual é o melhor sistema económico», refere Steven Kull, director do Programa de Atitudes sobre Politicas Internacionais da Universidade de Maryland. O que, segundo o director, «não significa a vitória de um dos lados da dialéctica», mas que «há um apoio esmagador aos mercado livres, embora acompanhado por uma rejeição pelo capitalismo sem regras, com uma grande adesão pela intervenção estatal na protecção a trabalhadores e consumidores».