A Maersk fez o aviso na sequência do ataque do grupo militante iemenita a um navio MSC, a mais de 300 milhas a leste da Somália e depois do porta-voz do gripo militar Houthi, Yahya Saree, ter afirmado que a fação rebelde vai expandir o seu alcance de ataques com drones e mísseis ao leste do Mar Mediterrâneo, visando navios com destino aos portos israelitas.
«A zona de risco alargou e os ataques estão a chegar mais longe», afirma a Maersk num comunicado publicado na passada segunda-feira no seu website. «Isso obrigou os nossos navios a prolongar ainda mais as suas viagens, resultando, por enquanto, em tempo e custos adicionais para levar a sua carga ao destino», aponta.
De acordo com a Maersk, a empresa necessita atualmente de mais 40% de combustível por viagem, com as taxas de frete – muitas vezes fixadas por cinco anos – três vezes mais altas do que antes dos desvios.
Reconhecendo que a situação tem levado a congestionamentos, a Maersk antecipa que as perturbações no Mar Vermelho vão continuar no segundo semestre de 2024. Em toda a indústria de transporte de contentores, a transportadora marítima estima perdas de capacidade no segundo trimestre de 15% a 20% nas rotas comerciais do Extremo Oriente ao Norte da Europa e do Mediterrâneo devido às rotas mais longas, nomeadamente com os desvios pelo Cabo da Boa Esperança.
«Estamos a desenvolver soluções com o objetivo de oferecer aos nossos clientes uma maior fiabilidade para as suas cadeias de aprovisionamento», acrescenta, dando conta de um aumento da velocidade de navegação e da capacidade de carga dos seus navios, tendo alugado mais de 125 mil contentores adicionais.
A Container XChange, plataforma de venda e aluguer de contentores, sublinha, citada pelo Sourcing Journal, que isso poderá fazer subir consideravelmente os preços do transporte. De acordo com a empresa, e tendo por base um cliente da mesma localizado na China, o valo para envio de um contentor do país passou de 2.200 dólares para 2.300 dólares em abril e, atualmente, para valores entre 2.500 e 2.700 dólares.
«Um número substancial de contentores está preso em localizações da rede com um excesso de inventário de contentores», indica a Container XChange numa previsão para maio. «Enviar estes contentores pode não ser viável economicamente devido a fatores como elevados custos de transporte, armazenamento barato na localização ou os contentores estarem próximo do seu fim de vida operacional», acrescenta.
Recentemente, a Maersk reduziu as sobretaxas de pico de estação em várias linhas em março e abril, mas vai aumentá-las novamente para ajudar a cobrir os custos adicionais e sublinha que vai rever regularmente as mesmas.



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